terça-feira, 12 de agosto de 2014

Ngc 5316 contra a Supermoon.

           
                Ninguém em são consciência escolheria um dia de Supermoon para caçar DSO´s. Especialmente um que há anos vem sendo uma pedra em seu sapato.
                  Logico que eu não poderia perder esta oportunidade.
                Pensei logo em um título bacana. Ngc 5316 contra a Super Lua. Me recordou na hora aqueles filmes classe B do tipo Crocossauro versus Supershark. Coincidentemente iria passar na TV um clássico do gênero e que eu tinha me comprometido a ver.
                Cowboys e Aliens.
                Este um filme B mas com orçamento de filme A. Não faz um ano que trabalhei com o fotografo deste marco da cinematografia.  Seu nome é Matthew Libatique e carrega em seu currículo títulos mais nobres. Entre outros "Black Swan" e "Requiem para um Sonho".  Queria ver se ele tinha feito a vida de seu Gaffer Yankee tão dura quanto a minha. Creio o cara foi democrático. Ambos ralamos para c...
                Com meu roteiro traçado parti para o primeiro plano.
                Aqui em casa sempre se começa pelo alinhamento polar. Apesar de minhas suplicas o telescópio nunca fica parado onde deveria estar na Stonehenge dos Pobres... Como sempre não é possível realizar o drift com apenas uma janela de ceu. E assim utilizo novamente Atria (Alpha Tri Australis) para me iniciar na busca.
                Devo me contentar com um horário vespertino e aproveitar até as 21:00 horas para realizar minhas fotos. De preferência antes da cara metade chegar do trabalho e enquanto a minha filha faz seus deveres de casa. E claro que a tempo de ver o filme...

                Eu estava decidido a localizar Ngc 5316. Um pequeno aglomerado aberto bem próximo a Beta Centauro. Já tinha tentado isto diversas vezes . Sempre sem sucesso.
                Na verdade este pequeno aglomerado já foi causa de confusão entre a nobreza astronômica. Ele situa-se entre Beta Cen e Ngc 5281 ( O Aglomerado deCheshire). Eu mesmo já tentara descobri lo e acabei por encontrar seu colega. Em seu "Southern Gems" O´Meara conta da confusão entre este e 5316 propriamente dito.  5281 é uma descoberta de Lacaille. e pela sua descrição permiti-se a duvida de que um seja o outro ( confuso?). Mas com uma analise atenta e procurando-se por diversas fontes parece acima de qualquer duvida que o objeto que procuro esta noite é uma descoberta original de Dunlop. Trata-se da entrada de numero 238 de seu catalogo.
                E apesar da Supermoon e da forte poluição luminosa eu rapidamente localizei (novamente) 5281. É sempre assim. Ele é muito mais evidente que a vitima de hoje. creio que com as modestas lunetas de Lacaille ele nunca tenha posto a vista em 5316.  Trata-se de uma jóia das mais discretas da Coroa Austral. Mas muito delicada.
                Acha-lo foi uma tarefa ingrata e houve um momento que achei que a Supermoon venceria o duelo.
                Inicialmente tentei localiza lo "dançando"com o telescópio. É um método que muito utilizo mas de eficiência controversa. Simplesmente solto todas as travas do   telescópio , tanto de AR com de declividade,  o "abraço  e o "carrego pelo salão " enquanto namoro a buscadora. Em áreas interessantes ou em caso de alguma suspeita continua a dança utilizando a ocular de 26 mm. 
                Desta forma suspeitei ter me deparado com algo. Me parecia um campo estelar mas de qualquer forma achei que valeria o esforço e fiz algumas fotos. Serviria ao menos para eu localizar a região que eu me encontrava depois de tanto bailar. Fotos feitas e uma visita ao site da Astrometry vi que estava longe de onde deveria e que Ruprecht 17 seria a vitima a se procurar por ali. Baila-se eu mais um pouco teria achado o que eu não procurava.

Procurando... 10 X 25 seg+ 5 darks. DSS



                Como não restam muitos DSO´s fáceis para serem localizados da Janela da Stonehenge dos Pobres tenho feito deste sistema um habito. Primeiro busco pela região próxima a vitima. E com o auxilio do Astrometry e do Cartes du Ciel  eu faço uma localização inicial .. E deste ponto parto para o star Hoop. O Cartes du Ciel é muito mais eficiente para este processo que o Stellarium. Principalmente por identificar as estrelas utilizando o Catalogo HD. Assim como o Astrometry. Além de ter uma biblioteca de DSO´s muio mais completa que o Stellarium.

                Resolvo  voltar ao telescópio .Desta vez de uma forma menos romântica e mais metódica . Com Hadar centralizada e com a 25 mm calçada no telescópio faço um ensaio do caminho utilizando o Stellarium Que para isto é superior ao CdC. Afinal é só indicar qual ocular você esta usando e ele se comporta exatamente como o telescópio em questão. Deveria deixar Hadar ( Beta Cen) no canto inferior esquerdo da ocular e dar um pequeno "Hoop" para leste. E voilá . Tivesse feito isto ha muito tempo e eu não teria conhecido Ngc 5128.
                Ngc 5316 é um pequeno aglomerado aberto. Sua classificação Tumpler nos diz assim II 1 p . Ou seja , relativamente pobre , destacado e com estrelas de magnitude semelhante. Mas ele é bem mais charmoso do que pode aparentar pelo categorização feita por Ruprecht em 1975.  Suas estrelas são pequeninas e fracas . Mas são bem unidas e apresenta um interessante colorido. Diversas gigantes vermelhas já  habitam o aglomerado que possui por volta de 120 milhões de anos.  Ele se encontra  a aproximadamente 3800 anos luz de nós.
                Com as péssimas condições para observação ele não dá nem sinal de existência na buscadora. Se tornara um objeto fotográfico. Mesmo com a 17 mm como ocular ele só se apresenta com periférica com algumas estrelas flicando no campo. Bem discreto mesmo. Quanto olhei a primeira foto fiquei até surpreso com sua área ( 15´) . Ao vivo parecia muito pequeno...   certeza que em condições mais "humanas" o aglomerado será uma bela visão na ocular . Bastante com condensado e com pequenas estrelas formando um belo campo.... A esquerda das fotos podemos perceber HD 121454. É uma boa escolha para ser sua guia.





                Fiz apenas 3 exposições de 25 segundos e com o aglomerado meio fora do esquadro. depois de tanto lutar para acha-lo sua posição já ia extremamente baixa.  Fiz mais alguma fotos com este melhor centralizado mas ele já ia tão baixo no horizonte que começara a se apagar.

3 X25 seg+ 3 Darks . Deep Sky Stacker

Ngc 5316 a direita da imagem. Foram realizadas 3  exposições de 25 seg ; Asa 3200 . Deep Sky Stacker e Photoshop( curves) . Foi necessario utilizar um threshold bem baixo no Deep Sky Stacker para que aceit-se as fotos. Muito drift e ruido...

Mesmas fotos . Agora empilhadas no Rot n´Stack. Modo Mean . Mais semelhante ao que se observa pela ocular...



                Na luta contra a SuperMoon nosso herói sobreviveu.  

Adoro quando dá a louca no Rot n´Stack. 



quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Carpe Noctem e Harvard 5

                 
         


                Creio que a maioria dos leitores conheçam a expressão "Carpe Diem".
                 Ela é corriqueiramente traduzida como " Colha o dia" ou " Aproveite o dia".  A sua origem é bem mais erudita que nos faz supor Robin Williams e o filme "A Sociedade dos Poetas Mortos" ( filme que me levanta sempre a suspeita de ser uma espécie de remake de "O Ateneu" do Raul Pompéia ) .
                 É provável que o seu criador original tenha sido Horacio. Em Odes (I , 11.8)  ele diz a Leuconoe: " ... carpe diem quam minimum credula postero." ( Colhe o dia, quanto menos confia no amanhã).
                Ele busca convencer Leucone a aproveitar o momento presente e dele retirar todas as alegrias , sem se inquietar nem com o dia e nem com a hora de sua morte.
                Meu dia não seria um belo exemplo para o "postero" . Mas vinha por aí a noite e assim me ocorreu  uma máxima que convocou   minha  vontade astronômica.
                Carpe Noctem.
                Colheria a noite. Como quem colhe flores para um buquê. Mesmo que os campos na Stonehenge dos Pobres não fossem como as Ilhas Fortunosas.
                Na verdade   continuam em obras...
                De tão inspirado resolvi carpir ( capinar)  a minha noite de forma correta e aplicada. E assim nada como começar realizando um alinhamento polar melhor que o clássico "aponta e acredita" .  Uma tradição aqui pelo Nuncius Australis.
                 Conforme passa o ano vão mudando as estrelas que mimetizam a estrela polar em minha janela. Através de um método que reúne a preguiça com a falta de horizonte cada mês existe uma estrela mais bem colocada para a realização do Alinhamento Polar.
                Desdeque comecei a utilizar esta técnica já serviram para este papel Acrux ( Alpha do Cruzeiro) , Rigel Kent ( Alpha do Centauro) e agora a bola da vez e Atria (Alpha do Triângulo Austral). Ela cruzará o Meridiano as 19:42 horário local. E a estaria aguardando para te-la centralizada na cruzeta de minha buscadora polar imaginária.
                Como poderão ver se não deu certo deu quase certo. Exposições de 30 segundos com um drift minimo e incapaz de destruir minhas imagens.
                Meus planos são modestos. Visitar alguns velhos amigos e fazer umas poucas exposições de cada um deles. E  sempre tentar localizar algum buquê um pouco diferente para acrescentar as minha "Exsicatas".  Tudo isto em não mais que duas horas. Afinal preciso devolver se não os campos pelo menos a sala para o uso da família.
                 Eu poderia Carpe Noctem  mas não " all night long".
5 frames de 11 oferecidos ao DSS. + 4 dark frames. Só foi utiizado o DSS no pós processamento

                Assim nada como começar com uma velha amiga que em breve vai estar deixando os céus por algum tempo. Ngc 4755. A Caixinha de Jóias. Não pretendo me aprofundar sobre ela já que escrevi sobre a mesma ha algum tempo e tenho um esboço para um post dedicado.
                Mas vamos ao que viemos. Diversão . E Astro fotografia é a melhor diversão.
                Fiz pouco mais de uma dezena de exposições da vitima. A primeira com 30 segundos. Mas os níveis de poluição luminosa me levam a realizar exposições para  o "stacking" de apenas 15. Embora o alinhamento esteja bastante aceitável o fundo do céu e o bafo de sódio se apresentam muito evidentes em exposições mais longas. E os membros de 4755 não são timidos. Se apresentam mesmo nas menores
 exposições.  
                O bom da astrofotografia é que ela me garante um programa para noite toda. Pois mesmo depois que sou retirado da ocular pela cara metade ainda tenho todo o resto. O pós processamento , as vontades do Deep Sky Stacker ,as possibilidades do Photoshop. E ainda o post que registrará a observação. O log (blog) da observação. E assim diversas das etapas que fazem da astronomia amadora quase uma ciência. E uma arte com certeza...
Um mosaico com os resultados obtidos no Rot and Stack .
Canon T3 Newtoniano 150 mm
 11 frames + 1 dark Asa 3200 15 seg. exposição 
                Das 11 exposições que importei parao DSS ele concorda que 6 merecem ser "empilhadas". Como não estou na NASA e também não quero utilizar um Threshold muito baixo me dou satisfeito com o resultado. E como a Caixinha é de casa aplico uns poucos Dark frames e me dou por satisfeito. Ela sempre fica bonita. 
                Como dizem na capoeira : " A mulher para ser bonita não precisa se pintar...".
                Continuando pelos clássicos não resisto a posição favorável e visito alguem que ha muito não via. Omega Centauro. O Rei dos Globulares. Faço 15 exposições. Estas com 20 segundos. Um pouco mais alto no céu e menos comprometido pelas luzes do Metro. Mas confesso que a observação visual me deixou um pouco cabreiro. O gigante se apresentava bem lavado na buscadora e quase nada se resolvia na ocular de 25 mm.
Omega Cen. 8 light frames+5 Dark 20 seg asa 3200 . DSS

                Novamente o DSS não aceita todos os light frames. Mas desta vez eu resolvo brincar um pouco mais no  Photoshop e com o auxilio da ferramenta "curves" faço uma bela maquiagem no Globular. Sempre reparo nas letras "ch" que Omega carrega como uma cicatriz em seu rosto
.
                Agora vou em busca de minha exsicata. De uma forma sempre divertida. Sei que existem diversos aglomerados abertos mais obscuros escondidos por dentro do Cruzeiro do Sul. Alguns Ngc e outra flores mais exóticas. Depois de alguns anos acho que aglomerados abertos mesmo mais esparsos se denunciam. As vezes sou enganado. Mas não esta noite.  saindo de Acrux me dirijo para oeste. E passeando me deparo com diversos suspeitos. Todos modestos. Um me chama a atenção. Tenue mas mais concentrado me deixa na certeza de ter localizado alguma novidade. Observo bem e com o auxilio da 10 mm tenho certeza de sua natureza. Tiro alguma fotos. A pratica leva a perfeição e aglomerados abertos são o esteio do Nuncius Australis.


                Costumo saber o que eu observei. No caso sabia tratar-se de um aglomerado aberto. Mas saber exatamente qual , especialmente quando o localiza pelo método "easy rider" pode ser bem dificil. Em geral utilizo o Astrometry.net. Mas as vezes ele tenta lhe enganar. E se você se deixar levar acaba  deixando de levar seu buquê. Ele não possui todos os catalogos. Mas é bom em descobrir estrelas . E assim o utilizando junto ao Cartes du Ciel você acaba descobrindo aquelas flores mais raras que passam desapercebidas  pelo Astrometry e não constam no Stellarium.  Coisas como aglomerados dos Catalogos Collinder , Hogg, Alessi , Ruprecht , Lynga e cia Ltda.


                A surpresa da noite foi Harvard 5. Também ou mais conhecido como   Collinder 258 o pequeno aglomerado deveria ser mais lembrado. Embora não chegue a ser muito chamativo é obvio e facil de se localizar.É ainda o terceiro aglomerado mais brilhante de Crux com magnitude aparente de 7.1. Conto pouco mais de uma dezena de membros espalhados por pouco mais que 5´ de arco.  Uma pequena estrela de um vermelho pálido se destaca e diversas estrelas flicam ao fundo. Com visão periférica consigo perceber mais alguns membros. Entre as jóias da coroa Austral não seria mais que um pequeno brinco. Mas bem delicado. Localiza-se cerca de 3.800 anos luz daqui. E tem entre 80 e 120 milhões de anos. Jovem ainda.  A única imagem do mesmo que localizei foi da home page da WEBDA e juntamente com suas cordenadas tenho certeza de que fotografei a vitima certa. É um aglomerado pouco estudado mas localizei alguns papers onde apresentam alguns estudos fotométricos do mesmo em conjunto com outros obscuros aglomerados austrais.
                Foram oito fotos de minha nova "exsicata" e realizei diversos tratamentos a fim de obter um raro registro fotográfico desde meu novo buquê. Uma grata surpresa em uma noite  já enluarada e na habitual PL do Rio de Janeiro.  Exsicatas são amostras de plantas prensadas e secas em uma estufa.  Para mim são também  uma recordação de minha vó. Ela tinha ,por habito, guardar folhas e flores prensadas dentro de enciclopédias. Atá hoje encontro alguma perdidas dentro da Britannica que habita m meu corredor. Como recomenda o procedimento devo registrar junto a planta o local e a data da coleta. Rio de Janeiro . Entre 19:50 e 21:00 de 6 de Agosto de 2014.   
                Abaixo as fotos de Harvard 5 e respectivos procedimentos e softs utilizados no pós processamento.
8 Lightf frames 20 seg.+ 5 darks. DSS
 
Crop e Curves no Photoshop. A compressão do blogger aumentou o ruido....
                Ainda com algum tempo antes de acabar com aquilo que Lavoisier chamaria de " Nuit de Bonheur" eu volto ao Centauro. Mas desta vez sou enganado. Mais uma vez saio em busca de Ngc 5617. E mais uma vez fotografo Lynga 2. Recentemente fiz um post a respeito deste . E como o foco deixou a desejar este registro encera uma parte da missão desta noite.
Linga 2. 5 frames de 20 Seg. Rot n´stack Mean mode. O Dark frame foi autogerado. Isto talvez explique a cor...
                Afinal se astro fotografia é a melhor diversão descobrir e estudar o que foi capturado durante a noite faz dela astronomia. E assim algo muito maior....

P.S. - A foto que abre este post é uma demostração de como o Deep Sky stacker tem seus momentos rot n´Stack... Eu chamo de Pollock Mode e adoro os resultados....

                

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

O Novo e o Velho em Escorpião

         
   
           Com a lua nova e finalmente o céu aberto eu enfim tenho uma oportunidade de visitar Escorpião este ano. Aqui da Stonehenge dos Pobres a geometria do universo só me permite observa-lo no Horizonte Sudoeste. Assim já ia mais de meia noite quando percebi Antares se aproximando do Dois Irmãos .
            A noite fora fria e eu realmente não tinha planejado observar. No inicio da noite tinha encontrado alguns amigos e procurado por algum calor em  bastante vinho. Por bastante entende-se bastante mesmo. E assim estabanado puxei o Newton para o canto Leste da Janela e consegui um alinhamento polar por palpite até razoável. Diria que já aprendi aonde fica o sul a partir da janela de minha casa.  
Antares 1 x 15 seg.
            Uma rápida visita até Antares para afinar a buscadora e descobrir que o alinhamento polar estava mais para menos do que para mais. Mas não pretendia melhorar ele mesmo e achei que poderia fazer exposições de 15 segundos sem que o drift fosse capaz de destruir as imagens completamente.  Dali me  dirijo para cauda da fera.
            Escorpião é minha constelação favorita . Com muitas lendas , diversas estrela muito brilhantes e próximo ao centro galáctico as visitas a região sempre rendem alguma coisa.
            Passeando ao acaso por junto a Zeta Scorpius  , que é uma bela dupla, e pela área do falso cometa me digno a tentar a sorte e fazer algumas fotos. Ngc 6231 é a cabeça do Falso Cometa. E sua cauda responde por Trumpler 24. Serão minhas vitimas iniciais. 
Ngc 6231 10 exp X15 seg  + 5 dark frames Deep Sky Stacker


           
5 X 15 seg +5 Darks DSS 
            Ngc 6231 certamente é conhecido desde a antiguidade. Me recordo desta maravilha celestial  no inverno passado quando observei este em umaviagem as Anavilhanas e os céus escuros nas terras do Karapãna.  Não faz feio nem mesmo na miseráveis condições de poluição luminosa no Rio de Janeiro. Embora não se perceba o "cometa' com quase 2o de extensão que batiza a região percebe-se facilmente o aglomerado pela buscadora. . A descoberta de sua real natureza é geralmente creditada ao sócio aqui do Nuncius Australis . O Abbe Lacaille. Mas é hoje aceito que os créditos deveriam ir para Giovanni Batista Hodierna. Este registrou o aglomerado em seu catalogo quase 100 anos antes de Lacaille . Seu catalogo, que ficou esquecido por séculos, foi publicado em 1654 e contém 40 entradas. 19 das quais descobertas originais de Hodierna (6231 entre elas). Poucos anos antes Galileo tinha resolvido a Via Láctea e Hodierna acreditava que todos os objetos nebulosos dos céus eram Aglomerados de estrelas. E desta forma fez dele a sétima entrada na Classe 1 de seu catalogo ( Luminosae) que engloba aglomerados que resolvem-se mesmo a olho nu.


            Ngc 6231 e Tr 24 fazem parte da mesmo grupo de luminosas estrelas que forma a associação Scorpius OB1 . Esta é uma dispersa família de estrelas jovens e quentes que reside no braço espiral de Sagitário-Carina que reside mais próximo ao centro galáctico quo o de nosso sol.  É aceito que Ngc 6231 é um dos mais jovens aglomerados conhecidos nos céus. São dadas idades entre 3,2 e 10 milhões  de anos. O aglomerado é caracterizado por estrelas super gigantes O e B e possui diversas estrelas peculiares incluindo entre seus 93 membros duas estrelas Wolf Rayet , seis Beta Cephei e diversas variáveis eruptivas do tipo P Cygni. Claramente um aglomerado bem jovem ainda submetido as "vontades de Hayashy"... O aglomerado recorda vagamente uma torre Eiffel meio torta. Um blend entre a torre em  Paris e a de Pisa.

Tr24 3x 15 seg DSS

            A região é riquíssima e em poucos graus de céu podemos ver uma imensa reunião de aglomerados e nebulosas. A norte e Leste de 6231 em apenas 3o habitam três aglomerados galácticos ( Trumpler 24 , Ngc 6242 e Ngc 6268) , uma nebulosa planetária (IC 4637) e uma Nebulosa difusa (4628). E pertinho uma nebulosa escura (Barnard 48). O paraíso para os amadores...





            Mas isto tudo eu já sabia. O que eu não sabia é que a menos de 6o a Les- Nordeste habita um discreto aglomerado globular de caracteristicas bastante interessantes. Mesmo já tendo passeado bastante pela região  eu nunca o tinha observado. Próximo a Girtab ( q Scorpii) ele é um globular que sofre com a presença de diversos outros mais famosos pela região. E pelo menos em céus urbanos se apresenta bem discreto. Uma pequena estrela que não faz foco. E como se estivesse ainda sob o efeito da vinhaça de mais cedo nem tentei trocar as oculares para conseguir mais aumento. Mas  duvido que conseguisse resolver algum membro mesmo de suas bordas de qualquer forma. Na fotos empilhadas pelo modo sort do Rot n´Stack parece que resolvem-se alguns membros. Mas não sei se é pirotecnia ou  realidade.

Ngc 6388. 5X15 seg + 3 blacks- DSS



        
Modo Sort Rot n´Stack  5x 15 seg.


           Ao contrário de nosso ultimo convidado este é um senhor idoso. Como todos os aglomerados globulares ele tem sua idade medida em bilhões de anos.  Ngc 6388 é um aglomerado globular com uma população estelar bastante diferente. Ele e Ngc 6441 são considerados como globulares gêmeos e intrigam pesquisadores devido a composição de suas populações estelares. Diversos trabalhos tratam do assunto e ainda existem controvérsias. Dos trabalhos que encontrei este foi um dos mais completos e o mais recente (2013) . " The intriguing stellar populations in the globular clusters NGC 6388 and NGC 6441∗".   
            A distribuição das estrelas azuis gigantes que se encontram no seu interior, indicam que o aglomerado envelhece a uma velocidade moderada e que as suas estrelas mais pesadas estão no processo de migrar para o centro.                          .

                Ha ainda  novo estudo, que utilizou dados do ESO, descobriu que aglomerados globulares com a mesma idade podem ter distribuições das estrelas retardatárias azuis no seu interior completamente diferentes, sugerindo que os aglomerados envelhecem a taxas substancialmente diferentes. ( F. Ferraro , Universidade de Bologna)
            
                                                                                                                                                                                  O estudo fotométrico de Ngc 6388 ( A. Moretti, G. Piotto, C. Arcidiacono, A. P. Milone, R. Ragazzoni, R. Falomo, J. Farinato, L. R. Bedin, J.Anderson, A. Sarajedini, A. Baruolo , E. Diolaiti and S. Tordo ) indica uma idade 11,5 bilhões de anos +-1,5 Gyr. Esta grande variação (1 e meio bilhão de anos ) é causada pela posição de 6388 no bojo galáctico e alta contaminação do campo que dificulta a fotometria. E sua distancia também é controversa variando de algo entre 32 e 45 mil anos luz de nós.

            Localiza-lo foi fácil. Completamente ao acaso. Mas se fosse procura-lo de novo partiria de Girtab. Não o diferenciei de estrelas pela buscadora.

            Com magnitude aparente de 6.8 (achei otimista...) ele se apresenta discreto com a ocular de 25 mm. Acredito que ele seja mais evidente em locais mais escuros.

            Escorpião é um campo sensacional para se caçar DSO. Em uma única noite visitei um bebê cósmico e um ancião quase tão velho quento o universo ; Em menos de 7o  de uma constelação que se espalha por mais de 30o  céu. 
Hubble

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Ngc 4463 : Fotografando em RAW

         
          Eu já falei por aqui sobre dois diferentes tipos de piratas.  Um deles é o pirata cavalheiro. Este depois da necessárias grosserias iniciais termina por tomar chá com o capitão do navio pilhado.  Faz um levantamento detalhado do carregamento  que será tomado. Separa o joio do trigo e se demora as vezes dias nesta missão. Acredita na  Síndrome de Estocolmo (Stockholssyndromet em sueco) e trata os saqueados que nem a Patty Hearst.
            E existe um outro tipo. Mais para Atila , o Huno.  O que importa é a contagem de corpos, o saque e o incêndio. Eu , particularmente , me identifico mais com este tipo.
            Quando vou observar gosto de saquear o maior numero de DSO´s possíveis em uma única noite . Sendo viável  fotografa-los para levar como butim. Mas nada de centenas de exposições nem vários filtros. Uma vez  a vítima localizada uma uma rápida inspeção com diferentes oculares,tomar algumas notas e realizar algumas uma dezenas de exposições. Um alinhamento polar é bom. Mas se não estiver lá muito bom também não chega a ser o fim do mundo. O objetivo é obter um registro que permita a identificação da vitima . Mesmo que para isto seja necessária alguma forma de tortura. Importante frisar que o torturado sou eu mesmo. Pode ser necessária varias estripulias no pós processamento das fotos para que o finado tenha sua aparência não muito desfigurada. Assim com alguma pesquisa  (em casos extremos uma visita ao Astrometry.com) atrás de outras imagens do "navio" atacado na web  você identifica a vitima e leva seu butim...
            Desta forma o que pode ser bom para alguns pode ser um M... para outros.
            Sempre escutei que eu deveria realizar minhas capturas fotográficas em RAW.  Isto garantiria muito mais riqueza de detalhes, cores e possibilidades para minhas fotos.
            Os arquivos RAW são o equivalente digital do filme não revelado. Arquivos RAW não são imagens- são uma coleção de dados não comprimidos do sensor da câmera e informações sobre as configurações usadas no momento do disparo. Os arquivos em RAW permite que você tenha muito mais margem para corrigir erros de exposição no pós processamento. Em teoria os arquivos em RAW possibilitam controle total sobre as Imagens.
            Como eu desconfio de tudo que é bom demais achei que já era tempo de eu experimentar algumas fotos em RAW.
            Faria um "tour de force". Primeiro fotos durante o dia. Pegar a bicicleta e fazer algumas fotos no Arpoador. E depois , já a noite, realizar um saque em algum DSO desavisado que passa-se ao alcance dos canhões na Stonehenge dos Pobres (também conhecida como " O Observatório mais Urbano do Mundo).
            Uma vez com as imagens no cartão comecei a perceber que as coisas não seriam tão suaves quanto supunha o artigo da Digital Photographer...
            Como arquivos RAW são como a emulsão de um filme não revelado você deve se preparar para um monte de pós processamento. E vai também precisar de algum programa que possa lidar com arquivos RAW. Como possuo o Photoshop a opção obvia é o Adobe Camera Raw.
            Como cada fabricante possui um RAW " diferente" é necessário ( há outras formas...) converter o RAW nativo de sua câmera. Para tal eu já tive que baixar mais um programa. Adobe Digital Negative Converter.  Este vai  transformar meus arquivo .CR2  (RAW da Canon) em .DNG.
            Calma você continua trabalhando em RAW. DNG é um formato RAW gratuito. E assim "mais democrático". Fosse um software seria open code...
            Em geral arquivos em Raw são de 12 ou 14 bits o que significa eles tem 4.096 ou 16.384 níveis de brilho. Isto permite grande área de manobra para correções e edições. Arquivos JPEG são de 8 bits , o que faz com que tenham apenas 256 niveis de brilho.
            Outra dita vantagem dos arquivos em RAW sobre JPEG é a forma de se lidar com o Ruído. Os algoritmos de redução de ruido do Camera Raw é muito mais poderoso que o do firmware da câmera. Se bem aplicados eles vão superar a redução de ruido que já foi aplicada aos arquivos JPEG . Mas eu percebi um pequeno detalhe. Embora seja possível lidar bem com o ruido através do Camera Raw não é um trabalho trivial. E como o seu arquivo RAW possui muita informação os níveis de ruido podem ser bastante elevados especialmente utilizando ASA muito alta ( como é comum nas fotos astronômicas) .
            Uma vantagem do RAW que realmente me agradou é que este permite "bater o branco" depois do disparo. Isto é bastante útil para se fotografar em condições de iluminação variadas e/ ou artificiais. Nas fotos astronômicas ajuda muito a lidar com os efeitos da poluição luminosa que trás algumas dominantes cromáticas para o fundo do céu e que são sempre diferentes em cada local . Variam dia a dia aqui na Stonehege dos Pobres dependendo de qual porcaria acenderam nas obras do metro...


            Desta forma começa a " peregrinação dos meus frames " capturados em RAW.
A esquerda antes de visitar o Camera Raw. Infelizmente a compressão do Blogger não é fiel a riqueza de cores e detalhes obtidas no original... Nas fotos abaixo o processo é semelhante. As fotos da esquerda são uma cópia da captura como na Camera ( em RAW) e as a direita são o produto final depois do Camera Raw e do Photoshop, Para facilidades na web os arquivos finais são em JPEG . As fotos que mais gosto salvo em TIFF para meus arquivos.

          






                

           
Arpex...



      Primeiro começo com as capturas que fiz no Arpoador. Dia lindo e ensolarado. Definitivamente o potencial das fotos é enorme e os recursos possibilitados pelos arquivos e, RAW se fazem rapidamente notar. Mas também percebo que toda foto implica em uma boa quantidade de processamento e que eu vou ter que treinar bastante para dominar o camera Raw.  As fotos foram feitas com ASA 100 e 400.  Depois do Camera Raw você ainda dá  uma " envenenada" no Photoshop. O ruido é um conceito bastante presente nas fotos em Raw. É necessário ficar esperto para não confundir ele com a detalhe que você consegue extrair tanto das sombras como dos Highlights . E isto com ASAS baixas. Começo a pensar o que me aguarda com as fotos de Ngc 4463. ASA 6400.
            Vamos falar um pouco sobre o nosso saque desta noite ( e sobre astronomia...)  antes de retornamos ao tiroteio entre Raw, JPEG e outros codecs mais... ( este post é sobre fotografia still mas poderia ser sobre cinema. Neste samba se misturam filmes de Piratas, Bang -Bang,  épicos ( Atila , o Huno) , e Documentários...)
Ngc 4463 se apresenta aí claramente. Junto a Ocular de 25 mm você vai perceber inicialmente a dupla central. Com um exame mais atento notara a existência de outros membros. Sob a forte poluição luminosa as outras estrelas demoram a ser percebidas e demandam visão periférica. Esta foto é um crop do modo mean  do Rot n, Stack. Posteriormente foi trabalhado apenas com a ferramenta níveis de Photoshop. 
            Ngc 4463 é um obscuro aglomerado aberto na Constelação de Musca. Ele foi um "navio azarado". Eu tinha saído em caça de Ngc 4609 em Crux. Mas aqui no Nuncius Australis é sempre a "La Raul". Não sei para onde estou indo mas sei que vou no meu caminho. E assim este pequeno aglomerado galáctico com apenas 5´ de diâmetro acabou caindo nas minhas garras. Partindo-se de Acrux  ( Alpha do Cruzeiro) ele é bem próximo e não chega a ser difícil. Mas ele se disfarça bem. Em um desavisado olhar ele se passa por uma estrela dupla. Mas para bom entendor meia ... E ele se revela.






            Em um primeiro momento eu creditava ter localizado o meu destino oficial . Mas por obvias razões eu rapidamente percebi que não seria possível. Pelo Stellarium eu desconfio. E em uma rápida visita ao cartes du Ciel e já de posse de algumas fotos processadas eu identifico o DSO acima de qualquer duvida. Entre as Jóias da Coroa Austral ele seria algo como um pingente sem colar. Ou uma perola solta no fundo da caixa.
             O Saque continua conforme o habito e  observo com a ocular 25 mm. Onde ele é bem discreto. E depois com a 10 mm. Com esta sua natureza se revela de forma mais obvia e permite algumas analises . Não percebo  muita cor  e acredito ser um jovem e distante aglomerado.  Depois de visitar a pagina da WEBDA confirmo minhas suspeitas. As vezes eu acerto...
               Ngc 4463 tem cerca de 7,5 milhões de anos e localiza-se a 11 mil de anos luz de nós.
            Encontrei poucos papers a respeito da peça. E nenhum só dele. Tadinho. Um deles me pareceu interessante e associa o aglomerado a alguma nebulosas planetárias. Mas a fonte eu não digo e não conto.  Como um bônus de minha aventura em RAW creio ter localizado uma obscura Nebulosa Planetária e quase impossível de ser percebida ( Totalmente impossível a olho nu). Por uma daquelas coincidências que nada tem  a ver com as leis fundamentais do universo localizei uma foto que a apresentava. E fui buscar por aquele pequeno ponto estelar levemente enevoado. PK 200 2.1. Na melhor das fotos que consegui acho que a localizei. Com certeza esta no campo Mas tenho 3 suspeitos. E vou fazer que nem o governo prender todos. A foto que a revelou eu coloco no fim do post. Se alguém quiser tentar a sorte ... Não espere nada mais que uma tênue estrela. Para percebe-la como uma nebulosa planetária é necessário um telescópio grande e magnificações superiores a 400 X.   
            De volta a fotografia. Fiz 22 fotos com 13 segundos de exposição. A captura foi realizada em um pequeno intervalo que a casa estava vazia e assim o alinhamento polar deixou um pouco a desejar. Simplesmente coloquei o telescópio aonde eu achei que devia e fiz as fotos. Nem um chute foi dado no tripé...
            Escolhi uma que apresenta-se menor drift e depois de passar pelo DNG e o camera RAW salvei um arquivo JPEG ( o PS não salva arquivos em RAW ou DNG) para fazer uma visita ao Astrometry e garantir a identificação.
            Problemas . Os níveis de ruido e a péssima qualidade da captura levam a repetidos fracassos por parte do programa do site.
            Vai dar trabalho...
            Capturar imagens em RAW em astro fotografia pode ser bom para os puristas. Eu rapidamente percebi que com a quantidade de fotos envolvidas isto não serviria para minha paciência "Atiliniana". Pelo menos descubro que é possível tratar todos os arquivos no Camera RAW ao mesmo tempo. E assim ajustar o balanço de branco e outros bric-a-bracs  ( No caso só a exposição ) em lotes. Bem como nomear e salvar estes arquivos.
            O problema é que mesmo tendo brincado com o nível de ruido no Camera Raw estes continuam bem altos. Com longas exposições e ASA muito alta a coisa fica feia em RAW. E eu não tenho total dominio sobre os tais poderosos logaritmos do programa.
            Desta forma o Deep Sky Stacker começa o seu show e eu, já de saco cheio , prefiro utilizar o Rot n´Stack. Para isto preciso transformar todas as fotos de DNG em JPEG. 22 fotos... E depois passar todas estas no Noiseware... Aiiii!!! ( Na verdade o Rot n, Stack consegue alinhar todas elas sem este procedimento. E í você só precisa passar pelo Noise depois de alinhar as fotos. O Deep Sky é mais exigente.)
            Mas depois de empilhar as fotos e realizar a já tradicional peregrinação de frames pelo Rot n´Stack ( ou Deep Sky Satacker) , Noiseware (este me pareceu muito mais fundamental para a realização da operação quando trabalhando em RAW) ,Iris e Photoshop  consigo obter alguns resultados razoáveis.
 Depois foi só apresentar os resultados ao Astrometry e confirmar o que eu já sabia.
          











        Abaixo uma série de resultados obtidos através de diferentes caminhos. Os programas empregados em cada um dos resultados. Todos eles tem como ponto de inicio as imagens capturadas em RAW em uma Canon T3. O telescópio utilizado foi o Newton ( refletor newtoniano com distância focal1200mm / f8)


Um mal resultado para muito processamento. Depois de ter todos os 22 frames alinhados No Rot n, Stack escolhi o modo Sort ( o mais pirotécnico mas também o que captura mais detalhes) e retirei a vinheta e o gradiente ( enorme...) de fundo com o Iris. Posteriormente trabalhei os níveis , contraste e brilho no Photoshop CS5. Por fim Noiseware para reduzir o ruido...
Este é o modo minimo do Rot n´ Stack. Seu algoritmo reúne os pixels de menor intensidade encontrados nas fotos alinhadas. Ao contrario do que possa parecer isto tem suas qualidades. Como seu olho não é um sensor e nem possui pixels a imagens obtidas por este modo são sempre as que mais se aproximam do que você vê na ocular; e sem precisar de visão periférica. 
Desta vez o Modo Maximo do Rot n´Stack. Este reune os pixels mais brilhantes das fotos alinhadas. Eu fico imaginando que estou no capo e que a obra do metro acabou. Nesta foto ainda dei uma incrementada no contraste no Photoshop CS5.



Modo sort. Pirotecnia em ação. Mas as vezes ele revela alguma coisa que não seria possível sem tanta loucura. Me lembra sempre de Pollock...


                    
             Como eu disse no inicio do texto existem dois tipos de piratas  , provavelmente mais, e cada um age de uma forma. Da mesma forma existem diferentes astrofotografos. No meu caso capturar imagens em RAW pareceu-me uma péssima idéia. A necessidade de horas de pós processamento e o uso de diversos programas e rotinas não serve para mim. Mas compreendo quem as faz. Minhas pretensões fotográficas são modestas. Apenas um registro . De preferência semelhante ao que observo pela ocular. Realizando minhas astro fotos em JPEG eu consigo isto ( na verdade consigo mais que isto...) e economizo muito trabalho. Com relação a 4463 eu duvido que alguem perceba alguma diferença entre a captura em RAW ou JPEG. Um céu escuro e exposições mais longas serão a única coisa que poderá
revelar mais detalhes. Ou um telescópio mais poderoso. Ou do Deep Sky Stacker...

             
               Posteriormente consegui me entender melhor com o Camera Raw e melhorando o Ruido nos originais consegui que o Deep Sky Stacker se entende-se com o material; Este é definitivamente mais poderoso que o Rot n´ Stack. depois de algumas manobras e ajustes ele acabou aceitando os 22 frames e como é praxe gerou um arquivo Tiff de 32 bits e outro de 16 bits. Com a utilização de 5 dark frames fabricados as pressas o resultado foi surpreendente. E quase igual utilizando como matriz a captura em RAW como o material previamente convertido em JPEG. Abaixo o resultado antes e depois de um ajuste de Níveis no Photoshop CS 5. Levando em conta o material com tudo começou só me ocorre uma palavra. Milagre... A tecnologia ainda nos fará Deus ( tenho estado as voltas com Espinoza e muito filosófico nos últimos dias...)



     22 X 13 Segundos + 5 dark Frames . Alinhados no DSS.         
       
Novamente o ruido junto a parte mais brilhante da foto . Mas com resultado bem melhor que no périplo da foto do Rot n´Stack que passou pelo Noiseware, Iris , Photoshop e Camera Raw. E esta foto não foi ao Noiseware... . E nela creio ter localizado PK300 ( na de cima também). Na verdade o ruido nesta foto aumentou muito na compressão do Blogger. Ela é melhor ao vivo. Aqui eu prefiro a de cima.
   

         Quanto a fotografia do cotidiano o uso de RAW me agradou muito. As potencialidades de cor , brilho , efeitos e de edição em geral são enormes. Pretendo me aprimorar no uso do Camera Raw. Por enquanto creio que o firmware da camera que é aplicado aos arquivo JPEG é mais competente que eu pra lidar com o ruido das imagens digitais.

            Acho importante ainda frisar que certos DSO como nebulosas e galaxias devem se beneficiar mais da captura em Raw. Estas apresentam mais riqueza de cores e brilho que o discreto Ngc 4663. Este , especialmente, não apresenta características que justifiquem a trabalheira de se capturar em RAW.
            Acredito que "piratas' mais pacientes e dedicados podem se beneficiar enormemente dos recursos que a captura em RAW permite. Eu voltarei ao bom e velho JPEG. Uma outra razão de me apegar a este mal habito é poder trabalhar com arquivos bem menores e a facilidade de trafegar com este material pelo Blog. Em ultima instancia o material aqui apresentado é sempre em JPEG. E sempre terei os TIffs gerados pelo DSS em algum lugar...  

            E também continuo acreditando que binóculos 15X70 dispensam o uso de tripés...

            Astrofotografia é a maior diversão. 

          P.S. Mais diversão...  Para quem quiser brincar de jogo do erros segue a foto que indica PK3 300 2.1 .  Existe poucas imagens disponiveis na web de 4463. .  


Localizei esta foto em http://www.surastronomico.com/ mas ele não apresenta os créditos.