quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Ngc 2392- A Nebulosa do Esquimó

              

           Ngc 2392 é mais conhecida como a Nebulosa do Esquimó .  Trata-se de uma Nebulosa Planetária de longa história. Era um alvo que ha anos eu ouvia falar mas nunca a havia observado. E como astronomia observacional é uma pratica mais associada ao sentido da visão que aos ouvidos eu  finalmente me dignei a visitar esta maravilha. 
                Ngc 2392 é um dos mais populares DSO que conheço. Ele esta presente em grande parte dos guias observacionais que possuo e sua história remonta vários séculos de observação.
                A primeira vez que tomei conhecimento desta foi  (mais uma daquelas coincidências que nada tem a ver com leis fundamentais) no primeiro guia observacional que comprei.   Já falei  aqui e vou falar de novo: Todo telescópio de pequeno porte deveria vir acompanhado de "Turn Left at Orion". Outra coisa que sempre falo por aqui e vou repetir : é uma vergonha não existir uma versão traduzida do mesmo e publicada no Brasil...  Na verdade eu percebi que entre os objetos sugeridos para o inverno ( quase todos os guias observacionais são escritos pensando -se no hemisfério norte. ) no " Turn Left..." só me faltava observar 2392.  Irresistível.
                Nebulosas Planetária costumam apresentar um brilho de superfície alto. O que faz delas um excelente alvo para locais com poluição luminosa. Por outro lado geralmente possuem um tamanho pequeno o que os faz difíceis de serem diferenciadas de estrelas de campo . Assim demandam certa  experiência  do observador.
                Chegar até "O Esquimó" pode ser  um longo caminho. Sou um apaixonado pelas histórias de exploração dos polos.  E assim não posso deixar de pensar em trenós puxados por cachorros e em Amundsen em suas sagas polares. Desta forma imagino a logística desta missão como uma longa expedição polar. Em primeiro lugar você deve localizar a constelação de Gêmeos. Suas estrelas mais brilhantes são Castor e Pollux.  São Alpha e Beta Geminorum respectivamente. A Imagem dos Gêmeos é algo até viável de se conceber  e assim localize o Gêmeo encabeçado por Pollux e descendo pela figura ( é o gêmeo mais a leste...) localize Wasat ( Delta Geminorum).  É uma estrela de magnitude 3,5 na altura da hipotética cintura de Pollux.
                Wasat por si só é um alvo dos mais interessantes . É a entrada de numero 283 no catalogo Bedford .  Smyth (em seu "Cycles of celestial Objects") nos dá uma interessante dica sobre como certificar-se de que estamos no local correto :
" Uma das estrelas de Greenwich de 2o classe na cintura direita de Pollux e esta exatamente no centro de uma  linha que liga o " Praesepe" ( o aglomerado M 44 em Cancêr) a Zeta Tauri no chifre sul de Touro e quase sobre a linha que liga Castor a Sirius" .
                Ele ainda nos diz que trata-se de uma dupla de belo contraste com uma primaria de um branco pálido e uma secundaria roxa.  " ... Este delicado objeto é difícil de se medir a distancia , devido a disparidade, mas não é  uma das mais difíceis estrelas  nos céus. "
                Wasat vem do Arabe al-wasat. O meio ou o Centro...
                Antes de retomarmos a nossa expedição  rumo ao "Iglu mais longe do Universo" eu gostaria de apresentar um daqueles descaminhos  pelo conhecimento inútil que torna a Astronomia tão adorável.
                Em seu "Cycles" Smyth se refere a diversas estrelas como sendo uma das " Estrelas de Greenwich" e depois dando uma classe a estas. Elas podem ser de  1a , 2a  ou 3a. Nunca tinha ouvido falar nisto e sempre achei que Greenwich era mais conhecida pelo observatório que pelos açougues. E Assim fui caçar a origem desta classificação.  Localizei sua origem em  um dos mais obscuros  papers de todos os tempos: Publicado no abrangente" Philosophical Magazine and Journal cohmpreending the various Branches of Science ,the  Liberal and Fines Arts, Agriculture, Manufacture and Commerce " este paper (perdido entre um estudo sobre  a costa da Austrália e outro estudo a respeito da melhor forma de se bater um prego no  sensacional "Almagesto do Século XIX)", nos conta que foi publicado pela Astronomical Society of London em 1 de janeiro de 1830 um reduzido catalogo com 3500 estrelas realizado a partir dos levantamentos de Flamstedd , Lacaille , Bradley, Piazzi , Mayer e Zach.  Nas tabuas elaboradas a partir dese catalogo as estrelas foram classificadas em três classes:
·         Estrelas de 1a classe- Estrelas de até 5a magnitude situadas em qualquer lugar do céu ...
·         Estrelas de 2a Classe- Todas as estrelas de até 6a magnitude ( inclusive) situadas até 30o do equador
·         Estrelas de 3a classe- Todas as estrelas até 7a magnitude até 10o da eclíptica

                Definitivamente não encontrei nenhuma razão obvia para tal classificação embora o autor garanta que este é o melhor sistema para a classificação de estrelas em tabuas náuticas e celestes. A lógica inglesa levou a tragédia no caminho até o polo sul... (veja aqui)
                Tendo chegado ao meio do caminho chegar até 2392 se torna mais árduo. A perna final da expedição é mais complexa . Afinal Wasat é facilmente visível a olho nu mesmo em locais de forte poluição luminosa mas "O Esquimó é difícil de ser percebido com pequenas ampliações e mesmo com minha ocular  25 mm é difícil diferenciar a nebulosa de outras estrelas no campo. Localizar 2392 sem auxilio de go-to é um exercício de paciência . Não é difícil chegar até o campo que você busca . Porém identificar quem é quem pode ser um pouco mais complexo.



                Entre os caminhos já trilhados existem trilhas de diferentes dificuldades. Como já falei Ngc 2392 está em muitos guias observacionais. Localizei o a bela nebulosa planetária  no já citado "Cycles" , no "Deep Sky Copanions: The Caldwell objects" e no "Herschel´s 400 Observing Guide" ambos de O´Meara , no também já citado " Turn Left at Orion" e no "Skywatch" de Phil Harrigton.
                Embora não seja duríssimo chegar até nosso alvo os caminhos a partir de Wasat são variados. 
               O "Abismo O´Meara" é confuso é sua proposta parece contar com locais de céu bem escuros já que ele imagina que veremos  estrelas bem tênues a olho nú...
                     Já o "Planalto de Smyth" é bastante vago. O Esquimó esta a cerca de 2,5o de Wasat. É tudo que se sabe...
                 A "Trilha Harrigton" é uma boa opção e apesar de uma descrição menos didática é provavelmente o mesmo caminho  proposto em "Turn left...". Esta consiste em depois de você ter chegado até Wasat centralize esta na sua buscadora e procure um triangulo reto de estrelas de  6a magnitude cerca de meio campo a sudeste desta. Centralize na estrela mais ao norte do triangulo e com sua maior ocular escaneie a região. Ngc 2392 vai estar cerca de 0.5o a sudeste desta. Dentro do campo de minha 25 mm.  Preste atenção e vai perceber que a estrela não faz foco. Troque a ocular para conseguir mais ampliação e vai perceber a Nebulosa planetária. Sua forte cor a zulada vai recordar um disco planetário e explicar a razão porque tais estruturas são chamadas de nebulosas planetárias.
                Mas certamente o caminho mais fácil e bem descrito é  " The Consolmagno Road" apresentada no "Turn Left at Orion".   :  Com Wasat na buscadora perceba  um triangulo equilátero onde Wasat é a estrela mais brilhante. A Estrela a nordeste deste triangulo é 63 Geminorum . Ela vai possuir duas companheiras bem modestas porém visíveis na buscadora. Centralize na primeira delas e mova o telescópio o diâmetro de  cerca de uma lua cheia para sudeste. Chegou!!!  ( 63 Geminorum  é outra parada interessante no caminho de 2392. Uma dupla fácil e membro do catalogo Bedford  que acompanha o "Cycles of Celestial Objects" de Smyth).
                A Nebulosa do Esquimó merece seu nome e mesmo em pequenos telescópios é possível perceber sua estrela central como o rosto de nosso Inuit e as partes expelidas da "atmosfera" da estrela serão sua parka.
                Ngc 2392 e uma descoberta de William Herschel e sua descrição é bem fidedigna e justa: " ( Observada em 17 de janeiro 1787)  Uma estrela de 9a magnitude com uma nebulosidade leitosa bem brilhante em todo entorno.  Um fenômeno bem   notável. "
                Em seu "Caldwell Objects" O´Meara nos conta que o filho de Herschel , John, examinou a descoberta de seu pai com um refletor de 450 mm e concordou com este. Ele observou " uma estrela de 8a magnitude exatamente no centro de uma atmosfera exatamente circular". Ele segue nos dizendo que o termo atmosfera era apropriado para o seu tempo. Durante o séc. XIX , quando Herschel ( filho ) virava sua atenção para os céus, as ideias de Kant ( em 1755) de que o sol  e os  planetas nasceram de uma nuvem giratória de gás e poeira fazia sucesso ( com razão) . Esta era ( e ainda é ) a Hipótese nebular.   A visão de nebulosas planetárias parecia suportar a hipótese. Na verdade a hipótese de Kant demorou seculos para se confirmar e nebulosas planetárias nada tem a ver com isto. Mas eram outros tempos. E a visão destas pode dar asas a estas idéias de forma bastante justificável.
                Nebulosas Planetárias  são uma das mais fugazes etapas da evolução de estrelas como  o nosso sol.  Depois de passarem por sua fase de gigante vermelha tais estrelas expelem sua camadas mais exteriores ( " sua atmosfera") e esta vira este belo detalhe decorativo ao redor de uma anão branca que irá queimar por muito tempo ainda. A nebulosa em si dura alguns milênios. Um breve suspiro em escalas cósmicas.




                Ngc 2392 sera um esquimó por uns poucos milhares de anos. Acredita-se que ela já tenha 10.000 anos. Como está a 5000 anos de nós ela deve ser visivel desde a aurora da História.   Aproveite esta coincidência para visitar um dos  "Iglus mais  distantes do Universo" e aproveitar a deixa para ver uma anã branca. Geralmente não se percebe as anãs branca no centro de Nebulosas planetárias.  Este DSO resiste bem a grandes aumentos e utilize o máximo que o seeing permitir.
                Realizei algumas dezenas de exposições de 25 segundos  com o Newton ( um refletor de 150 mm f8) e utilizando uma Canon T3 com asa 1600 buscando revelar o máximo de detalhes . A montagem utilizada foi uma HEQ 5 pro de Skywatcher.  Variando as opções   de pós processamento no DSS , Photoshop e Fitswork cheguei  a resultados diferentes. As que mais gostei preservaram bem a cor azul que é o que mais chama a atenção junto a ocular. Com o uso de Drizzle consegui alguns detalhes mas as custas de perder aquela bela coloração turquesa.  Acredito que poderia ter conseguido melhores resultados utilizando uma barlow na captura.
             
          Pretendo retornar ao "Iglu mais longe do Universo". Nebulosas Planetárias são alguns do DSO`s mais fotogênicos que conheço.



segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

M 65 e M 66: Duas Galaxias, um Erro e o Cometa de 1773

              


                M65 e M66 são duas galaxias e um equivoco histórico reunidos no mesmo lugar.  Em um tempo que temos acesso a informação de forma quase instantânea é sempre importante lembrar que esta nem sempre é confiável. Em um mundo onde qualquer garoto com nível médio incompleto e querendo passar no ENEM pode se  intitular com divulgador científico e cientista  é importante checar suas fontes.
                Desta forma qual foi a minha surpresa quando localizei um equivoco que se perpetuou durante mais de um século e que tem em sua raiz um cientista e divulgador de um tempo que tais títulos eram para poucos e bons...
                Recentemente falei por aqui da grande carência de guias devotados a astronomia observacional na língua portuguesa e abaixo do Equador em geral.  Com muitas poucas exceções não ha uma literatura que apresente os céus e suas histórias de uma forma interessante e honesta  ao mesmo tempo.  A ciência se encastela em redutos acadêmicos e não  se populariza.  Quando o faz é geralmente  por flanelinhas de noticias cientificas sem compromisso ou embasamento ... Se a farinha é pouca meu pirão primeiro.
                Ainda no século XIX a astronomia já possuía autores devotados a divulgação desta ao publico leigo. Serviss com seu "Astronomy with an Opera Glass" foi uma espécie de Carl Sagan sendo um sucesso editorial.  O patrono destes autores é provavelmente o Admiral Smyth . Com seu "Cycles of Celestial Objects" ele "cria " o moderno manual do astrônomo amador moderno. Ele vai englobar  a história e evolução da ciência, o equipamento utilizado, as técnicas e os Objetos a serem observados.  Em seu "Cycles" ele apresenta o Bedford Catalog que será o campo de provas onde diversos futuros astrônomos irão se provar e conhecer os céus. A obra é até hoje uma referencia e suas descrições de DSO´s são verdadeiras obras de arte.  
                É no volume 2 ( que inclui o Catalogo Bedford) que nasce a confusão sobre a  autoria da descoberta de M65  e M66.
                Recentemente fotografei a dupla de galaxias que juntamente com Ngc 3628 formam o Tripleto de Leão. 
                Como geralmente faço depois de observar gosto de partir em busca de mais dados sobre as vitimas da noite. Quando estas se tratam de DSO´s do aglomerado Messier  eu possuo dois livros que são sempre os primeiros a serem visitados . Assim escapo da "exagerada" e nem sempre confiável pesquisa do Google.  São eles o " Deep Sky Companions: The Messier Objects" do O´Meara e o " Skywatch" do Phil Harrington. Outro que gosto muito é o ""Burnham´s Celestial Handbook". Todos eles habitam minha estante e não o HD... 

                O Harrington me diz que para localizar M 66 e M65  devo localizar o triangulo que marca os quartos traseiros da fera. Imagine uma linha ligando Zosma a Chertan e  continue rumo sul em busca de uma linha com três estrelas.Todas elas estarão acima de 7a magnitude e serão percebidas com qualquer buscadora óptica .Dai utilize a sua maior ocular  e dando "um passo" rumo ao leste você chegara ao seu destino.  
                Como Newton ( um Refletor de 150 mm f8) eu primeiramente percebi os núcleos das duas galaxias de uma forma estelar. Com visão periférica percebo uma tênue nebulosidade ao redor de ambas. Apesar de M 66 ser considerada "mais fácil" de ser percebida eu percebi primeiro alguma estrutura em M65.  M66 se apresente de "cara" para nós. Já M 65 mais de perfil... 

2X Drizzle 

                Depois disto vou consultar o O´Meara  e este me "garante " que ambas as galaxias foram registradas primeiramente por Méchain.  Que as teria indicado para Messier em 1780.
                É aí que a história começa  a ficar nebulosa ( eu sei que o trocadilho é de doer...) .
                 O Tripleto é conhecido também como o Grupo de M 66  e em ambas apresentações no Deep Sky Companion a descoberta tanto de M66 como de M65 é atribuída a Méchain em 1780. Estranhamente ,em um primeiro momento, nem dia nem mês são apresentados.
                Para complicar mais ainda na apresentação feita por Messier de M 65  no Coinossance diz simplesmente : " (Observada em 1 de Março de 1780)  Nebulosa descoberta em Leo. É bem tênue e não contém estrelas."

M 65

                Para tornar as coisas ainda mais confusas a apresentação (descrita no Deep Sky Companion  teoricamente como uma transcrição da  feita pelo próprio Messier) de M 66 nos diz o seguinte: " (observada em 1 de Março de 1780) Nebulosa descoberta em Leo; bem tênue bem próxima da anterior ( M 65) . Ambas aparecem n mesmo campo telescópico. O cometa observado 1773 e 1774 passou entre estas duas nebulosas nos dias 1 e 2 de novembro de 1773. Messier, sem nenhuma duvida, não as viu devido a luz do cometa."
                A frase final da apresentação deixou uma duvida no ar. Sofreria Messier da Síndrome de César ( Júlio César tinha o habito de falar de si mesmo na terceira pessoa) ou seria o verbete obra de Mechain? Ou ainda um adendo do próprio O´Meara?
                A fim de aprofundar as investigações resolvo partir para fontes na web. É importante lembrar que apesar do mar de desinformação que existe  na internet existem trabalhos sérios .  O site da SEDS ( leia-se Hartmut Frommert) é um belíssimo exemplo. especialmente quando se fala em Messier
                Frommert nos explica que M65 e 66  são uma descoberta original de Messier e que o erro  se dá na obra magna do Admiral Smyth , o "Cycles of Celestial Objects", quando ele provavelmente devido a uma confusão devido a "Síndrome de César " de Messier atribui a descoberta da dupla a  Mechain. O erro encontrou eco no trabalho de  Kenneth Glyn Jones em algum momento nos anos 60 e com isto se perpetuou em outros guias mais modernos.  Smyth  fala categoricamente em seu texto que elas foram apontadas por Mechain a Messier em 1780 e pareceram tênues e enevoadas para ele ( pagina 249 do Cycles...) .

M 66

                Frommert nos explica que Messier jamais disse que estas lhe foram indicadas por Mechain e que ele sempre deu créditos a seus colaboradores. O M do catalogo Messier é bem honesto com Mechain ( que realmente descobriu diversas das entradas no catalogo e levou crédito por isto).
                Solucionado o mistério a história seguiu seu rumo e ambas as nebulosas são descritas e observadas por William Herschel e posteriormente por seu filho que deixam belas descrições destas. Existe uma carta entre Herschel filho e Herschel pai apresentada no "Cycles" que demonstra claramente como ainda eram desconhecidas a estrutura e  a natureza das galaxias nestes tempos.   As observações históricas de M 65 e M 66 podem ser encontradas em :
                A distancia da dupla é também controversa . Varia entre 21 e 35 milhões de anos luz.  as mais recentes medições  se inclinam mais para os valores superiores... O tripleto de Leo forma um grupo maior junto com o grupo de M 96 também em Leo.

                   Arp inclui o grupo em seu "Atlas de Galaxias Peculiares" . A Interação gravitacional no grupo é claramente percebida no " esquadro" de M 66 e ficou bem evidente nas imagens obtidas

                As imagens feitas aqui são resultado de uma exposição somada de 34 minutos . São 68 exposições de 30 segundos   ASA 3200 realizadas com um refletor de 150 mm f8 montado sobre uma cabeça equatorial HEQ 5 pro.  A câmera utiliza é uma Canon T3 sem modificação alguma.
                As imagens foram "empilhadas" no Deep Sky Stacker e foi utilizado o Método HDR para os light frames. Foram utilizados apenas 16 dark frmes . Nem flat nem bias frames foram realizados.   Utilizei o drizzle em algumas das imagens. 



                M 66 e M 65  são belos alvos galácticos para a temporada de outono que se aproxima. Infelizmente não consegui enquadrar  Ngc 3628 que reside um pouco mais ao norte.  Algumas das galaxias do  Index catalog ( IC) chegam a se apresentar como fontes estelares ( seus núcleos) . Mas não fazem parte do grupo e são bem mais distantes e de magnitude inferior a 12...

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Fotografando a Cabeça do Cavalo

              


            Ritos de passagem são celebrações  que marcam a mudança de status  de um individuo perante sua comunidade e /ou ele mesmo . São eles que marcam momentos significativamente importantes na vida de uma pessoa.  
                Geralmente são associados a praticas religiosa e/ou culturais. Entre alguns povos os jovens , ao atingirem a puberdade, devem inserir sua mão em uma luva feita de palha e recheada de formigas de fogo.
                São ritos de passagem  comuns para um carioca nascido no  seculo XX:
Ø  A primeira comunhão
Ø  A primeira cerveja
Ø  A Primeira transa.

                Depois disto vem mais mais cerveja , mais sexo e finalmente o casamento  e os filhos. O casamento e os filhos são ritos de passagem que só terminam com o passamento do cidadão.
                Assim como nas ditas culturas "mais primitivas" a astronomia também tem seus ritos de passagem . Quem já viu um astrônomo de joelhos tentando chegar até a ocular para observar uma obscura galaxia próxima ao zênite vai entender  bem que a religião e a ciência podem ter um parentesco remoto  evidente.
                Alguns ritos de passagem para o Astrônomo Amador :
Ø  Identificar o Cruzeiro do Sul ( astrônomos abaixo do equador...)
Ø  Observar a Lua com Telescópio.
Ø  Observar Júpiter , Saturno e os planetas em geral...
Ø  Observar a Grande Mancha em Júpiter
Ø  Observar a Caixinha de Joias
Ø  Observar Omega Centauro
Ø  Observar a galaxia de Andrômeda
Ø  Aprender a realizar o alinhamento polar de uma cabeça equatorial

             O alinhamento polar é algo como meter a mão na luva cheia de formigas. Você já esta  autorizado a pensar em astrofotografia. Assim como a astronomia a astrofotografia é como um teatro da vida.  E assim têm seus próprios ritos de passagem.
             Na astrofotografia existe   um importante rito de passagem: a compra do equipamento. Sem este não tem  brincadeira .  Hoje em dia com um investimento modesto você vai conseguir fazer fotos da Lua. Um pouco mais dos planetas. Mais ainda vai poder fazer da Lua , dos planetas e de DSos mais brilhantes. Mais grana  vai conseguir fotografar quase qualquer coisa.

             Com o dolar a R$ 4,00  um pacote completo para astrofotografia vai estar saindo por algo em torno de R$ 10.000,00. Talvez você consiga gastar um pouco menos . Comprando tudo separadamente e declinando de um sistema de acompanhamento... De uma olhada neste pacote oferecido por uma tradicional loja brasileira. http://www.armazemdotelescopio.com.br/loja/index.php/telescopios/ed80azeq5asi120mc-detail   .  É sempre bom lembrar que uma boa montagem é sempre uma boa montagem...
             Acrescente aí o preço de uma câmera DSLR low end e você estará apto a fotografar todos os ritos de passagem acima citados ( O Cruzeiro do Sul , a Lua ( com detalhes...) Os planetas, a Caixinha de Joias ( Ngc 4755)  Omega Centauro , A Galaxia de Andrômeda , todo o catalogo Messier e muito mais...) .
             Depois disto você pode novamente tentar meter a mão na luva de formigas .
             Você vai querer  fotografar a Nebulosa cabeça de Cavalo em Órion.  O São Jorge extra-lunar . B33 e/ou IC 434.
             Este foi um rito que durou anos para mim. Uma espécie de vestibular onde levei pau diversas vezes.
             Sendo uma foto que você vê em diversas revistas , fóruns e paginas da web é possível que você acredite ser uma tarefa simples.  Mas conseguir fazer esta foto é a culminância de uma longa curva de aprendizado.  Um rito de passagem.
            
              A tal curva de aprendizado a que me referi acima se inicia no momento em que você começa ao observar frequentemente os céus utilizando algum tipo de equipamento óptico. Ao longo desta curva você vai passar por dois momentos muito importantes. Um é entender como funciona uma cabeça equatorial e como funcionam os céus. Depois disto você vai sintetizar isto em um rito de passagem chamado de alinhamento polar. Neste momento sua cabeça equatorial , seja ela qual for , será capaz de acompanhar ( em tese) o movimento dos astros sendo corrigida apenas em um eixo. Acho importante lembrar que quanto melhor for sua cabeça equatorial mais fácil será realizar o alinhamento polar e melhor será o acompanhamento das estrelas pela cabeça.  Sei que é possível conseguir resultados muito bons mesmo com uma cabeça equatorial Eq1. Especialmente em fotos com grandes campos e utilizando-se lentes e/ou telescópios de pequena distância focal. No meu caminho eu só comecei a obter resultados com um minimo de dignidade utilizando uma Eq 3-2. A exceção são fotos da lua. estas podem ser realizadas mesmo com tripés fotográficos utilizando-se até  telescópios de grande distancia focal com barlows ( Uma lente que "dobra" a distancia focal destes) .
             Na minha batalha para fotografar a Nebulosa Cabeça de Cavalo eu descobri que objetos tênues e de caráter mais fotográfico que observacional implicam em tempos de captura muito maiores do que utilizamos em DSO´s brilhantes e facilmente visíveis de forma visual. Desta forma aprendi que uma cabeça com Go-to realmente ajuda muito a realização de tais projetos. Importante dizer que o iniciante deve evitar iniciar seu caminho utilizando-se de tal recurso. Ele deve aprender a navegar entre as estrelas ( o prazer da caça..) antes de utilizar a tecnologia para fazer o trabalho por ele.
             Sempre que imagino a foto da cabeça de cavalo me vem a mente uma imagem muito maior . Imagino sempre um quadro que engloba a banda sul da constelação de Órion. Nesta foto se apresentam diversos DSO´s. M 42, Running Man nebula, A nebulosa da chama e diversos abertos compõem a cena.  Destas a mais difícil de "imprimir" é a Cabeça de Cavalo. também conhecida por B 33. O primeiro a perceber esta nebulosa escura foi E. Barnard.
             É atrás desta foto que vou desde o começo.
             Desta forma determino a escolha do equipamento. Minha Cabeça de cavalo será fotografada utilizando minha zoom 70-300 mm. Assim poderei ter um caampo bem maior que com meus telescópios e uma razão focal mais veloz.
             Minha primeira tentativa foi ha alguns anos atrás e o resultado abaixo demonstra claramente que falhei. Compareceram diversos dos DSO´s citados mas nada da cabeça. Na verdade apenas M42 ( e 43) e os abertos da região se apresentaram de fato. Posso suspeitar a presença da Nebulosa da Chama.  A foto foi feita com minha Eq 3-2 com motorização em ambos os eixos.  Algumas dezenas de fotos com 30 segundos de exposição em 1600 ASA.


             Depois deste fracasso minha Cabeça de Cavalo foi para pasta de projetos futuros por um bom tempo.
             Com a chegada de Mme. herschel e com uma fatura de mais de R$ 3000,00 a ser paga achei que era hora de justificar o investimento. Era hora de começar a fotografar as coisas que nunca tinha fotografado.
             Quando iniciei na astrofotografia tinha estabelecido uma meta. Fotografar todo o Catalogo Lacaille.  Com este "na lata" ( na verdade falta M 83...) . Era a hora de partir para outro projeto. Desarquivei a Cabeça de Cavalo.
             No fim do ano de 2015 parti para Búzios com tudo que precisava para tal projeto. Inclusive uma lua nova no céu.
             Na noite da primeira tentativa eu, ingenuamente, acreditei que a nova cabeça e sua maior capacidade de acompanhamento fariam o truque quase sozinhas . Para garantir  eu realizei 90 fotos com trinta segundos de exposição. ASA 1600. 45 minutos de exposição total. Metade de um jogo de futebol.   Foi pouco!!   Muito para o que sempre faço!!! 
              A preguiça é um pecado capital na astronomia  também...
             A noite não estava com uma boa transparência e o tempo total de exposição não foi sequer próximo do que eu necessitava. Mesmo a Nebulosa da Chama compareceu timidamente.

             Na verdade capturar a Nebulosa da Cabeça de Cavalo é capturar IC 434. Esta é a Nebulosa de Emissão contra a qual B33 aparece estampada. Na Verdade a Cabeça de Cavalo é uma nebulosa escura que "apaga" IC 434 mais ao fundo. O nome é claro:  Nebulosa escura. IC 434 é bastante tênue e com uma grande área apresenta um brilho de superfície bem baixo...  
             Dois dias depois eu achei que a condição  de transparência havia melhorado. Para garantir o sucesso achei melhor realizar 200 exposições de 30 segundos . 

            Fiz 217 exposições de 30 segundos com ASA 3200.  Me ocorreu processar a Cânon caso não arrumasse nada desta vez. Afinal a tal da eficiência quântica de meu sensor deveria registrar até mesmo assombração desta forma.  
             Realizar centenas de exposições de um mesmo objeto com uma cabeça equatorial implica em um outro problema logístico e geografico.  Ou todas elas acontecem antes do objeto realizar seu trânsito naquela noite ou depois. Isto significa que ou todas as fotos acontecem antes ou depois do objeto cruzar o Meridiano. Ou ele esta "Nascendo" ou " se pondo".  Claro que você pode realizar a operação em dois ou mais dias. Não gosto da ideia...
             Ao se observar uma única exposição pode parecer que deu errado. Ou você fez exposições enormes que implicam em um alinhamento polar perfeito , uma montagem sem erro periódico e mesmo assim um sistema de acompanhamento que não possuo.

             Como trabalhava com uma lente de 70 mm o erro periódico passava disfarçado . Mas o alinhamento polar teria que ser digno. Ele foi! Não fui obrigado a corrigir o quadro  nenhum momento , as estrelas estão redondas e o DSS aceitou todos os frames.  
             O Plano foi começar cedo a fim de ter o máximo de tempo antes de B33 cruzar o meridiano. Começando assim que o céu se tornou escuro o suficiente para saber para onde olhava consegui ir de 20:50 até as 23:15. Entre capturas , intervalos e etc... foi possível realizar uma exposição total de 108 minutos e 30 segundos. Uma hora,  quarenta e oito minutos e trinta segundos.
             Aí vem a outra parte da astrofotografia e outros ritos de passagem... O pós processamento.
             Sempre achei que você deveria pegar leve no pós processamento  para evitar que sua foto virasse pintura. E como sempre registrei objetos bem claros isto me parecia uma verdade. Não é.
             Depois de realizar o processo de "stacking" ( empilhamento) das 217 fotos no Deep Sky Stacker ( DSS) percebi que havia capturado a Cabeça do Cavalo.  Mas estava assim . Não era exatamente uma brastemp.
             E assim fui me dignar a brincar de pós processamento com alguma seriedade.

             Começando com a resultado que obtive parti no DSS levei minha foto para o Photoshop onde um ajuste de Niveis melhorou um pouco as coisas . Mas ela continuava discreta. O cavalo estava mais para potro...  Então uma visita ao fitswork melhorou ainda mais o processo . Existe em um dos menus deste uma opçao chamada "Normalizar Nbulosas". Ajuda muito. 
             Mas ainda queria mais. Fui forçado a admitir que o pós processamento é importante e um mandamento:
                   "Só através deste conseguirei extrair detalhes de outra forma impossíveis."

             Um outro rito de passagem moderno é a especialização.  Acho importante lembrar que a astrofotografia é um ramo da astronomia. Eu sempre acreditei em um olhar amplo sobre as coisas . Holístico.  E assim preciso me lembrar sempre que dento de "minha" astronomia a fotografia não pode ser um fim.
             Mas me vejo obrigado a sempre lembrar de utilizar diversas oculares  e "ver" o que pretendo a observar.
             A Cabeça de Cavalo é algo que nunca observei. Mas ficará no HD o projetoi de vê-la visualmente.    A final a fotografia  um exercício fundamentalmente do  sentido da visão. Um sentimento.  Do verbo sentir.
             Para encerrar gostaria de dizer que depois de um rito de passagem sempre tem outro rito de passagem.  O ultimo é a morte.
             Então posso incluir mais dois mandamentos na astrofotografia:
Ø  Muito tempo de exposição . Não seja preguiçoso na captura.
Ø  Capturar bons frames subexpostos
Ø  Aprender a usar os softwres de pós proceessamento

                Realizar centenas de exposições sera o caminho. Depois garantir que estas foram realizadas com acompanhamento , no minimo , bom. Estudar e testar seu softwares .
                Quanto ao  ultimo rito eu ainda estou em observação., mas já aprendi algumas coisa que podem ser uteis :

Ø  Ao realizar o Stacking com  o DSS utilize  o metodo HDR. Especialmente se você possuir muitos frames.
Ø  Não são necessário milhares de dark frames. Bias e flats idem. ( Destes não fiz nenhum. - Já falei que a preguiça é um pecado?) 
Ø  Usar o Drizzle é importante. Ajuda muito com relação a problemas de acompanhamento e permite você obter resolução  utilizando distancias focais menores. 
Ø  Testar todas as possibilidades de pós processamento e procurar novas soluções. Conheça os softwares. E venho vivendo de uma dieta de DSS+ Fitswork ( outro Freeware)+ Photoshop CS 5  e  Noiseware.
               
                               
                E como não poderia deixar de ser:
                               -Fotografei a Horsehead.  Olalao oila!  Hoje é dia de festa!!  Dos tequilas, por favor.!!!
               
                               O penultimo rito de passagem é :

Ø  Tequila





quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

M 104- Uma Fotografia do Sombreiro

                  

                       M 104  pode ser chamada de a "primeira entrada da póstuma" do Catalogo Messier. O original , publicado no Conossaince dus Temps, termina em M 103. Sua entrada "oficial" só ocorreu em 1821 quando Flammarion , de posse da cópia pessoal de Messier, encontrou uma nota  escrita a mão.  A descoberta se deve a Mechain e foi feita em 11 de  maio de 1781. É a única entrada além de M 103 aceita por Burnham em seu " Celestiall Handbook" e a anotação de Messier na sua cópia pessoal justifica sua presença no catalogo acima de qualquer questão ética. Não ha duvida de que ele observou o objeto. Nesta anotação ele descreve a galaxia como " Uma nebulosa bem tênue." Herschel a descobriu de forma independente  em 9 de Maio de 1784. É possivelmente o primeiro a perceber a grande faixa de poeira que torna M 104 tão característica.

33 frames empilhados pelo método HDR no DSS 2X Drizzle + PS CS apenas para converter em Jpeg. Noiseware para melhorar o ruido. 

                Com um bojo central muito preponderante ela é um objeto de caráter quimérico na classificação Hubble de Galaxias já que o bojo dominante indica uma coisa mas a presença de poeira demonstra um grau mais evoluído no ramo das galaxias espirais.
                Foi ainda uma das primeiras galaxias a ter um grande  desvio para o vermelho medido e afastando-se de nós a 1120 km/s foi um dos pregos no caixão da tese  de que as nebulosas espirais fariam parte de nossa galaxia. Durante o seculo XIX sua aparência levou muitos astrônomos a acharem que tratava-se de uma grande estrela "arrodeada" de um disco proto-planetário. Foi ainda a primeira galaxia , alem da nossa, onde foi confirmado movimento de rotação. Vesto Slipher ao estudar seu espectro registrou que um lado dela se afastava de nós enquanto o outro se aproximava...
Esta ainda seguiu ao Fitswork onde foi reduzido o gradiente de fundo e teve o ruido mais tratado...

                Parecendo ser afeita a confusões sua distância já foi alvo de controvérsias. Enquanto encontrei tanto no "Messier Objects " do O´Meara quanto na pagina da SEDS distancias entre 50 e 70 milhões de anos luz fontes mais recentes ( Hubblesite. org e Wiki...) falam em algo ao redor de 30 milhões de anos luz. De qualquer forma é uma habitante das margens do Grande Aglomerado de Virgem.  Imagens do Hubble registraram um enorme sistema de Globulares . Cerca de dois mil . Dez vezes mais que em nossa galaxia. Possui seu próprio grupo e algumas pequenas galaxias a acompanham por aí .


Esta é igual a que abre o post mas ainda mais simples ; Não visitou sequer o Noiseware.Foi utilizado o DSS no método de proporção  e 3X Drizzle. Depois o nivel foi ajustado no PS CS5  e o arquivo convertido para Jpeg. 

                M 104 é uma das mais interessantes galaxias para possuidores de pequenos telescópios. Apesar da Wiki  nos dizer que  é necessário, no minimo, um telescópio de 250 mm para se perceber o disco de poeira da galaxia eu posso garantir que ele é visível com um modesto refrator de 70 mm f 10 com 90X de aumento. Eu vi e tenho outras testemunhas que viram também. Garanto mais testemunhos que nos casos do ET de Varginha e de Roswel somados... 
                Sendo tão brilhante e cheia de detalhes M 104 foi um alvo obvio para eu tentar realizar minha primeira foto de uma outra galaxia ( Andrômeda não conta...) .
                Fotografar outras galaxias ( e nebulosas mais discretas...)  exige um exercício de captura  um pouco mais refinado que os meus já conhecidos aglomerados . Abertos ou Globulares. Para se obter algum tipo de detalhe  descobri que é necessário um tempo bem maior de captura , condições atmosféricas no minimo aceitáveis e se possível pouca poluição luminosa...
                Na madrugada do dia 8 de janeiro de 2016 a maior partes destes pressupostos pareciam ter se reunido sobre a Armação dos Búzios.
                O equipamento utilizado foi uma câmera Canon 3T não modificada regulada para 3200 ASA, um telescópio Newtoniano de 150 mm f8 (conhecido como Newton) e uma montagem equatorial HEQ 5Pro da Skywatcher. Todo este equipamento pode ser considerado bastante modesto para  missão. Já fotografei muito com uma Montagem 3-2 com motor drive em ambos o eixos. A minha vida se tornou bem mais simples e as fotos melhores com a aquisição da nova cabeça ( batizada Mme. Herschel).
                M 104 é um bom alvo para se iniciar na astrofotografia de galaxias por um motivo bem simples . Ela é um bom alvo para você se iniciar na observação de galaxias. Com um brilho de superfície alto ela é facilmente percebida na ocular ( no caso uma plossl 17 mm) mesmo com visão direta. Com olhos treinados e com pouca luz você vai notar ela mesmo em sua buscadora.
               
                Depois de enquadra la e de refinar a máximo o foco eu começo a captura. Alguns truques podem ajudar nesta hora.
                O foco no Newton é bem difícil . Primeiro utilizo uma estrela bem brilhante e que eu consiga perceber no live view da câmera. Depois de fazer o foco por esta estrela ( neste dia foi Aldebarã) eu marco o tubo do focalizador com uma fita branca. Depois de localizar a galaxia com o uso do go-to de Mme. Herschel eu substituo a ocular pela câmera e movo o focalizador para a posição marcada. O focalizador do Newton é de cremalheira e bem tosco. O foco é difícil e de precisão bem aquém do que eu gostaria. Assim que tiver algum dinheiro sobrando ( se tiver...) comprarei um focalizador melhor.  Depois faço uma primeira foto e ajusto a diferença o melhor possível.
                Como não possuo um sistema de acompanhamento utilizo uma técnica simples mas eficiente para que se a precisão do acompanhamento não chegar na casa dos pixeis pelo menos sobreviva na região dos milímetros... Como vai-se capturar varias dezenas de frames não realizar nenhum sistema de correção levará a desastres como da foto abaixo.  

                   Então marco o núcleo da galaxia no LCD da câmera com auxilio de uma seta de papel ou fita e corrijo o desvio causado pelo erro periódico e/ou um alinhamento polar menos que perfeito a cada poucas exposições. Neste caso de 25 segundos cada uma.
Sistema de "acompanhamento" tabajara...
                Depois de tudo isto começa a função do pós processamento. Este é bem maior e mais delicado quando tratam-se de tênues galaxias ou nebulosas.
O Famoso "over processing". Visitou todos os programas e não sei bem ao certo o que foi feito em cada um deles. Depois sofreu um crop no PS... 

                Geralmente o processo começa no Deep Sky Stacker ( a menos em capturas bem descompromissadas que podem começar e terminar no Rot n Stack...).
                Foram feitas 48 imagens de M 104 ( Light Frames daqui para frente) . Depois capturei mais 8 Dark frames ( são fotos feitas com  telescópio fechado e com o meso tempo e ASA da captura utilizada nos light frames). Estes servem para calibrar a exposição e a eescala e cinza da foto final. Não utilizei nem Flats nem Bias. Estes também servem para calibrar a foto final...
                No DSS existem vários set ups possíveis. Utilizei tanto o método de Proporção como o HDR.  Com alguns set ups foram aceitas todas a fotos capturadas. Mas com um threshold um pouco mais alto foram aproveitadas apenas as 33 melhores. Com isto as exposições finais ficam em 12 minutos.
                Geralmente faço um pequeno ajuste nas saídas RGB ainda no DSS. Dai salvo um arquivo TIFF  16 bits .
                As fotos  seguiram  para o Photoshop CS 5 onde fiz um pequeno ajuste de níveis e curvas .
                Depois uma visita a o  Fitswork onde foram utilizadas diversos recursos. Algumas delas ainda visitaram em algum momento do processo o Noiseware.  
                     Utilizar ASA 3200 é uma faca de dois gumes . Diminuo o tempo de captura necessária e assim posso conviver com um tempo de captura mais modesto . Mas o ruído..,É muito ruído.
                     Os resultados são visíveis ao longo deste post. Embaixo de cada uma das fotos esta a legenda descrevendo os programas e técnicas que utilizei. Nunca sei ao certo qual é o melhor resultado final com certeza. Nem mesmo o   "menos ruim".