domingo, 7 de setembro de 2014

Brincando no Deep Sky Stacker



O Deep Sky Stacker é um software gratuito capaz de empilhar e alinhar fotografias astronômicas. Em ultima instancia ele oferece ferramentas capazes de melhorar a razão sinal ruido de suas fotos. Sua utilização não é complexa mas este oferece muitas possibilidades e me recordo das surras que levei dele aé conseguir obter resultados ao menos decentes.
                O Deep Sky Stacker ( DSS) é mais exigente que outros programas que realizam "stacking" ( empilhar e alinhar...) gratuitos . Me refiro especialmente ao Rot and Stack. Suas fotos ( Light Frames) devem ter um minimo de qualidade e um alinhamento polar ao menos digno . Caso contrario você deverá trabalhar com um limite ( threshold) muito baixo e sua fotos podem se transfirmar em rabiscos superespostos sem nenhum valor.. Ou ele tembém pode lhe mandar uma mensagem avisando que só um frame foi aceito e que não será realizado nenhum stacking...
                Como o ócio pode ser um momento adequado para se produzir algo achei que depois de 1 mes sem trabalho era chegada a hora de fazer uma apresentação decente do DSS e de minha experiencia com este. Como já contei por aqui parece que Moira e Mania são primas irmãs e dependendo da fonte a mesma pessoas. E assim ambas madrinhas do Nuncius Australis.e posse destas e com muito tempo sobrando testei diversas da possibilidades do DSS.
                Para tal capturei diversas fotos que servirão de "grupo de controle" paa nossas experiências
                Foram capturadas 11 fotos com 10 segundos de exposição em ASA 6400. E 3 dark frames para este set up.

                Depois fiz mais 11 fotos com 20 segundos de exposição em ASA 3200. E 3 Dark frames para estas. É importante frisar que existe uma lenda que o numero de darks deve ser igual ao de lights. Mas para este teste isto não se faz necessário. 
10seg 6400 asa                                                 20 seg 32200


                     Não capturei nem flat e nem bias frames.
                 Eu preferi as fotos realizadas com 3200 ASA . Apesar da exposição mais longa eu percebo menos ruido que com 6400 asa. Quanto as estrelas elas não chegam a ser pontuais em nenhum dos casos. Atribuo o fato a um alinhamento apenas razoável . Mas também percebo que preciso melhorar a colimação
                E comeste material parti para o DSS.
                ...
                1) Em primeiro lugar você deve importar as fotos para o DSS (Abrir suas fotos no canto superior esquerdo. )

      

              2) Depois carregue os Dark frames. Estes são fotos feitas com o telescópio fechado e servem para que o DSS calibre suas fotos e também são utilizados para definir o que é sinal e o que é ruido em suas fotos. E assim melhorar a relação sinal ruido destas. 

               3 ) Uma vez com suas fotos carregadas você vai clicar em "verificar tudo" e em  depois em" registrar fotos que foram verificadas" e se abrirá o menu principal.


                    4) Clique na aba Avançado e acesse o controlo de limite do DSS ( Threshold) . Se você o colocar no minimo ele vai "empilhar qualquer coisa . Mas é provável que o resultado seja desprezível. Já se apostar em um valor muito alto é provavel que ele recuse a maioria de suas fotos. Eu geralmente atribuo entre 5 e 10%. Dependendo da qualidade das fotos que tenha capturado. 



             5)De volta ao menu principal clique em parâmetros de integração . Na aba Resultados serão apresentados as possibilidades de alinhamento . São estes Standart , Mosaico e Intersecção. 



                Abaixo eu apresento fotos comparando o resultado obtido com cada um dos métodos em ambos os grupos de controle.
standart


Mosaico


Intersecção



                Eu costumo achar o resultado do modo Intersecção geralmente melhor...

                Agora que já apresentamos os resultados gerais e as formas de empilhar vou apresentar  a aba light. Ela vai determinar como o DSS vai realizar a integração de seus light frames  na luta para melhorar a razão sinal ruido...
                Como eu , de forma arbitraria, achei os resultados obtidos com as fotos de 20 seg e 3200 asa estes stackings serão apresentados como exemplo.

                6) Com a Aba Light aberta surgirão diversos modos de integração : Proporção, Media, Mediana Kappa- Sigma Aparando , Auto Avaliação de Proporções Adaptadas, Proporções Avaliadas de Entropia ( HDR)  e Maximo


      7) Modo de Integraçao Proporção- Este e um metodo simples. A media de todos os pixels e por cada pixel.




       8) Média-Este e o método usual quando se utilizam os masters dark criados, flat e offset/bias. O valor mediano de cada pixel integrado e calculado por cada pixel.


     9)Kappa Sigma Aparando- Este e o método usado para eliminar literalmente o desvio dos pixels. Dois parâmetros são usados: numeros de interacções e o uso do desvio stand-normal que e multi plicativo (Kappa).


   10)Mediana Kappa Sigma Aparando- Este método e parecido ao Kappa-Sigma Limado, mas em vez de rejeitar os valores dos pixels, substituo-os por uma media de valores.



   
         11)Auto avaliação de proporções adaptativas - Esta avaliacão da proporção e adaptada do trabalho de Stetson.
Este método calcula a consistente proporcao obtida por interatividade analisada de cada pixel desde o desvio  padrão comparativamente ao desvio standart criado.




         12) Proporções avaliadas Entropia (HDR)- Todas as descrições 

com relação aos métodos de integração aqui descritos são extraídas do manual Do Deep Sky Stacker. Na descrição dos parâmetros utilizados para oStacking no modo HDR ele diz o seguinte: Este método e baseado no trabalho de German, Jenkin e Lesperance (veja Entropy-Based image merging - 2005) usado para integrar as fotografias harmonizando-as mantendo em cada pixel a melhor dinâmica.

É particularmente importante quando se integram fotografias com diferentes tempos de exposição e diferentes Velocidades e Sensibilidades ISO, numa enorme riqueza de informacão logarítmica. Usando este conhecimento, evita-se queimar o centro das nebulosas e galaxias.
Nota: este método exige uma intensa aplicação da memoria e do processador do CPU.

         Devido a explicação do manual  achei uma boa idéia fazer um teste. Empilhei o conjunto total dos grupos de controles. Assim a foto abaixo é fruto do stacking de 11 fotos de 10 seg. e 6400 asa + 11 fotos de 20 seg. e 3200 asa+ 3 Darks de 20 seg. 3200 asa+ 3 darks 10 seg.6400 asa.  HDR parece funcionar embora o resultado seja "diferente"... 




              14)Diversas outra abas existem . Na aba dark você vai determinar o modo de integração para gerar seu dark frame que será subtraído de seus light frame s e assim melhorar a razão sinal ruido. 



                15) As outra abas são mais burocráticas e eu não pretendo me estender o assunto.
                16) A 1a foto gerada pelo procedimento de stacking será um tif de 32 Bits. Ela vai lhe parecer muito exposta. Não se preocupe. você vai gerar um outro arquivo TIF de 16 bits onde através de ferramentas do próprio DSS você ajusta a foto. 
     
            17) Olhe o Historiograma e usando os controles deslizantes a esquerda "desça " os registros RGB na curva.  E perceba que as coisa melhoram bem....


        18) geralmente eu dou uma ajustada no contraste ainda no DSS. Entre 15 e 20% darão mais colorido as estrelas. As vezes pode gerar um desvio para o Magenta meio estranho..

      .O DSS é uma poderosa ferramenta e apresenta muitos recursos . Exprimentar não faz mal a ninguém. Espero ter apresentado alguns de seus recursos e manias. As fotos obtidas no DSS ainda podem percorrer um longo passeio no pós processamento. O Photo Shop é um parceiro característico.
                Eu tenho tentado utilizar o minimo de pós processamento e maquiagem nas minhas fotos. E assim tenho utilizado cada vez mais somente o DSS na produção das mesmas.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Ngc 6025 - Alinhamentos e Blue Stragglers

             
          Alinhamentos planetários são ocorrências relativamente comuns e não tem nada a ver com as tais leis fundamentais do universo . Mas já me acostumei a ter amigos e amigas levantando questões de cunho astrológico sempre que eles se anunciam. Faço ouvidos moucos e em geral gosto de dar uma olhada. O encontro seria a Lua , Marte e Saturno
             Desta forma acabo juntando todos os badulaques necessários para fazer algumas fotos. 
             E assim logo após perceber que Saturno já ia se esconder sai a caça de algo mais sério. Em pouco segundos estava com Ngc 6025 em quadro. Rapidamente fiz varias fotos. Algumas com 6400 asa e outras com 3200. Mas isto é papo para outro post. 





            

              Ngc 6025  é  um dos mais chamativos aglomerados abertos do céu austral. Ele é facilmente localizado em se prolongando uma linha imaginaria que liga Beta a Alpha Centauro e a Prolongando rumo a leste. Outra opção é localizar Beta Tiângulo Australis e ele se encontrará pouco mais de meio campo de buscadora (3o) norte- nordeste da mesma. Ele localiza-se na fronteira entre esta simpática e antiga constelação com Norma, a régua. A segunda uma das constelações criadas por Lacaille nos céus do Sul. Triangulo Australis é uma constelação facilmente visível e  Atria ( Alpha TriA ) é circumpolar no Rio de Janeiro. Mais ao sul toda a constelação nunca se esconde abaixo do horizonte...Seu desenho é  composto por  três estrelas de magnitude semelhante e facilmente percebidas a leste do Centauro.  
                     

                O grande aglomerado cobre uma área de mais de 15 ´ de diâmetro e é facilmente percebido como um esfuminho em qualquer buscadora.  Na minha 9x50 ele chega a revelar sua natureza e em muito se assemelha a descrição realizada pelo Abbe Lacaille em seu catalogo ( Três pequenas estrelas cercadas por nebulosidade). Ele realizou o registro em 5 de março de 1752. Dali um ano e três dias ele deixaria a Cidade do Cabo a bordo do  Le Prusieux  tendo realizado o maior levantamento dos céus austrais de seu tempo e para nunca mais voltar.
                Me recordo de perceber 6025 claramente como uma pequena bola de algodão a olho nu nos escuros céus das Anavilhanas. Sua estrela mais brilhante HD 143448 brilha com magnitude 7.1 e nunca a consegui perceber a olho nu. O´Meara propõe este desafio mas ele mesmo nunca conseguiu realizar o feito. A magnitude aparente do aglomerado é de 5.1 (Cartes du Ciel , Stellarium e diversos autores) .  O mesmo O´Meara sugere uma magnitude de 5.5 mas admite que ele passa bem baixo no horizonte do Hawaii. Eu acho o aglomerado bastante brilhante e concordo com 5a magnitude sem medo de ser feliz.
                Observado pelo Newton ( refletor de 150 mm) o aglomerado se resolve plenamente e não deixa duvidas sobre a ausência de nebulosidade. A imagem que vejo em muito lembra a descrição de Dunlop em seu catalogo realizado em Paramatta , Austrália em 1827 :
" Lacaille descreveu este como três pequenas estrelas em linha com Nébula. Nenhuma nebulosidade existe na região. Um grupo de cerca de vinte estrelas de magnitude variada, formando uma figura irregular com 5´ a 6´ ..." 
                Dunlop também o situa na Via Láctea e alega que esta seria a nebulosidade que se poderia perceber na região.  Nas fotos que fiz percebe-se claramente as estrelas de fundo e de frente contaminando o campo e podendo simular alguma nebulosidade.
                Ngc 6025 apresenta algumas particularidades que tem grande interesse cosmológico e astronômico.

                O aglomerado é relativamente bem estudado e ao longo das pesquisas a distancia pouco variou mas ele foi ""remoçando aos poucos . Em 1971 foi estimada uma distancia de 2.900 anos luz de nós e uma idade de 100.000.000 de anos ( Feinstein). Quatro anos depois ele se afastou um pouco e  foi parar a 3.000 anos luz e com apenas 90.000.000 de anos nas contas de Killambi. Grosso e Levato (2011) o mantem a praticamente a mesma distancia ( 3.100 anos luz ) e atribuem 84 milhões de anos ao mesmo.  Sem tomar partido e consultando diversas fontes eu diria que 2700 anos luz e 90.000.000 de anos são valores bastante razoáveis...
                                   

                Eu conto algo entre 27 e 34 membros  visíveis na ocular. E pelas fotos cheguei  próximo a 50 . Archinal nos dá 139 membros espalhados por 15´de diâmetro e isto representa 11 anos luz . Sua idade torna 6025 contemporâneo das Plêiades ( M45) em Touro.
                Mas é a estrela mais brilhante do aglomerado que o torna extremamente interessante. Ela é um excelente exemplo para um dos caminhos mais recentes na teoria de evolução estelar e é a estrela retardaria Azul ( Blue Straggler) mais fácil de se observar que eu conheço.  

        HD 143448 é classificada na seguinte classe espectral como  B1. 5 V.  Uma estrela variável e que também é chamada de MQ TrA.
                               
                                                                 HD 143448 é a estrela a esquerda mais brilhante.
                Estrelas retardarias azuis seguem um caminho diferente das outra no diagrama H-R . Elas se comportam como mais jovens do que deveriam ser. Se recusam a abandonar a sequência principal mesmo que outra estrelas de massa semelhantes a elas e que pertencem ao mesmo aglomerado ( e que assim deveriam ter a mesma idade)  já tenham cantado para subir e já se encaminhem para etapas posteriores nos caminhos mais comuns da evolução estelar.
                Existem algumas hipóteses porque elas se comportam assim e como elas , como alquimistas cósmicos, simulam um "Elixir da Eterna Juventude".

                A mais obvia é que elas teriam se formado depois das outra estrelas no aglomerado. Há poucas evidencias que sustentem isto e parece pouco provável que em milhares de aglomerados estudados o comportamento não pareça comum. Especialmente em aglomerados abertos as estrelas geralmente são da mesma geração... E elas são mais comuns em Aglomerados globulares.
                Outra possibilidade é que estas sejam estrelas de campo ou estrelas capturadas e não verdadeiros membros do aglomerado. HD 143448 é arqui inimiga desta hipótese e séria candidata a carrasca da idéia.  Outro fato que atrapalha esta possibilidade é que "blue stragglers" geralmente estão em áreas centrais dos aglomerados aos quais pertencem.
                A ideia mais aceita é que elas são fruto de dois processos distintos e que envolvem duas estrelas. Seriam elas causadas  por colisão entre duas estrelas . Ou por transferência de massa entre duas estrelas.
                As colisionais seriam formadas por estrelas binarias  em um processo de fusão. A fusão destas criaria uma estrela mais massiva e que se fosse  formada simultaneamente com as estrelas originais do aglomerado já deveriam ter evoluído para fora da sequência principal. Como retardarias azuis são mais comuns em nas áreas mais densas de aglomerados e especialmente junto aos núcleos de aglomerados globulares as coisas parecem se encaixar. como há mais estrelas e menos espaço as colisões são mais comuns. O calculo de colisões esperadas em globulares é consistente com o numero de "Blue Stragglers".
                As surgidas por transferência me lembram um pouco um processo comum em supernovas. Mas nem tudo é o que parece ser. Neste processo uma estrela mais massiva de um sistema binário evoluirá primeiro e conforme "incha" e "transbordando" sua massa acaba sendo rapidamente transferida para sua parceira menos massiva e assim se explicaria a presença de uma estrela mais massiva ainda na sequência principal. Há evidencias químicas na fotosfera de "blue stagglers" que corroboram com esta hipótese.
                Ngc 6025 é uma das mais belas jóias da coroa austral. E um excelente exemplo da categoria III do Catalogo Lacaile.

                E é ainda um curso relâmpago em evolução estelar. 

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Ngc 5316 contra a Supermoon.

           
                Ninguém em são consciência escolheria um dia de Supermoon para caçar DSO´s. Especialmente um que há anos vem sendo uma pedra em seu sapato.
                  Logico que eu não poderia perder esta oportunidade.
                Pensei logo em um título bacana. Ngc 5316 contra a Super Lua. Me recordou na hora aqueles filmes classe B do tipo Crocossauro versus Supershark. Coincidentemente iria passar na TV um clássico do gênero e que eu tinha me comprometido a ver.
                Cowboys e Aliens.
                Este um filme B mas com orçamento de filme A. Não faz um ano que trabalhei com o fotografo deste marco da cinematografia.  Seu nome é Matthew Libatique e carrega em seu currículo títulos mais nobres. Entre outros "Black Swan" e "Requiem para um Sonho".  Queria ver se ele tinha feito a vida de seu Gaffer Yankee tão dura quanto a minha. Creio o cara foi democrático. Ambos ralamos para c...
                Com meu roteiro traçado parti para o primeiro plano.
                Aqui em casa sempre se começa pelo alinhamento polar. Apesar de minhas suplicas o telescópio nunca fica parado onde deveria estar na Stonehenge dos Pobres... Como sempre não é possível realizar o drift com apenas uma janela de ceu. E assim utilizo novamente Atria (Alpha Tri Australis) para me iniciar na busca.
                Devo me contentar com um horário vespertino e aproveitar até as 21:00 horas para realizar minhas fotos. De preferência antes da cara metade chegar do trabalho e enquanto a minha filha faz seus deveres de casa. E claro que a tempo de ver o filme...

                Eu estava decidido a localizar Ngc 5316. Um pequeno aglomerado aberto bem próximo a Beta Centauro. Já tinha tentado isto diversas vezes . Sempre sem sucesso.
                Na verdade este pequeno aglomerado já foi causa de confusão entre a nobreza astronômica. Ele situa-se entre Beta Cen e Ngc 5281 ( O Aglomerado deCheshire). Eu mesmo já tentara descobri lo e acabei por encontrar seu colega. Em seu "Southern Gems" O´Meara conta da confusão entre este e 5316 propriamente dito.  5281 é uma descoberta de Lacaille. e pela sua descrição permiti-se a duvida de que um seja o outro ( confuso?). Mas com uma analise atenta e procurando-se por diversas fontes parece acima de qualquer duvida que o objeto que procuro esta noite é uma descoberta original de Dunlop. Trata-se da entrada de numero 238 de seu catalogo.
                E apesar da Supermoon e da forte poluição luminosa eu rapidamente localizei (novamente) 5281. É sempre assim. Ele é muito mais evidente que a vitima de hoje. creio que com as modestas lunetas de Lacaille ele nunca tenha posto a vista em 5316.  Trata-se de uma jóia das mais discretas da Coroa Austral. Mas muito delicada.
                Acha-lo foi uma tarefa ingrata e houve um momento que achei que a Supermoon venceria o duelo.
                Inicialmente tentei localiza lo "dançando"com o telescópio. É um método que muito utilizo mas de eficiência controversa. Simplesmente solto todas as travas do   telescópio , tanto de AR com de declividade,  o "abraço  e o "carrego pelo salão " enquanto namoro a buscadora. Em áreas interessantes ou em caso de alguma suspeita continua a dança utilizando a ocular de 26 mm. 
                Desta forma suspeitei ter me deparado com algo. Me parecia um campo estelar mas de qualquer forma achei que valeria o esforço e fiz algumas fotos. Serviria ao menos para eu localizar a região que eu me encontrava depois de tanto bailar. Fotos feitas e uma visita ao site da Astrometry vi que estava longe de onde deveria e que Ruprecht 17 seria a vitima a se procurar por ali. Baila-se eu mais um pouco teria achado o que eu não procurava.

Procurando... 10 X 25 seg+ 5 darks. DSS



                Como não restam muitos DSO´s fáceis para serem localizados da Janela da Stonehenge dos Pobres tenho feito deste sistema um habito. Primeiro busco pela região próxima a vitima. E com o auxilio do Astrometry e do Cartes du Ciel  eu faço uma localização inicial .. E deste ponto parto para o star Hoop. O Cartes du Ciel é muito mais eficiente para este processo que o Stellarium. Principalmente por identificar as estrelas utilizando o Catalogo HD. Assim como o Astrometry. Além de ter uma biblioteca de DSO´s muio mais completa que o Stellarium.

                Resolvo  voltar ao telescópio .Desta vez de uma forma menos romântica e mais metódica . Com Hadar centralizada e com a 25 mm calçada no telescópio faço um ensaio do caminho utilizando o Stellarium Que para isto é superior ao CdC. Afinal é só indicar qual ocular você esta usando e ele se comporta exatamente como o telescópio em questão. Deveria deixar Hadar ( Beta Cen) no canto inferior esquerdo da ocular e dar um pequeno "Hoop" para leste. E voilá . Tivesse feito isto ha muito tempo e eu não teria conhecido Ngc 5128.
                Ngc 5316 é um pequeno aglomerado aberto. Sua classificação Tumpler nos diz assim II 1 p . Ou seja , relativamente pobre , destacado e com estrelas de magnitude semelhante. Mas ele é bem mais charmoso do que pode aparentar pelo categorização feita por Ruprecht em 1975.  Suas estrelas são pequeninas e fracas . Mas são bem unidas e apresenta um interessante colorido. Diversas gigantes vermelhas já  habitam o aglomerado que possui por volta de 120 milhões de anos.  Ele se encontra  a aproximadamente 3800 anos luz de nós.
                Com as péssimas condições para observação ele não dá nem sinal de existência na buscadora. Se tornara um objeto fotográfico. Mesmo com a 17 mm como ocular ele só se apresenta com periférica com algumas estrelas flicando no campo. Bem discreto mesmo. Quanto olhei a primeira foto fiquei até surpreso com sua área ( 15´) . Ao vivo parecia muito pequeno...   certeza que em condições mais "humanas" o aglomerado será uma bela visão na ocular . Bastante com condensado e com pequenas estrelas formando um belo campo.... A esquerda das fotos podemos perceber HD 121454. É uma boa escolha para ser sua guia.





                Fiz apenas 3 exposições de 25 segundos e com o aglomerado meio fora do esquadro. depois de tanto lutar para acha-lo sua posição já ia extremamente baixa.  Fiz mais alguma fotos com este melhor centralizado mas ele já ia tão baixo no horizonte que começara a se apagar.

3 X25 seg+ 3 Darks . Deep Sky Stacker

Ngc 5316 a direita da imagem. Foram realizadas 3  exposições de 25 seg ; Asa 3200 . Deep Sky Stacker e Photoshop( curves) . Foi necessario utilizar um threshold bem baixo no Deep Sky Stacker para que aceit-se as fotos. Muito drift e ruido...

Mesmas fotos . Agora empilhadas no Rot n´Stack. Modo Mean . Mais semelhante ao que se observa pela ocular...



                Na luta contra a SuperMoon nosso herói sobreviveu.  

Adoro quando dá a louca no Rot n´Stack. 



quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Carpe Noctem e Harvard 5

                 
         


                Creio que a maioria dos leitores conheçam a expressão "Carpe Diem".
                 Ela é corriqueiramente traduzida como " Colha o dia" ou " Aproveite o dia".  A sua origem é bem mais erudita que nos faz supor Robin Williams e o filme "A Sociedade dos Poetas Mortos" ( filme que me levanta sempre a suspeita de ser uma espécie de remake de "O Ateneu" do Raul Pompéia ) .
                 É provável que o seu criador original tenha sido Horacio. Em Odes (I , 11.8)  ele diz a Leuconoe: " ... carpe diem quam minimum credula postero." ( Colhe o dia, quanto menos confia no amanhã).
                Ele busca convencer Leucone a aproveitar o momento presente e dele retirar todas as alegrias , sem se inquietar nem com o dia e nem com a hora de sua morte.
                Meu dia não seria um belo exemplo para o "postero" . Mas vinha por aí a noite e assim me ocorreu  uma máxima que convocou   minha  vontade astronômica.
                Carpe Noctem.
                Colheria a noite. Como quem colhe flores para um buquê. Mesmo que os campos na Stonehenge dos Pobres não fossem como as Ilhas Fortunosas.
                Na verdade   continuam em obras...
                De tão inspirado resolvi carpir ( capinar)  a minha noite de forma correta e aplicada. E assim nada como começar realizando um alinhamento polar melhor que o clássico "aponta e acredita" .  Uma tradição aqui pelo Nuncius Australis.
                 Conforme passa o ano vão mudando as estrelas que mimetizam a estrela polar em minha janela. Através de um método que reúne a preguiça com a falta de horizonte cada mês existe uma estrela mais bem colocada para a realização do Alinhamento Polar.
                Desdeque comecei a utilizar esta técnica já serviram para este papel Acrux ( Alpha do Cruzeiro) , Rigel Kent ( Alpha do Centauro) e agora a bola da vez e Atria (Alpha do Triângulo Austral). Ela cruzará o Meridiano as 19:42 horário local. E a estaria aguardando para te-la centralizada na cruzeta de minha buscadora polar imaginária.
                Como poderão ver se não deu certo deu quase certo. Exposições de 30 segundos com um drift minimo e incapaz de destruir minhas imagens.
                Meus planos são modestos. Visitar alguns velhos amigos e fazer umas poucas exposições de cada um deles. E  sempre tentar localizar algum buquê um pouco diferente para acrescentar as minha "Exsicatas".  Tudo isto em não mais que duas horas. Afinal preciso devolver se não os campos pelo menos a sala para o uso da família.
                 Eu poderia Carpe Noctem  mas não " all night long".
5 frames de 11 oferecidos ao DSS. + 4 dark frames. Só foi utiizado o DSS no pós processamento

                Assim nada como começar com uma velha amiga que em breve vai estar deixando os céus por algum tempo. Ngc 4755. A Caixinha de Jóias. Não pretendo me aprofundar sobre ela já que escrevi sobre a mesma ha algum tempo e tenho um esboço para um post dedicado.
                Mas vamos ao que viemos. Diversão . E Astro fotografia é a melhor diversão.
                Fiz pouco mais de uma dezena de exposições da vitima. A primeira com 30 segundos. Mas os níveis de poluição luminosa me levam a realizar exposições para  o "stacking" de apenas 15. Embora o alinhamento esteja bastante aceitável o fundo do céu e o bafo de sódio se apresentam muito evidentes em exposições mais longas. E os membros de 4755 não são timidos. Se apresentam mesmo nas menores
 exposições.  
                O bom da astrofotografia é que ela me garante um programa para noite toda. Pois mesmo depois que sou retirado da ocular pela cara metade ainda tenho todo o resto. O pós processamento , as vontades do Deep Sky Stacker ,as possibilidades do Photoshop. E ainda o post que registrará a observação. O log (blog) da observação. E assim diversas das etapas que fazem da astronomia amadora quase uma ciência. E uma arte com certeza...
Um mosaico com os resultados obtidos no Rot and Stack .
Canon T3 Newtoniano 150 mm
 11 frames + 1 dark Asa 3200 15 seg. exposição 
                Das 11 exposições que importei parao DSS ele concorda que 6 merecem ser "empilhadas". Como não estou na NASA e também não quero utilizar um Threshold muito baixo me dou satisfeito com o resultado. E como a Caixinha é de casa aplico uns poucos Dark frames e me dou por satisfeito. Ela sempre fica bonita. 
                Como dizem na capoeira : " A mulher para ser bonita não precisa se pintar...".
                Continuando pelos clássicos não resisto a posição favorável e visito alguem que ha muito não via. Omega Centauro. O Rei dos Globulares. Faço 15 exposições. Estas com 20 segundos. Um pouco mais alto no céu e menos comprometido pelas luzes do Metro. Mas confesso que a observação visual me deixou um pouco cabreiro. O gigante se apresentava bem lavado na buscadora e quase nada se resolvia na ocular de 25 mm.
Omega Cen. 8 light frames+5 Dark 20 seg asa 3200 . DSS

                Novamente o DSS não aceita todos os light frames. Mas desta vez eu resolvo brincar um pouco mais no  Photoshop e com o auxilio da ferramenta "curves" faço uma bela maquiagem no Globular. Sempre reparo nas letras "ch" que Omega carrega como uma cicatriz em seu rosto
.
                Agora vou em busca de minha exsicata. De uma forma sempre divertida. Sei que existem diversos aglomerados abertos mais obscuros escondidos por dentro do Cruzeiro do Sul. Alguns Ngc e outra flores mais exóticas. Depois de alguns anos acho que aglomerados abertos mesmo mais esparsos se denunciam. As vezes sou enganado. Mas não esta noite.  saindo de Acrux me dirijo para oeste. E passeando me deparo com diversos suspeitos. Todos modestos. Um me chama a atenção. Tenue mas mais concentrado me deixa na certeza de ter localizado alguma novidade. Observo bem e com o auxilio da 10 mm tenho certeza de sua natureza. Tiro alguma fotos. A pratica leva a perfeição e aglomerados abertos são o esteio do Nuncius Australis.


                Costumo saber o que eu observei. No caso sabia tratar-se de um aglomerado aberto. Mas saber exatamente qual , especialmente quando o localiza pelo método "easy rider" pode ser bem dificil. Em geral utilizo o Astrometry.net. Mas as vezes ele tenta lhe enganar. E se você se deixar levar acaba  deixando de levar seu buquê. Ele não possui todos os catalogos. Mas é bom em descobrir estrelas . E assim o utilizando junto ao Cartes du Ciel você acaba descobrindo aquelas flores mais raras que passam desapercebidas  pelo Astrometry e não constam no Stellarium.  Coisas como aglomerados dos Catalogos Collinder , Hogg, Alessi , Ruprecht , Lynga e cia Ltda.


                A surpresa da noite foi Harvard 5. Também ou mais conhecido como   Collinder 258 o pequeno aglomerado deveria ser mais lembrado. Embora não chegue a ser muito chamativo é obvio e facil de se localizar.É ainda o terceiro aglomerado mais brilhante de Crux com magnitude aparente de 7.1. Conto pouco mais de uma dezena de membros espalhados por pouco mais que 5´ de arco.  Uma pequena estrela de um vermelho pálido se destaca e diversas estrelas flicam ao fundo. Com visão periférica consigo perceber mais alguns membros. Entre as jóias da coroa Austral não seria mais que um pequeno brinco. Mas bem delicado. Localiza-se cerca de 3.800 anos luz daqui. E tem entre 80 e 120 milhões de anos. Jovem ainda.  A única imagem do mesmo que localizei foi da home page da WEBDA e juntamente com suas cordenadas tenho certeza de que fotografei a vitima certa. É um aglomerado pouco estudado mas localizei alguns papers onde apresentam alguns estudos fotométricos do mesmo em conjunto com outros obscuros aglomerados austrais.
                Foram oito fotos de minha nova "exsicata" e realizei diversos tratamentos a fim de obter um raro registro fotográfico desde meu novo buquê. Uma grata surpresa em uma noite  já enluarada e na habitual PL do Rio de Janeiro.  Exsicatas são amostras de plantas prensadas e secas em uma estufa.  Para mim são também  uma recordação de minha vó. Ela tinha ,por habito, guardar folhas e flores prensadas dentro de enciclopédias. Atá hoje encontro alguma perdidas dentro da Britannica que habita m meu corredor. Como recomenda o procedimento devo registrar junto a planta o local e a data da coleta. Rio de Janeiro . Entre 19:50 e 21:00 de 6 de Agosto de 2014.   
                Abaixo as fotos de Harvard 5 e respectivos procedimentos e softs utilizados no pós processamento.
8 Lightf frames 20 seg.+ 5 darks. DSS
 
Crop e Curves no Photoshop. A compressão do blogger aumentou o ruido....
                Ainda com algum tempo antes de acabar com aquilo que Lavoisier chamaria de " Nuit de Bonheur" eu volto ao Centauro. Mas desta vez sou enganado. Mais uma vez saio em busca de Ngc 5617. E mais uma vez fotografo Lynga 2. Recentemente fiz um post a respeito deste . E como o foco deixou a desejar este registro encera uma parte da missão desta noite.
Linga 2. 5 frames de 20 Seg. Rot n´stack Mean mode. O Dark frame foi autogerado. Isto talvez explique a cor...
                Afinal se astro fotografia é a melhor diversão descobrir e estudar o que foi capturado durante a noite faz dela astronomia. E assim algo muito maior....

P.S. - A foto que abre este post é uma demostração de como o Deep Sky stacker tem seus momentos rot n´Stack... Eu chamo de Pollock Mode e adoro os resultados....

                

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

O Novo e o Velho em Escorpião

         
   
           Com a lua nova e finalmente o céu aberto eu enfim tenho uma oportunidade de visitar Escorpião este ano. Aqui da Stonehenge dos Pobres a geometria do universo só me permite observa-lo no Horizonte Sudoeste. Assim já ia mais de meia noite quando percebi Antares se aproximando do Dois Irmãos .
            A noite fora fria e eu realmente não tinha planejado observar. No inicio da noite tinha encontrado alguns amigos e procurado por algum calor em  bastante vinho. Por bastante entende-se bastante mesmo. E assim estabanado puxei o Newton para o canto Leste da Janela e consegui um alinhamento polar por palpite até razoável. Diria que já aprendi aonde fica o sul a partir da janela de minha casa.  
Antares 1 x 15 seg.
            Uma rápida visita até Antares para afinar a buscadora e descobrir que o alinhamento polar estava mais para menos do que para mais. Mas não pretendia melhorar ele mesmo e achei que poderia fazer exposições de 15 segundos sem que o drift fosse capaz de destruir as imagens completamente.  Dali me  dirijo para cauda da fera.
            Escorpião é minha constelação favorita . Com muitas lendas , diversas estrela muito brilhantes e próximo ao centro galáctico as visitas a região sempre rendem alguma coisa.
            Passeando ao acaso por junto a Zeta Scorpius  , que é uma bela dupla, e pela área do falso cometa me digno a tentar a sorte e fazer algumas fotos. Ngc 6231 é a cabeça do Falso Cometa. E sua cauda responde por Trumpler 24. Serão minhas vitimas iniciais. 
Ngc 6231 10 exp X15 seg  + 5 dark frames Deep Sky Stacker


           
5 X 15 seg +5 Darks DSS 
            Ngc 6231 certamente é conhecido desde a antiguidade. Me recordo desta maravilha celestial  no inverno passado quando observei este em umaviagem as Anavilhanas e os céus escuros nas terras do Karapãna.  Não faz feio nem mesmo na miseráveis condições de poluição luminosa no Rio de Janeiro. Embora não se perceba o "cometa' com quase 2o de extensão que batiza a região percebe-se facilmente o aglomerado pela buscadora. . A descoberta de sua real natureza é geralmente creditada ao sócio aqui do Nuncius Australis . O Abbe Lacaille. Mas é hoje aceito que os créditos deveriam ir para Giovanni Batista Hodierna. Este registrou o aglomerado em seu catalogo quase 100 anos antes de Lacaille . Seu catalogo, que ficou esquecido por séculos, foi publicado em 1654 e contém 40 entradas. 19 das quais descobertas originais de Hodierna (6231 entre elas). Poucos anos antes Galileo tinha resolvido a Via Láctea e Hodierna acreditava que todos os objetos nebulosos dos céus eram Aglomerados de estrelas. E desta forma fez dele a sétima entrada na Classe 1 de seu catalogo ( Luminosae) que engloba aglomerados que resolvem-se mesmo a olho nu.


            Ngc 6231 e Tr 24 fazem parte da mesmo grupo de luminosas estrelas que forma a associação Scorpius OB1 . Esta é uma dispersa família de estrelas jovens e quentes que reside no braço espiral de Sagitário-Carina que reside mais próximo ao centro galáctico quo o de nosso sol.  É aceito que Ngc 6231 é um dos mais jovens aglomerados conhecidos nos céus. São dadas idades entre 3,2 e 10 milhões  de anos. O aglomerado é caracterizado por estrelas super gigantes O e B e possui diversas estrelas peculiares incluindo entre seus 93 membros duas estrelas Wolf Rayet , seis Beta Cephei e diversas variáveis eruptivas do tipo P Cygni. Claramente um aglomerado bem jovem ainda submetido as "vontades de Hayashy"... O aglomerado recorda vagamente uma torre Eiffel meio torta. Um blend entre a torre em  Paris e a de Pisa.

Tr24 3x 15 seg DSS

            A região é riquíssima e em poucos graus de céu podemos ver uma imensa reunião de aglomerados e nebulosas. A norte e Leste de 6231 em apenas 3o habitam três aglomerados galácticos ( Trumpler 24 , Ngc 6242 e Ngc 6268) , uma nebulosa planetária (IC 4637) e uma Nebulosa difusa (4628). E pertinho uma nebulosa escura (Barnard 48). O paraíso para os amadores...





            Mas isto tudo eu já sabia. O que eu não sabia é que a menos de 6o a Les- Nordeste habita um discreto aglomerado globular de caracteristicas bastante interessantes. Mesmo já tendo passeado bastante pela região  eu nunca o tinha observado. Próximo a Girtab ( q Scorpii) ele é um globular que sofre com a presença de diversos outros mais famosos pela região. E pelo menos em céus urbanos se apresenta bem discreto. Uma pequena estrela que não faz foco. E como se estivesse ainda sob o efeito da vinhaça de mais cedo nem tentei trocar as oculares para conseguir mais aumento. Mas  duvido que conseguisse resolver algum membro mesmo de suas bordas de qualquer forma. Na fotos empilhadas pelo modo sort do Rot n´Stack parece que resolvem-se alguns membros. Mas não sei se é pirotecnia ou  realidade.

Ngc 6388. 5X15 seg + 3 blacks- DSS



        
Modo Sort Rot n´Stack  5x 15 seg.


           Ao contrário de nosso ultimo convidado este é um senhor idoso. Como todos os aglomerados globulares ele tem sua idade medida em bilhões de anos.  Ngc 6388 é um aglomerado globular com uma população estelar bastante diferente. Ele e Ngc 6441 são considerados como globulares gêmeos e intrigam pesquisadores devido a composição de suas populações estelares. Diversos trabalhos tratam do assunto e ainda existem controvérsias. Dos trabalhos que encontrei este foi um dos mais completos e o mais recente (2013) . " The intriguing stellar populations in the globular clusters NGC 6388 and NGC 6441∗".   
            A distribuição das estrelas azuis gigantes que se encontram no seu interior, indicam que o aglomerado envelhece a uma velocidade moderada e que as suas estrelas mais pesadas estão no processo de migrar para o centro.                          .

                Ha ainda  novo estudo, que utilizou dados do ESO, descobriu que aglomerados globulares com a mesma idade podem ter distribuições das estrelas retardatárias azuis no seu interior completamente diferentes, sugerindo que os aglomerados envelhecem a taxas substancialmente diferentes. ( F. Ferraro , Universidade de Bologna)
            
                                                                                                                                                                                  O estudo fotométrico de Ngc 6388 ( A. Moretti, G. Piotto, C. Arcidiacono, A. P. Milone, R. Ragazzoni, R. Falomo, J. Farinato, L. R. Bedin, J.Anderson, A. Sarajedini, A. Baruolo , E. Diolaiti and S. Tordo ) indica uma idade 11,5 bilhões de anos +-1,5 Gyr. Esta grande variação (1 e meio bilhão de anos ) é causada pela posição de 6388 no bojo galáctico e alta contaminação do campo que dificulta a fotometria. E sua distancia também é controversa variando de algo entre 32 e 45 mil anos luz de nós.

            Localiza-lo foi fácil. Completamente ao acaso. Mas se fosse procura-lo de novo partiria de Girtab. Não o diferenciei de estrelas pela buscadora.

            Com magnitude aparente de 6.8 (achei otimista...) ele se apresenta discreto com a ocular de 25 mm. Acredito que ele seja mais evidente em locais mais escuros.

            Escorpião é um campo sensacional para se caçar DSO. Em uma única noite visitei um bebê cósmico e um ancião quase tão velho quento o universo ; Em menos de 7o  de uma constelação que se espalha por mais de 30o  céu. 
Hubble