quinta-feira, 16 de abril de 2015

Me Digas por Onde Andas e Te Direi Circumpolar

         

                 

                   Astronomia é  cheia de facetas. Mesmo quase sem observar você pode pratica la. Na verdade nestes momentos você as vezes tem insights bastante interessantes sobre as razões que elevaram a astronomia a ser uma das  mais nobres das ciências. Ela faz parte de um dos maiores corpos do saber humano. É fundamental para a compreensão e explicação da natureza.A raison d´être da ciência.
                Como passei o mês me concentrando na organização do material que já possuo para o projeto que venho desenvolvendo há anos sobre o Catalaogo Lacaille passei muito tempo junto ao computador e pesquisando na web.    
                Durante os trabalhos acabei por "descobrir" um DSO de existência duvidável. E neste processo acabei passeando por partes do corpo da astronomia que normalmente passam ao largo aqui no Nuncius Australis. Devido a descoberta de um aglomerado que não apresentava parâmetros nem dados em lugar nenhum eu acabei por passear pela geometria , trigonometria, cosmologia e o conhecimento inútil que nem um mochileiro. Sem lenço e nem documento....
'               Mas desta forma acabei chegando a conclusões que me eram ha muito sabidas e sabida ainda ha mais tempo por astrônomos ao longo da história e pelo mundo todo. Mas como quase tudo que se aprende de uma forma orgânica tem gosto de descoberta fiquei muito feliz em poder escrever este post sobre Constelações circumpolares.
                Constelações circumpolares  serão aquelas que permanecerem acima do horizonte durante todo o dia sideral. Ou seja aquelas que nunca irão se por abaixo do horizonte. 
                Desta forma me ocorreu que eu não sabia quais eram as constelações circumpolares na minha cidade. Uma vergonha.
                Como já falei este mês a astronomia não aconteceu no céu. E dependurado no computador como foi o mês eu rapidamente recorri ao Stellarium e acelerando o tempo descobri que a questão era facil . Mas o diabo esta nos detalhes.  E assim definir parâmetros . Quais seriam as constelações circumpolares  se eu considerar apenas as estrelas principais destas ? E se eu fosse obrigado a considerar todas as estrelas que se encontrem dentro das fronteiras estabelecidas  pela IAU? 
                Agora precisei adentrar o Cartes du Ciel e verificar as estrelas mais ao norte de cada uma das constelações que haviam sido deduradas pelo Stellarium .
                Uma surpresa . São as mesmas. E uma decepção . E u achava que seriam mais ,
                No Rio de Janeiro são circumpolares apenas  Octante , Ave do Paraíso e Mesa. E Mosca e Volans ( peixe voador) batendo na trave.
                Já estava com a mão na massa e resolvi passear um pouco pelo mundo .Em Florianopolis as coisa não mudam muito . Mosca e Volans são circumpolares e Compasso bate na trave. Finalmente vou até Ushuaia . A cidade mais ao sul do mundo ( pelo menos se você não perguntar para um chileno...) . E lá a coisa fica mais divertida . Quase toda a finada constelação de Argos e mais varias outras estarão sempre no céu  ainda que no verão o sol esteja presente a maior parte do tempo e no inverno seja um frio de rachar.
                Só como curiosidade em Manaus não ha nenhuma constelação circumpolar.
             Depois de tanto olhar para o computador tive uma luz que muitos tiveram muito antes de mim . Para você saber se uma constelação ou uma estrela é circumpolar existe um método bastante fácil. Se você estiver ao sul do equador basta você aplicar a seguinte formula (L-90). L é a latitude do local onde você se encontra. Assim sendo imagine que o Rio de Janeiro se encontra a 23o. Logo  23-90 = -67.  E como as latitudes são negativas no Rio de Janeiro (sou muito bairrista...) todas as constelações que possuírem sua estrela mais ao norte com DEC maior que -67o serão circumpolares.                Como a atmosfera nos prega peças até um pouco menos será possível Mas aí já outra historia.          A Matemática este mês foi toda mais para Mandrake do que para Gauss mas me levou a descobrir o tamanho das coisa e o que eu sempre vejo ...
                Fiquei todo contente e ainda me lembrei do Feyman: 

               "- Cala a boca e faz a conta."

                

quarta-feira, 8 de abril de 2015

O Tamanho das Coisas

       


         Quando observamos pequenas nebulosas junto a ocular de nosso telescópio não podemos sequer imaginar a imensidão de espaço que é abarcada por aquele pequeno esfuminho.
            Da mesma forma que quando resolvemos um aglomerado aberto não realizamos plenamente quão iluminado seria o céu de uma planeta que porventura orbitasse uma daquelas estrelas.
            Recentemente "descobri" um aglomerado aberto que "não existia". Depois de muitas reviravoltas cheguei a prova da existência do mesmo. Um desafio lógico. Só que apesar de ter substanciado a existência de Ngc 5269 eu não descobri nada a seu respeito. Tornou-se um aglomerado sem parâmetros físicos. Através da analise fotográfica do meio e de uma matemática mais para Mandrake do que para Gauss eu cheguei até alguns valores que ainda que suspeitos nos davam um retrato da paisagem.
            Posto tudo isto como podemos determinar o tamanho das coisas que observamos a partir de imagens com apenas alguns minutos ou mesmo segundos de arco e no limite da capacidade de nossos telescópios?
            Até encontrar Ngc 5269 eu geralmente obtinha dados como o tamanho físico e a distancia do DSO que estou observando através de programas planetários , na minha biblioteca ou em bancos de dados espalhados pela web.
            Claro que há um método matemático para o mesmo. E na descoberta deste descobri que muitas vezes o que descobrimos é muita vezes um chute educado...
            Sou um jovem homem velho e assim ainda possuo muitos livros. Em geral confio mais nestes que em fontes virtuais. E assim localizei  uma interessante passagem e uma formula ainda mais legal folheando o meu "The Messier Objects" da série Deep Sky Companions e de autoria de meu ídolo Stephen James O´Meara . Um livro fundamental e prefaciado pelo "Messier moderno" David Levy.
            Ele nos diz  em um trecho do 3 capitulo ( The Making of this Book)  que os astrônomos continuam discutindo a distancia das galaxias no Aglomerado de Virgem. Estimativas conservadoras  variam entre  varam entre 49 e 72 milhões de anos.  Existe um catalogo  ( que apesar de já um pouco datado continua sendo um modelo...) chamado Nearby Galaxies Catalog , deR. Brent Tully  que assume uma constante de Hubble de 75 Km /seg/ Megaparsec ( não se desesperem pois a formula que chegaremos implica que você apenas saiba multiplicar...)   e que uma galaxia é desviada  por 300 Km/seg da expansão universal pela massa do aglomerado de Virgem. Tully chega a uma distancia de 55 milhões de anos luz para o centro deste...
            Desta forma o diâmetro físico de uma galaxia pode ser determinado usando´se a singela formula:
            diâmetro (em anos luz) = 0.292xDXR
            Onde D é o diâmetro aparente da galaxia em minutos de arco e R é a distancia do objeto em mega parsecs .

            Quando queremos tratar de outros DSO´s galácticos a formula muda. Na verdade a constante muda. E aí temos:
            diâmetro=0,000292XDXR
            Aqui D continua sendo o diâmetro aparente em minutos de arco mas R é a distancia em anos luz.

               Para chegar até Ngc 5269 eu fiz um treino com seu aglomerado padrinho  (Ngc 5281) e utilizei de  handicap antes de fazer meu chute nem tão educado com o aglomerado que não existia. 
            Ngc 5281 é um de meus aglomerados abertos favoritos . Me lembra o Gato de Cheshire   e sempre quis conhecer o Pais das Maravilhas. Em um estudo recente sobre o mesmo para meu projeto sobre o Catalogo Lacaille descobri que o mesmo possui informações conflitantes sobre seu tamanho.  . Enquanto pagina da SEDS diz este possuir apenas 5´de minutos de arco o Stellarium apresenta 14´e O´Meara diz 9`. Inclino-me a concordar com a ultima. Botando mais lenha na fogueira eu diria que este se espalha por 7´de arco.
            Como existem muitos métodos para se determinar a distancia de estrelas e assumindo que HD 11 9002 é um membro real do aglomerado e confiando mais ainda no Banco de dados da WEBDA resolvi tirar a limpo a questão. Determinar onde acaba um aglomerado aberto e começam estrelas que estão apenas contaminado o campo po de ser bem complicado. Mas levando-se em conta a fonte que é a minha favorita e da torcida do Fogão ( "Star Clusters" Wilmman- Bell 2000)   e o banco de dados da WEBDA sabemos que Ngc 5821 se encontra a 4200 anos luz de nós e suas estrelas se espalham por ~10 anos luz de espaço...
            Começaremos pelo perdulário  Stellarium. -
            Diâmetro = 0,000292 x 14 x 4200
            E assim Ngc deveria se espalhar por 17,1 anos luz. Ou estar bem mais perto do que a fotometria de diversas estrelas realizadas em um trabalho feito por Stanner indica...
            Agora a pão dura SEDS:
            Diâmetro =0,000292 x 5 x 4200
            E chegamos a 6,1 anos luz... Mais realista  meu ver mas ainda longe da pesquisa.
            Agora meu Idolo Stephen James O´Meara em seu "Southern Gems"...
            Diâmetro= 0,000292 x 9 x4200
            11,03. Chegando bem perto.
            E finalmente o vinho da casa...
            Diâmetro= 0,000292 x 7 x 4200
            8,6 anos luz.  
            Se a distancia entre nós e o centro do Aglomerado de Virgem pode variar   23 milhões de anos o diâmetro real de Ngc 5821 varia apenas uns poucos anos luz. Mas eu defendo que ele tem 7 arc min no meu telescópio. E  se espalha por modestos 8,6  de anos luz. O céu de um imaginário planeta ao redor de uma estrela em seu centro ia ter um céu cheio de estrelas bem brilhantes.

            O tamanho das coisas e as contas do tamanho...

terça-feira, 7 de abril de 2015

Ngc 5269 - Tudo que Existe...

           
 


            Me dedicando em organizar todo o material para finalmente começar a me dedicar com o máximo de seriedade que me permite a vida  na elaboração de meu livro a respeito do Catalogo Lacaille acabei me deparando com o improvável. Um aglomerado que existe apesar de diversas fontes negarem a este substância ou existência.  
          


             Um dos axiomas de Espinosa( um de meus filósofos favoritos. O outro é Kant . E por fim Hume para nos lembrar que a filosofia é tão útil para ciência como a ornitologia é para os pássaros...) no diz que algo para existir precisa apresentar substância. Ou vice versa. Ou as duas coisas ao mesmo tempo. A navegação por  "Campos Espinozos" é bastante espinhosa.  De qualquer forma o axioma ( 1o na Ética...) nos diz:   “Tudo o que existe, existe em si ou noutra coisa”.
            Na Ética, Espinosa define substância como aquilo “que existe em si e por si é concebido, isto é, aquilo cujo conceito não carece do conceito de outra coisa do qual deva ser formado”. A substância é pois o que ele chama de causa sui, pois explica-se por si mesma e não por referência a alguma causa externa. A definição implica pois, que a substância seja completamente dependente de si mesma, quer para a sua existência quer para os seus atributos e modificações. Dizer tal coisa é afirmar que a sua essência compreende a sua existência. “Por causa de si entendo aquilo cuja essência envolve a existência; ou por outras palavras, aquilo cuja natureza não pode ser concebida senão como existente”
            E assim Ngc 5269 acabou por ser substanciado. Ou não.




            Preparando o texto sobre Ngc 5281 para o livro já citado fiz uma visita ao Astrometry. net para descobrir qual seria a Estrela "Blue Stragller" que habita o "Aglomerado de Cheshire" Este site realiza um interessante serviço e permite identificar com certeza quem é quem em suas fotografias ( pelo menos na maior parte das vezes). Curiosamente no mesmo campo  o astrometry indica habitar um discretíssimo aglomerado aberto. A entrada 5269 no New general Catalog.  conheço bem a região logo abaixo de Alfa e Beta Centauro e curiosamente nunca tinha notado a pequena aglomeração logo abaixo de 5281. Pela foto realmente noto a possibilidade de aquele ajuntamento ser um pequeno aglomerado galáctico. Mas poderia perfeitamente ser um asterismo. É uma região bastante povoada da galaxia e definitivamente meu alarme para DSO´s não disparou .
            De qualquer forma resolvo aprofundar as investigações e rapidamente descubro que Sulentick e Tifft em seu mega trabalho de revisão do NGC apresentam Ngc 5269 como um dos objetos não existentes no catalogo. Existem muitos assim... Ou melhor não existem...
            Em rápida e infantil tentativa de confirmação abro o Stellarium e mando este procurar pela assombração. Assombrações não existe e o Stellarium não encontra o aglomerado. 
            Perante isto resta aprofundar as pesquisas. Na web isto não chega a ser difícil. Mas provar que algo existe utilizando o mundo virtual é , no minimo, metodologicamente suspeito...
            Mas algumas fontes confiáveis emprestam substancia a existência de Ngc 5269.
          O banco de dados do DOCdb ( Deep Sky´s Observer Companion database) apresenta algumas informações sobre o mesmo. Trata-se de uma descoberta de John Herschel em sua temporada no cabo da boa esperança no séc XVII. Ele registra  a descoberta assim: Aglomerado de classe VII. Pobre , desagregado e com forma irregular enche o campo; estrelas de 12a magnitude. Em uma segunda observação ele descreve:" Interessante e rico grupo na via láctea ou melhor um grupo externo de um grupo muito mais interessante que o segue ( Ngc 5821?)
          Isto empresta mais credibilidade ao achado feito pelo astrometry. Mas o GN ( General Catalog) organizado por Herschel  é o pai do Ngc e assim fica uma certa duvida pairando no ar. Em uma outra fonte encontro uma foto que bate com  que observo e corrobora os dados do DOCDb. E ainda nos diz que Herschel observou o aglomerado pela primeira vez em 1835 com um telescópio refletor de 18,7 polegadas de diâmetro.
          Mas em todos faltam informações fundamentais para a confirmação de que aquelas estrelas realmente empresta substancia a um aglomerado. Afinal as estrelas existem mas o aglomerado só existirá em si mesmo se esta tiveram velocidade e direções e distancias semelhantes... E isto eu não achei em lugar nenhum.

          Depois de retrabalhar a foto e realizar uma nova visita ao astrometry Ngc 5269 começa a respirar ( por aparelhos) e quem sabe existir. Algumas das estrelas do catalogo Thyco que se apresentam na listagem tem distancias semelhantes.

          Para fazer um tira teima vou em busca do aglomerado no Cartes du Ciel. E voilá. Ele esta na database deste.  Dreyer apresenta sua tipica descrição : Cl  (Aglomerado) ,P (pobre), L ( frouxo) . 12a * ( estrelas de 12a magnitude) .
          Finalmente este aparece como uma pequena referencia no Livro de Hartung Frommer em sua apresentação sore Ngc 5281. 
          Ngc 5269 parece ser uma dama de companhia do Aglomerado de Cheshire. 



            O Aglomerado não apresenta nenhum estudo significa tivo e seus parâmetros como magnitude aparente e distancia não existem em nenhum lugar. Simbad , Hyperleda , NED e cia ltda foram consultados. Em um ato de desespero instalei o catalogo Tycho (1 e 2) no Skychart e tendo "confirmado" que TYC 9008 862-1 é o membro mais brilhante do aglomerado com magnitude de 11.62 e os outros "membros" mais brilhantes sendo TYC 9008 -373-1 com 12.10 seguida de TYC 9008 -2370-1 com magnitude de 12,13  e refazendo um paralelo com as imagens obtidas do aglomerado e de seu padrinho 5281 bem como o diâmetro aparente dos mesmos e a  da cor daqueles que parecem ser  membros  concluo que Ngc 5269 se possui uma magnitude aparente entre 8.5 e 9.0. Sua idade talvez seja um pouco inferior a de Ngc 5821 (40.000.000 de anos) devido a magnitude azul mias intensa de seus membros mas é um palpite sem nenhuma substancia... Quanto a sua distancia eu diria encontrar´se mais distante que seu padrinho ( este a 4.200 anos luz). Devido a um numero talvez semelhante de membros ( segundo a foto 2) e cobrindo uma area muito menor. Ainda sem nenhuma substancia diria algo ao redor de 6000 anos luz +- 1000.  . Estando ele a 6.000 anos luz suas estrelas se espalhariam por 5.2 anos Luz,  Isto me leva a creer que 7000 anos é um palpite bom... Neste caso Sua extensão real cobriria 6.1 anos luz.

Ngc 5281 esta ao centro com Ngc 5269  a esquerda e acima...



            Mas  o aglomerado  existe e tem substancia.  E é definitivamente mais fácil de ser Observado do que a "Galaxia de Espinosa"  ( MCG 06-03-015). E esta ,apesar de quase invisível, existe e tem muita matéria para substancia-la. E a família celeste de Espinosa cresce. E assim  diversos DSO´s  passam pelo crivo deste antigo filosofo para existir. Assim como Deus. E quanto a este a prova é bem mais difícil de ser substanciada . E seria capaz de apostar que Baruch apostaria mais na existência deste que na de universos ilhas e aglomerados abertos.Mesmo tendo nascido depois de Galileu.  Filósofos... 
E nesta foto temos ele no centro e abaixo de seu padrinho.

          Ngc 5269  existe em si noutra coisa. Na verdade  em muitas outras "cousas":  CMOS, retinas , oculares e afins...
             Mas o mais divertido mesmo é achar um erro no RNGC.( Revised New general Catalog)  Afinal o objetivo desta era corrigir os erros ( que não são poucos ) no NGC. A Missão continua. Agora espero que alguém ache os meus erros nos parametros sobre Ngc 5269.E finalmente este possa fazer sua prova de identidade e ser provado vivo na burocracia astronômica...


          

terça-feira, 3 de março de 2015

Ngc 2232 e os 400 de Herschel

         

             William Herschel provavelmente é o maior observador visual de todos os tempos. Ele é sempre lembrado pela descoberta de Urano.
                Nascido Friedrich Wilhelm (William) Herschel  em 15 de novembro de 1738 em Hanover em uma Alemanha ainda não unificada. Para manter a veracidade histórica Hanover era parte do Sacro Império Romano Germanico e este era capitaneado pelos Von Habsburg.
                Em 1754 o jovem Herschel se muda para Inglaterra e acaba estabelecendo-se em Bath. Nestes tempos sua grande paixão era a musica e ele acaba por obter uma confortável vida como organista e professor de musica.  Em 1772 ele acaba por levar sua amada irmã Caroline para morar com ele. Era um momento de transição na vida de William. Sua paixão migrava da musica para a astronomia e a fabricação de telescópios.  Nove anos depois da chegada dela,  especificamente na noite   13 de março de 1781 ( uma terça feira valesse nosso calendário...) , Herschel observou o que viria a ser Urano. Ele reporta sua descoberta em  26 de Abril   e acredita que trata-se de um  cometa. Cálculos posteriores demonstram tratar-se de um novo planeta. Herschel o batiza em homenagem a seu soberano ( agora o rei Inglês)  com Georgium Sidus.  O nome não colou e posteriormente seu nome é "atualizado" e  honra o Deus Grego do Céu .  Pai de Cronos (Saturno) e avô de Zeus ( Júpiter).
                Depois disto William e declarado astrônomo ( e astrólogo) real e tanto ele como sua irmã ganham uma saudável "ajuda de custo" para continuarem a explorar o firmamento.
                Herschel ( e Caroline) após 20 anos de observações deixam nada menos que 2580 novas "nébulas" e aglomerados . Este trabalho acabou sendo registrado nos "Catalogue of One  new Nebula and Clusters of Stars" (publicado em 27 de abril de 1786) , " Catalogue of a Second Thousand              of New Nebula and Stars Clusters of Stars" e  no final "Catalogue of 500 new Nebula , Nebulous Stars, Planetary Nebulae and Clusters of Stars". Publicados respectivamente em 11 de junho de 1789 e em 1 de julho de 1802.
                A fim  de organizar a variedade de objetos que ele observou Herschel criou um sistema de classificação assim como Lacaille o fez anos antes dele. Em seu sistema criado por  Herschel        consistia na Letra H ( para Herschel) , um numeral romano para classificar a classe de cada objeto; onde: 
I- Nébula brilhante
II-Nébula tênue
III- Nébula muito tênue
IV- Nebulosa Planetária (Estrelas desfocadas, com aparência leitosa, com pequenos raios , com formas memoráveis e etc...)
V- Nébulas muito grandes
VI-Aglomerados muito concentrados de estrelas grande e/ou pequenas)
VII- Aglomerados de estrelas esparsos.
                E um Numeral romano que consiste apenas na ordem que o objeto de uma determinada ordem foi observado. assim H VII 11 é o 11o objeto da classe VII a ser observado.  Simples e empírico...
                De suas mais de 2500 entradas o catalogo Herschel apresenta uma vasta coleção de galaxias e nebulosas planetárias que são muito tênues e sem graça para o astrônomo amador médio. E dista nasce uma lista conhecida como Herschel 400. é uma especie de projeto observacional que pretende levar o amador a conhecer os 400 mais belos objetos das descobertas feitas por Herschel.  Conta-nos a história que os membros do Ancient CityAstronomy Club de St. Augustine na Flórida foram os responsáveis por esta lista. Nesta eles incluem 400 objetos descobertos por Herschel que seriam um desafio para amadores com telescópio de 150 ou mais mm de abertura.
                A contrario do que se pode imaginar por esta proposta muito dos objetos incluídos entre os "400 de Herschel" são alvos fáceis para observadores com modestos telescópios e mesmo com binóculos.
                Este é o caso de nosso convidado. Ngc 2232 ( H VII- 25 ) é um aglomerado aberto em Monoceros que é facilmente percebido até mesmo com modestas buscadoras de 7X30.
                Habitando a discreta constelação do Unicórnio ele acaba passando desapercebido na Via Láctea sendo sua base eclipsada pelas famosas constelações de Órion e Cão Maior.E também pelas mais famosas vizinhas na mesma constelação que carrega a nebulosa da roseta como grande estrela.
              a mag.) . Com este obvio na ocular de 25 mm não pude deixar de realizar umas poucas fotos para posteriormente pesquisar do que se tratava o obvio e esparso aglomerado que havia " descoberto". 
  Acabei por fotografar Ngc 2232 meio que por acaso. Passeando pela região em busca do mais famoso ( e menos brilhante)  Ngc 2244  , o aglomerado aberto associado a nebulosa da Roseta ( Ngc 2237)    acabei por perceber o esparso "ajuntamento" de estrelas brilhante concentrado ao redor de  10 Monoceros ( 5
                As fotos que você vê aqui revelam duas coisas sobre ótica.Uma é que telescópios newtonianos sofrem de um problema "genético" conhecido como "coma". As estrelas podem vir a se parecer com pequenas virgulas. A outra é que meu telescópio esta descolimado e que este desalinho do sistema  óptico aumenta a coma barbaramente...

                Acabei por descobrir que o aglomerado de virgulas que registrei tratava-se de 2232 . E depois descubro que assim como muitos aglomerados brilhantes e fáceis de serem observados ele faz parte da supostamente temível lista do "400 de Herschel".
                Localizar Ngc 2232 é bastante facil.  Trata-se de um brilhante embora pouco condensado aglomerado com aproximadamente 20 estrelas no entorno de 10 Mon. Percebo seus membros mais brilhantes ( 5 estrelas) facilmente com meu 10X50 mesmo no Rio de Janeiro . Em Búzios consigo perceber mais algumas estrelas a beira da resolução.



                Entre Betelgeuse  em Órion e Sirius na Cão Maior existem apenas duas estrelas mais brilhantes facilmente visíveis a olho nu . São Alfa e Beta Monoceros. Identifique Beta Mon e confirme a observando com cerca de 100X de aumento . É um interessante sistema triplo.  Depois pela buscadora localize 10 Mon. Será evidente pela buscadora a assim como os membros mais brilhantes do aglomerado.  Com  50X você vai perceber o aglomerado se destacando  do fundo galáctico. Mais magnificação e em telescópios maiores vão revelar mais estrelas em campo e tornar o aglomerado menos obvio.  2232 é o oposto do que se imaginaria em uma lista observacional teoricamente desafiadora...
                O aglomerado é relativamente bem estudado e é um caso daqueles DSO´s que rejuvenesceram. Papers mais antigos chegam a atribuir-lhe 100 milhões de anos de idade. Os dados mais recentes atribuem apenas  30 milhões de anos ao aglomerado. Há diversos estudos e observações confirmam  que Ngc 2232 apresenta poucos indicios de discos planetários que muita vezes se supõem  comuns em estrelas jovens . Seu estudo demonstra que os processos envolvidos na formação de sistemas planetários não são realmente ainda muito bem entendidos.  Localiza-se a aproximadamente 1200 anos luz da terra.  Ele localiza=se a cerca de 300 anos luz da grande nebulosa de Órion  e ha indícios que ambos podem ter se originado da mesma grande nuvem de gás e poeira de onde surgiu M42.

                Visitar Ngc 2232 e um interessante programa e ainda um bom começo no ambicioso projeto que é observar o "400 de Herschel". 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Ngc 3114- O Aglomerado Arecibo

       
       


           Ngc 3114 é mais um daqueles aglomerados abertos  que se escondem próximos a Grande Nebulosa de Eta Carina. Localizado em tão nobre vizinhança e bem no eixo do braço de Carina na  Via Láctea ele nem sempre é tão lembrado como deveria. Mas é definitivamente uma das paisagens mais deslumbrantes escondida na Constelação Astral de Carina , a quilha da finada constelação de Argos. É  o navio  celestial doa Argonautas   Não é pouca coisa.
                Dunlop foi o primeiro a identificar e descrever o aglomerado.   Eu particularmente acho sua descrição bastante exata e  se aproxima muito do que vejo na ocular . Especialmente  quando observado com meu refrator de 70 mm . Galileo é seu nome ( do telescópio).
                Ele é a entrada de numero 297 de seu  "Catalogo de Nebulosas e Aglomerados de Estrelas no Hemisfério Sul, Observado em Parramatta em Nova Gales do Sul" e publicado em no Philosophical Transactions of the Royal Society of London , Vol 118 ( 1828) . A apresentação deste trabalho  já demostra o caráter aventureiro e disposto deste observador pioneiro e conhecido como "O Astrônomo Cavalheiro de Paramatta. 
                 " As nebulosas e aglomerados de estrelas no hemisfério sul a seguir foram observados por mim na minha casa em Paramatta  situada a  6 o sul e cerca de 1s.78 de tempo a leste do observatório de Brisbane. As observações foram feitas ao ar livre , com um excelente  telescópio refletor  de 9-pés e com um abertura livre do espelho maior  sendo de 9 polegadas. Este telescópio era ocasionalmente montado como um telescópio meridiano, com um forte eixo de ferro firmemente preso a parte de baixo do tubo próximo  ao lodo oposto da celula do espelho primário. A ponta deste eixo possuía uma forma de Y que era aparafusada a blocos de madeira enterrados cerca de 18 polegadas no chão. No outro extremo do eixo eu instalei uma escala com um semicírculo dividido em meios graus e com leituras até minutos.   A posição e o  desvio do instrumento eram ajustados com a passagem de estrelas conhecidas. O lado da ocular do telescópio era apontado para cima ou para baixo através de um sistema de polia preso a um poste de madeira enterrado dois pés no chão. Com este aparato eu observei uma região de 8  10 graus com muito pouco desvio do instrumento em relação ao plano do meridiano e o tremor era pouco mesmo com grandes ampliações.  "  
                Com este método de "Alinhamento polar" e tão rustico set up eu acho quase uma falha de caráter de John Herschel   fazer criticas severas a Dunlop quando  ele vai fazer seu levantamento dos céus austrais  e não localiza diversas das entradas do catalogo elaborado por nosso herói.  John Herschelo fez um levantamento enorme. É  inegável . Mas contava com total apoio da Academia de Ciências. Afinal era filho de William Herschel. O astrônomo real e descobridor de Urano...
                De qualquer forma a entrada 297 foi confirmada e este "Dunlop´s Original" é descrito assim pelo descobridor:  " Um belo aglomerado de estrelas arranjado em linhas curvilineas que interceptam-se uma a outra , com cerca de 40´ de diâmetro com a extensão sul precedendo e a norte seguindo"
                Já o soberbo John Herschel o apresenta assim: "   A estrela chefe de 9a magnitude de um grande , frouxo, brilhante aglomerado que preenche diversos campos ( h 3224)
                Herschel retornou a este aglomerado três vezes durante seu levantamento e acabou por deixar um descrição mais justa e a altura de 3114: "  Enorme congregação ou região aglomerada de estrelas com 2 ou 3 campos em diâmetro constituindo decididamente um aglomerado. Devem haver centenas de estrelas..."
Ngc 3114- 10 expX15 seg asa 1600 Newtoniano 150 mm f8- Buzios -Janeiro de 2015
                Mas definitivamente quem teve a mais psicodélica visualização do aglomerado foi O´Meara. Em seu "Southern Gems" ele nos conta  perceber a figura de um radio telescópio escondido em meio as estrelas  do aglomerado. O´Meara defende em seu livro dedicado aos Objetos do Catalogo Messier que devemos fazer da observação um exercício de criatividade e buscar padrões e imagens cotidianas nos objetos que visitamos . Isto enriqueceria a experiência e traria uma dimensão humana ao nossas observações. Aqui ele realmente levou esta arte  a um novo patamar. Depois de muito esforço e algumas taças de vinho eu acabei por entender a viagem do renomado observador visual.  Nasce o Aglomerado Arecibo.


Na verdade pensei em batiza-lo como Aglomerado Tanguá  pois o desenho me lembrou muito as antenas da Embratel que se espalhavam junto a antiga estrada em direção a região dos Lagos no Rio de Janeiro  do que o imenso disco de Arecibo. Mas preferi conceder um apelido  mais digno a descoberta de Dunlop.
                O aglomerado é um alvo difícil de se estudar devido a sua  posição .  O Campo de observação é extremamente contaminado com diversas estrelas  tanto de nosso braço galáctico ( esporão de Órion)  como do braço de Carina ao fundo.  Trumpler classificou o aglomerado como  II 3 r .Isto nos explica que o aglomerado  rico , pouco destacado do fundo e possui estrelas com magnitudes variadas,
                 Estudos mais recentes  nos dizem que ele se espalha por 30 anos luz e reside nas saias do braço de Carina . Possui ao menos 200 membros embora seja difícil definir os limites exatos deste devido a contaminação de estrelas de campo.   O maior estudo realizado de Ngc 3114 foi realizado  por  G Cacrraro e F. Patat ( Astronomy e Astrophysics Vol.379)  e estes realizaram a fotometria de 2060 estrelas centradas em Ngc 3114 e apesar da contaminação esperada na região chegaram a conclusão  que este reside a  3.100 anos luz de nós e tem uma idade Inferior a 300.000.000 anos.  O valor mais provável é de 160.000.000 (Jorge frederico gonzalez  2001) .
                Não posso deixar de dar créditos aos cientistas brasileiros do Observatório Nacional  C.B. Pereira e c. Quireza  que em um paper do  International Astronomical union Symposium de 2010  apresentaram uma analise quimica de 7 gigantes vermelhas de 3114. Elas são tão abundantes em metais quanto o nosso sol. O que concorda com a distribuição radial de Fe (Ferro)  esperada nos braços galácticos...
                Eu observei Ngc 3114 diversas vezes e com diversos equipamentos. Ele  é um bom aglomerado para se utilizar pouca ampliação e um bom alvo binocular .
Observado com Refrator 70 mm f13 - Ocular 20 mm 
                Foi um dos primeiros aglomerados que desenhei e também um dos primeiros DSOs observados.
                Recentemente o fotografei pela primeira vez. As fotos foram feitas em Búzios . Confesso que cheguei nele desta vez sem nem procurar. Apenas passeando pela rica região ao redor da Nebulosa de Eta Carina . Em locais escuros o Aglomerado é facilmente percebido a olho nu . Mas se tiver dificuldades para localiza´lo ou identifica lo em tão rica região  Localize Iota Carina (Aspidiske) e a Nebulosa de Eta Car. O aglomerado resido no meio destas duas.

                Ngc 3114  é uma bela jóia da Coroa Austral;Será que você consegue perceber um radio Telescópio escondido nele?  

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Astrofotografia Cética

           
 
               O surgimento da world wide web foi um marco no final do século XX.Uma revolução.  Nunca tanta informação foi tão acessível a tantas pessoas em tão pouco tempo. Curiosamente idéias que eu considerava parte de contos de fadas passaram a ser discutidas e para minha surpresa apresentarem um numero considerável de defensores. Ideias fundamentalistas e leituras medievais de bíblia que para mim só permaneciam vivas em recantos distantes do oriente ou em enclaves no bible belt americano   eram defendidas por conterrâneos meus. Foi um choque.
                Com o tempo percebi que na verdade estes eram a resposta a um outro grupo que devido imenso aumento de informação surgiu alguns milhares de anos depois dos  fiéis clássicos  . O Cético de Internet.
                Em sua maioria são pessoas até bem intencionadas e com algum discernimento. Mas que acabam por adotar o ceticismo como uma filosofia, ou pior ainda, um way of life.  Em vez de encarar ceticismo como uma postura pratica de extremo eficiência na analisa de questões cientificas na qual é necessário confirmar o que foi dito ou proposto através de provas concretas estes passam a acreditar que devem examinar o conhecimento e as percepções sempre de uma forma critica e dependendo da corrente filosófica renegar a ciência como uma forma de saber que depende de comprovação e utilidade real. Seu objetivo é apenas renegar crenças alheias. Na sua luta para renegar o primeiro grupo de fundamentalistas citados se tornam eles mesmos um deles. Passam a acreditar que a ciência é uma crença organizada e e hierarquizada dentro de conceitos e/ou parâmetros  propostos por algum filosofo da moda. Me formei ha 20 anos . Mudam a cada 3 anos. As vezes menos. E passam a confundir sua filosofia com ceticismo e o ideário filosófico de algum favorito como uma verdade absoluta. Se tornam céticos profissionais e cientistas de merda.  
                Irão criar conceitos para sustentar suas idéias e uma lista infindável de falacias irá surgir como se fosse um bíblia cética. E curiosamente novas e novas falacias serão descritas por cada um dos grupos sem que nenhum resultado pratico seja obtido ou um novo saber criado.São dois lados da mesma moeda e como todo radical estão ambos defendendo a mesma coisa. A sua certeza de que o outro lado esta errado.
                Muita informação acabou por causar desinformação e o cordão dos toscos cada vez aumenta mais...  
                Inicialmente eu ficava revoltado com isto. Depois comecei a achar graça . E finalmente não achei mais nada. Não tem a menor importância para para mim e nenhuma para a ciência. E a web é um espaço democrático ( pelo menos aparentemente...)  que permite que qualquer que seja sua carência ou necessidade de afirmação  você possa criar um realidade virtual onde o que você acredita pode até mesmo parecer que é verdade . É o sonho do filosofo . Embora a filosofia seja tão útil para a ciência quanto a ornitologia é para os pássaros ela agora pode servir a dois patrões. De um lado crentes disfarçados de cientistas e do outro falsos cientistas disfarçados de intelectuais   Finalmente os pombos tem uma Ágora livre e defecada e podem até ir ao buletério.
                De qualquer forma  acredito que ceticismo é um recurso útil e fundamental. Assim esporadicamente redescubro que duvidar não é a mesma coisa que renegar. E que a duvida é que alimenta a ciência e não a certeza.  É o exercício que faz o homem.
                Sempre fui um auto didata na minha astronomia e suas especialidades. Com a astro fotografia não poderia deixar de ser a mesma coisa. E graças a web também posso apresentar o resultado de minhas experiências.
                Na mesma web falei existe muita informação a  respeito do assunto. E alguns dogmas podem se estabelecer.
                Um dos mais comuns é que é impossível observar DSO´s em grandes centros e que a observação astronômica só pode ser praticada de forma apropriada em locais desertos e longe de qualquer população humana. Há anos observo de um dos locais de maior poluição luminosa no mundo e fui capaz de observar e fotografar o mais diversos tipos de DSO´s. Não acreditei e sendo cético aprendi a ter esperança ... E com esta pude aprender a navegar por céus urbanos com poucas bóias e apresentar maravilhas celestiais a quem possa interessar. Em vez de repetir textos céticos e me conformar com frases feitas e repetidas a exaustão em textos para lá de manjados fui desconfiado e busquei pela resposta junto a ocular. Bom ceticismo.
                É engraçado aquele que se diz cético mas descreve sempre  a experiência de outra pessoa.  Sagan deve estar de saco cheio de servir de guarda costas para mediocridade e de ter seus belos textos mal traduzidos.  Asimov escreveria contos de terror ...
                Recentemente voltara de Búzios  remontei a Stonehenge dos Pobres. E depois de um dia péssimo me lembrei que astro fotografia é a melhor diversão. Mas me lembrei também que ele implica em muito trabalho. Estava com preguiça.
                Sempre li e já havia comprovado que para realizar fotografias de DSO é necessário utilizar uma montagem equatorial , fazer seu alinhamento polar , realizar longas exposições e outra tarefas mais.
                Porém tento na arte como na ciência existe alguns conceitos que devem ser respeitados. Um é a escala do evento . Outro é a pretensão do artista e finalmente o equipamento disponível.
                Já apresentei aqui o que considero o set up basico para a pratica de astro fotografia a sério. Mas existem outras formas nem tão comprometidas de pratica-la.
                Objeto a ser fotografado é um dado fundamental . Caso pretenda fotografar a lua diversas técnicas descritas são desnecessárias.
                A noite não era promissora e com alguns buracos entre nuvens não me dei nem ao trabalho de olhar o Stellarium e muito menos de montar o motor drive no eixo de A.R.    Não iria fotografar nada e também apenas aproximei o os pés do tripé do que seria um alinhamento polar adequado e comecei o passeio. Visitei  Ngc 4755 e depois fiquei caçando qualquer coisa que surgisse entre as nuvens. cabei me deparando com um aberto grandee que ja conhecia.
                Esqueci seu sobrenome mas me lembro de você. E assim resolvi que tinha que fotografar o bruto para submete-lo ao Astrometry e ter uma identificação do suspeito.
                Como São Tomé só vendo para acreditar e contrariando quase tudo que se diz por aí resolvi tentar a sorte e simplesmente acoplei a câmera ao telescópio e realizei algumas exposições de apenas 1 segundo utilizando ASA 6400. Apesar de tudo que é dito por aí obtive um registro que tinha certeza seria mais que suficiente para identificar o elemento.
                E assim ficou provado que apesar do que dizem é possível registrar DSO´s ( desde que sem a pretensão de capturar todos os membros Catalogo Lacaille desta forma... só a maioria) sem acompanhamento ne alinhamento polar. Claro que não se espera uma Brastemp mas ua cervejinha gelada vai sair...
                Foi engraçado ter fé de que algo seria registrado e aplicar o ceticismo para comprovar minha hipótese .   Deve ser uma falacia. Algo como uma Definição contraditória carpada de costas. ( Na verdade é só uma antítese...)
              
Ngc 3293- 4x 1 seg +4X 0,8 seg  newtoniano 150 mm Canon T3 . Empilhaas no Rot n´Stack Sem motor ou alinhamento polar e com muita nebulosidade... 
                Com 4 fotos de 1 segundo e 4 de 0,8  entre as nuvens e com um minimo de esforço Ngc  3293 se apresenta . Na verdade de uma forma quase idêntica ao que eu vejo por minha ocular 26 mm.
                E fica provado que sem uma montagem equatorial alinhada ou motorizada , com uma transparência péssima e com exposições muito curtas é possível obter registros que se não bons pelo menos uteis de DSO´s. Por uteis entendo que trata-se de uma imagem que permita não só a caracterização do que se esta observando como também a identificação do DSO.
Fiz umpost há algum tempo abordando a vitima. Acho interessante a comparação ente a os resultados obtidos nas fotografias.
8 X20 seg ASA 1600 Deep Sky Stacker
1X30 seg 800 ASA.


              
                      Ver para crer.  Astofotografia é a melhor  diversão. 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Messier e Vive la Différence: M46 e M47

Ha muito não caçava objetos do Catalogo Messier. Na Stonehenge dos Pobres sua grande maioria fica fora de meu alcance. O horizonte sul do Rio de Janeiro não compartilha o mesmo latifúndio celeste que a torre do Hotel de Cluny.  Lá Messier fez as observações que levaram ao mais famoso catalogo de nebulosas de todos.  
O Catalogo Messier traz o curioso karma de ser uma coleção de objetos a não serem observados. Messier nos diz no Almanaque francês "Coinassance du Temp"  para 1801 o seguinte:
"O que me levou a realizar o catalogo foi a nébula que descobri sobre o chifre sul de Taurus em 12 de setembro de 1758 enquanto observando pelo cometa daquele ano...  Aquela nébula tinha tal semelhança com um cometa em forma e brilho que me prontifiquei a descobrir outras para que astrônomos não as confundam com cometas que estão começando a brilhar."
Embora Messier e seus contemporâneos ainda não soubessem exatamente do que se tratava as nebulosas que observavam seu catalogo tornou-se um excelente mostruário das estruturas celestes ( DSO´s) que se apresentam no universo. Em suas 110 entradas  encontramos 39 galaxias , 57 aglomerados estelares , 9 nebulosas, os restos  de uma  supernova, um pedaço da Via-Láctea , um pequeno "ajuntamento de estrelas , uma estrela dupla e segundo alguns autores uma figurinha repetida...
Todos os objetos Messier se encontram ao alcance de modestos telescópios  sob céus escuros e sua maioria é viável até mesmo com binóculos. Muitos se apresentam até para a vista desarmada.  O catalogo Messier é o campo de provas que ajudou varias gerações de astrônomos amadores a desenvolverem sua técnica e suas capacidade observacional. Observar todos os objetos Messier é um marco na carreira de qualquer astrónomo amador ou não. É como tocar "Brasileirinho" para violonistas nacionais . Mesmo sabendo que nem todo catalogo é visível de terras austrais ele é fundamental.
Logo que me interessei pela astronomia e comprei meu primeiro telescópio meu  objetivo era conhecer o céu de uma forma geral. Saber as constelações , reconhecer as estrelas mais brilhante e coisas do gênero. Na minha inocente concepção eu descobri um meio que poderia garantir que eu estivesse observando o que eu achava que estava observando. Sabia que existiam "coisas"lá fora que eu não veria sem o auxilio de um telescópio. E usando as brilhantes estrelas que eu achava estar localizando como faróis para localizar estas coisas eu desenvolveria um método infalível para ter certeza do que eu estava vendo. Na época( isto continua valendo..) todas as revistas de astronomia disponíveis eram publicações estrangeiras e quase todos os guias também. De uma forma ou de outra acabei descobrindo o catalogo Messier . Pronto. Tinha todos os ingredientes necessários para uma obsessão...
E assim me recordo claramente de meus primeiros DSO´s. Como não poderia deixar de ser foram alguns dos mais famosos membros do Catalogo. E em pouco tempo eu tinha tido a feliz oportunidade de conhecer M45 ( As Plêiades), M42 ( A grande nebulosa de Órion) , M7 ( o aglomerado de Ptolomeu) , M6 (o aglomerado da borboleta) e M4 ( um dos globulares mais próximos da terra) . O tempo passou e fui conhecendo quase todo o catalogo. Alguns de seu membros fui visitar na terra de Messier .
O tempo passou e acabei tomando um imenso gosto por aglomerados abertos. 
As coisas estavam neste pé até minha ultima viagem até Búzios. Com um observatório mais generoso que a modesta janela da Stonehege do Pobres eu tive a oportunidade de revisitar e fotografar pela primeira vez dois dos meus favoritos aglomerados abertos do Catalogo de nosso caçador de Cometas do século XVIII.  M46 e M47.
M 46 é uma descoberta original de Messier. E é curiosamente a primeira entrada da segunda parte do levantamento que levou  ao que é o atual Catalogo Messier. Ele o descobriu em 19 de fevereiro de 1771.  Apenas três dias após ter publicado a primeira edição de sua obra que cobria de M1 a M45.

Por uma razão "navegacional" vou abordar M47 inicialmente. Localizar M 47 é mais fácil e estes é um porto fundamental no caminho que nos levará até M46.
Localizado dentro das fronteiras de Puppis ( Popa) o caminho até M 47 começa na mais brilhante estrela do céu.  Sirius. Após centralizar esta na sua buscadora eu acho localizar M47 bastante simples. Indo rumo leste e usando a Via láctea como guia M47 vai se apresentar  em sua buscadora .Mesmo como minha 7x30 mm ele é perceptível. Com a 9x50 ele é evidente e muitos membros se resolvem.
 Em condições mais extremas de poluição luminosa ou se habitas muito ao norte Phil Harrigton apresenta  um caminho mais geométrico. Em seu "Starwatch" ele coloca que localizar M 47 é uma questão de seguir triângulos . Três triângulos. Primeiro localize um formado por Sirius , Iotan Can Ma e Mulliphen mais a leste. Seguindo o lado Sirius- Mulliphein ainda mais a leste localize um triangulo menor e mais estreito ainda mais a leste; Seguindo ainda mais a leste um outro pequeno triangulo com um perfil semelhante e com mais estrelas em seu interior.Este ultimo triangulo  apresenta mais estrelas tênues em seu interior . São estas M47 e M46.
Nunca fiz o caminho proposto por Harrigton. Não foi necessário  e parece-me confuso.
M47 tem a honra de poder ser considerado um "Objeto Messier Perdido". Em seu amarelado livro de registros que hoje habita um vitrine no Observatório de Paris sua entrada de numero 47 apresenta coordenadas que nos levam a lugar nenhum.  Somente em  1934 Oswald Thomas identificou M 47  como Ngc 2422 . Segundo O´Meara 25 anos se passariam ainda até que T.F Morris descobrisse o erro de transcrição que levou ao erro por parte de Messier.
M47-  12 X 15 seg asa 3200

A descrição de Messier sobre o DSO deixa pouca duvida  de Ngc 2422 ser de fato M 47:
" (19 de Fevereiro de 1771) Aglomerado de estrelas não distante do anterior (M46). As estrelas são mais brilhantes. O centro do aglomerado foi determinado usando-se a mesma estrela . Flamsteed 2 Argo Navis ( hoje Puppis2)  . O aglomerado não possui nebulosidade".
Observado pelo Newton ( um refletor com 150mm e f8) é melhor observado com pouco aumento . Usando minha ocular 26 mm percebo algumas dezenas de estrelas  levemente azuladas como aguas marinhas vagabundas.  O campo onde habita M47 apresenta em sua proximidade uma outra bela gema vermelho alaranjada que não faz parte do aglomerado. Trata-se de KQ Puppis. Parece um rubi solitário. O conjunto forma um belo tesouro.
M 47 apresenta em estudos mais sérios pelo menos 117 membros com seus membros mais brilhantes atingindo 5a e 6a  magnitude.  Ele cobre algo com 25´de diâmetro (uma lua cheia).  Estando a não mais que 1550 anos luz de nós significa que o mesmo se espalha por cerca de 14 anos luz. É bem pequeno.  
A primeira pessoa a observar M47 foi Giovanni Batista Hodierna antes de 1654.
Depois de localizar M47 chegar até M 46 é bastante fácil. Com uma ocular wide field é só calcular um pequeno salto de cerca de 1 grau na direção certa e este vai se apresentar. Perceber M 46 pela buscadora não chega a ser um grande feito mas pode ser difícil em locais de muita poluição luminosa. Ele não chega a se resolver e apresenta-se apenas como uma tênue "nuvem de luz". Com meu binoculo 15X70 percebo algumas estrelas se resolvendo.
A comparação entre M46 e M47 é um excelente exemplo de como dois aglomerados abertos podem ser diferentes ( com o binóculo e os dois no mesmo campo isto é evidente). M46 é muito mais denso que M47 mas como suas estrelas são mais tênues a paisagem é muito diferente. E também nos mostra como as coisas são relativas. M 46 esta  5.300 anos luz de nós . Seu brilho menos intenso é somente por causa da distancia de nós. Ele possui no minimo 180 membros e com 300.000.000 é um ancião em comparação ao jovem M47 (55.000.000 anos) . E este se espalha por mais de 40 ano luz.  M 46 é muito mais gracioso que M 47 quando observado pelo Newton.  Com estrelas brilhando entre 10a  e 13a  magnitude e ocupando quase a mesma area que seu vizinho comprar um ao outro é quase comparar vegetais com minerais... Uma flor e uma rocha.            Messier  descreveu o aglomerado  assim:
" (19 de fevereiro de 1771)  Aglomerado de estrelas muito tênues , sem nebulosidade. Este aglomerado é próximo a três estrelas que repousam na base da cauda de Monoceros."
M46 é um dos aglomerados abertos que mais gosto. Extremamente denso e com grande concentração apresenta diversas estrelas duplas e com um olhar atento revela mais e mais estrelas. É um excelente exercício para praticar sua visão periférica e descobrir mais e mais  segredos encrustados. Em telescópios menores ( 60 mm e etc..) le não chega a se resolver . com visão periférica uma poucas estrelas podem ser percebidas e uma estrutura "arenosa" parece se apresentar.
M46 apresenta claramente uma estrutura espiralada . E guarda ainda um segredo. Ao aumentar a magnificação ( com a 10mm eu começo a perceber[120X]...) pode-se notar uma pequena nebulosidade ao norte do aglomerado.
M46 e Ngc 2438-12X 15  seg.  A nebulosa Planetaria é evidente abaixo do centro do aglomerado

Trata-se de uma nebulosa planetária. Ngc 2438. Os restos de uma estrela semelhante ao nosso sol estão lá. É apenas uma coincidência. A nebulosa se encontra penas na mesma linha de visada . Ela se encontra muito mais próxima que o aglomerado a "apenas" 2900 anos luz. E é fruto de uma estrela muito mais antiga que as "mocinhas" que formam M46.  Assume-se que a bela nebulosa planetária começou a se formar a meros 46.000 anos. A estrela central que alimenta esta nebulosa brilha com uma modesta 16a magnitude.
Ngc 2438
Messier ou não percebeu ou não diferenciou esta nebulosa do aglomerado. Em seu catalogo  existem nebulosas planetárias.

 Mas isto já é uma outra história....

sábado, 24 de janeiro de 2015

Ngc 5617- " The Dracula Cluster"

     
            Ngc 5617 é um belo aglomerado aberto na Constelação de Centauros. Localizado a pouco mais de 1o de Alpha Cen é estranho que não seja muito mais visitado. Talvez por habitar tão próximo a  famosa estrela e em uma vizinhança marcada por DSO´s extremamente conhecidos ( Omega Centauro ,  Caixinha de Jóias e cia. Ltda. ) esta bela jóia fica um pouco esquecida.
        
crop de Ngc 5617.
                Outro detalhe é que mesmo tão próxima a um farol  obvio como Rigel Kent (Alpha Cen) a navegação até este porto pirata pode ser mais difícil do que  pode supor a vã filosofia. Durante muito tempo procurei por este tesouro e não o localizei. Chequei a ser enganado e acabei "descobrindo" Lynga 2 em seu lugar. Este um pequeno aglomerado aberto com pinta de asterismo e com menos estrelas, mas mais brilhantes que o original...  
                Ngc 5617 é conhecido também como " Aglomerado Dracula". ( The Dracula Cluster).
                Não consigo entender a razão e acredito ser mais um daqueles apelidos inventados pelo O´Meara e que só ele sabe a razão. Em seu Southern Gems ( um belo  livro que completa sua coleção Deep Sky Companions e aborda as melhores peças descobertas por Dunlop) e alega poder perceber o Vampiro com braços abertos esticando sua capa.  O aglomerado é a entrada de numero 69 em seu  livro. O minimo que posso dizer é que le é bem imaginativo.  
                Como já disse o aglomerado me ludibriou diversas vezes até que o conseguisse observar e fotografar. PaComo já disse o aglomerado me ludibriou diversas vezes até que o conseguisse obsrvar e fotografar. Partindo-se de Alpha Cen ele reside pouco mais de um campo ocular ( usando uma 26 mm em um Newtoniano 150 mm f8) a oeste da conhecida estrela dupla. Mas como sempre repito nem tudo é como parece ser e muito menos como achamos que é. E atualmente sempre que quero visitar o aglomerado eu parto de Alpha cen vou até Lynga 2 e deste um pequeno salto me leva até o aglomerado. caçar discretos DSO´s não é para impacientes e com um pouco de vontade e algumas tentativas você acabará chegando em 5617 de um modo ou de outro. Eu nunca consegui perceber o mesmo pela buscadora. Mas é provavelmente factivel em locais de céu bem escuro.
                 O aglomerado uma vez na ocular é inconfundivel. bastante concentrado e com dezenas de pequenas estrelas se resolvendo mesmo com pequenos aumentos ele é um espetaculo.  Trumpler o classificou como um aglomerado aberto I 2 r . O que significa que o mesmo se destaca bem do fundo galactico, possui um grande concentração central, uma larga escala de brilho em suas estrelas e posui muito membros ( mais de 100).

 A descrição feita por Dreyer também deixa bem clara a beleza de Ngc 5617.  Cl,L,pRi,pCM,st 8...que traduzindo em miudos significa que é um aglomerado (Cl), grande ( L), bem rico (pRi) , bem concentrado no centro ( pCM) e com estrelas de 8a magnitude e menos...


 rt
                Nossa jóia foi descoberta por James Dunlop em 1826 em seu levantamento feito em Canberra , Austrália. É a entrada de numero 302 em seu confuso e muitas vezes equivocado catalogo. Ele nos diz que trata-se de um aglomerado de pequenas estrelas de magnitudes variadas e consideravelmente concentrado em seu centro. com 4´ou 5´de diâmetro (cluster of small stars of mixt magnitudes, considerably congregated towards the centre, 4´ or 5' diameter). Ele observou este aglomerado duas vezes.
                O aglomerado é relativamente bem estudado e especialmente citado em papers que tratam de "Blue Stragglers" (um caminho evolutivo "diferente" para estrelas duplas...) . Com  80.000.000 de anos é um contemporâneo das Plêiades e sua distancia é alvo de alguma controvérsia .  É um daqueles casos de aglomerados que foram se afastando de nós conforme fomos melhorando as estimativas. Um interessante paper de 1967   diz que Raab nos dá uma distancia de 625 pc; Depois Trumpler fala em 1110 pc. Collinder recua para 850. Depois Barankhova fala em 900 e um tal de Waltenquist  diz que ele se encontra a 730. Em avaliações mais recentes os valores oscilam entre 5000 e 7500 anos luz.  Devido a sua posição na galaxia o "redenning " deste aglomerado é difícil de ser calculado e assim sua distancia é incerta...  1 Parsec ( Pc) é igual a  3,2616 anos luz.  "Redenning" é o desvio para o vermelho nas luz das  estrelas causado pela poeira entre nós... Os cálculos mais atuais se baseiam em variáveis cefeidas suspeitas de serem membros do aglomerado. 
                Utilizei diversas oculares na observação mais recente que fiz de 5617. Ele sobrevive bem a magnificação e com uma 10 mm ele quase enche o campo visual. Novamente o melhor resultado foi utilizando uma 17 mm  Não devido ao tamanho. A 17mm é minha melhor ocular e salvo alvos muito pequenos ou muito grande ela em geral é a melhor opção . Com a 26 ele se assemelha muito a foto sem crop apresentada acima e chega a ser discreto. Com atenção se percebe mais estrelas. O uso de visão periférica será útil . Pode-se perceber o colorido e a presença de estrelas vermelhas. Afinal já não é mais um garotão...

                Quanto as imagens foram realizadas cerca de uma dezena (o valor exato se perdeu nas anotações que eu não fiz...)  de fotos  com ASA 3200 e 20 segundo de exposição . A câmera utilizada foi uma Canon T3 não modificada e utilizando um newtoniano 150mm f8.  O alinhamento polar foi apenas suficiente.O foco idem. Como em geral acontece aqui no Nuncius Australis. Astrofotografia é a melhor diversão.
Foto analisada no Astrometry. O catalogo HD é incluido no Skychart ( Cartes du Ciel) e creio poder ajudar na localização ...
              Ngc 5617 é um belíssimo aglomerado marcado pela forte concentração central  e de grande riqueza. É melhor observado com telescópios e sua visualização com binóculos nunca me convenceu. Na verdade mesmo como o Galileu ( um refrator de 70 mm e f 13) eu nunca tive plena consciência da beleza deste tesouro.   Um novo favorito...