terça-feira, 3 de março de 2015

Ngc 2232 e os 400 de Herschel

         

             William Herschel provavelmente é o maior observador visual de todos os tempos. Ele é sempre lembrado pela descoberta de Urano.
                Nascido Friedrich Wilhelm (William) Herschel  em 15 de novembro de 1738 em Hanover em uma Alemanha ainda não unificada. Para manter a veracidade histórica Hanover era parte do Sacro Império Romano Germanico e este era capitaneado pelos Von Habsburg.
                Em 1754 o jovem Herschel se muda para Inglaterra e acaba estabelecendo-se em Bath. Nestes tempos sua grande paixão era a musica e ele acaba por obter uma confortável vida como organista e professor de musica.  Em 1772 ele acaba por levar sua amada irmã Caroline para morar com ele. Era um momento de transição na vida de William. Sua paixão migrava da musica para a astronomia e a fabricação de telescópios.  Nove anos depois da chegada dela,  especificamente na noite   13 de março de 1781 ( uma terça feira valesse nosso calendário...) , Herschel observou o que viria a ser Urano. Ele reporta sua descoberta em  26 de Abril   e acredita que trata-se de um  cometa. Cálculos posteriores demonstram tratar-se de um novo planeta. Herschel o batiza em homenagem a seu soberano ( agora o rei Inglês)  com Georgium Sidus.  O nome não colou e posteriormente seu nome é "atualizado" e  honra o Deus Grego do Céu .  Pai de Cronos (Saturno) e avô de Zeus ( Júpiter).
                Depois disto William e declarado astrônomo ( e astrólogo) real e tanto ele como sua irmã ganham uma saudável "ajuda de custo" para continuarem a explorar o firmamento.
                Herschel ( e Caroline) após 20 anos de observações deixam nada menos que 2580 novas "nébulas" e aglomerados . Este trabalho acabou sendo registrado nos "Catalogue of One  new Nebula and Clusters of Stars" (publicado em 27 de abril de 1786) , " Catalogue of a Second Thousand              of New Nebula and Stars Clusters of Stars" e  no final "Catalogue of 500 new Nebula , Nebulous Stars, Planetary Nebulae and Clusters of Stars". Publicados respectivamente em 11 de junho de 1789 e em 1 de julho de 1802.
                A fim  de organizar a variedade de objetos que ele observou Herschel criou um sistema de classificação assim como Lacaille o fez anos antes dele. Em seu sistema criado por  Herschel        consistia na Letra H ( para Herschel) , um numeral romano para classificar a classe de cada objeto; onde: 
I- Nébula brilhante
II-Nébula tênue
III- Nébula muito tênue
IV- Nebulosa Planetária (Estrelas desfocadas, com aparência leitosa, com pequenos raios , com formas memoráveis e etc...)
V- Nébulas muito grandes
VI-Aglomerados muito concentrados de estrelas grande e/ou pequenas)
VII- Aglomerados de estrelas esparsos.
                E um Numeral romano que consiste apenas na ordem que o objeto de uma determinada ordem foi observado. assim H VII 11 é o 11o objeto da classe VII a ser observado.  Simples e empírico...
                De suas mais de 2500 entradas o catalogo Herschel apresenta uma vasta coleção de galaxias e nebulosas planetárias que são muito tênues e sem graça para o astrônomo amador médio. E dista nasce uma lista conhecida como Herschel 400. é uma especie de projeto observacional que pretende levar o amador a conhecer os 400 mais belos objetos das descobertas feitas por Herschel.  Conta-nos a história que os membros do Ancient CityAstronomy Club de St. Augustine na Flórida foram os responsáveis por esta lista. Nesta eles incluem 400 objetos descobertos por Herschel que seriam um desafio para amadores com telescópio de 150 ou mais mm de abertura.
                A contrario do que se pode imaginar por esta proposta muito dos objetos incluídos entre os "400 de Herschel" são alvos fáceis para observadores com modestos telescópios e mesmo com binóculos.
                Este é o caso de nosso convidado. Ngc 2232 ( H VII- 25 ) é um aglomerado aberto em Monoceros que é facilmente percebido até mesmo com modestas buscadoras de 7X30.
                Habitando a discreta constelação do Unicórnio ele acaba passando desapercebido na Via Láctea sendo sua base eclipsada pelas famosas constelações de Órion e Cão Maior.E também pelas mais famosas vizinhas na mesma constelação que carrega a nebulosa da roseta como grande estrela.
              a mag.) . Com este obvio na ocular de 25 mm não pude deixar de realizar umas poucas fotos para posteriormente pesquisar do que se tratava o obvio e esparso aglomerado que havia " descoberto". 
  Acabei por fotografar Ngc 2232 meio que por acaso. Passeando pela região em busca do mais famoso ( e menos brilhante)  Ngc 2244  , o aglomerado aberto associado a nebulosa da Roseta ( Ngc 2237)    acabei por perceber o esparso "ajuntamento" de estrelas brilhante concentrado ao redor de  10 Monoceros ( 5
                As fotos que você vê aqui revelam duas coisas sobre ótica.Uma é que telescópios newtonianos sofrem de um problema "genético" conhecido como "coma". As estrelas podem vir a se parecer com pequenas virgulas. A outra é que meu telescópio esta descolimado e que este desalinho do sistema  óptico aumenta a coma barbaramente...

                Acabei por descobrir que o aglomerado de virgulas que registrei tratava-se de 2232 . E depois descubro que assim como muitos aglomerados brilhantes e fáceis de serem observados ele faz parte da supostamente temível lista do "400 de Herschel".
                Localizar Ngc 2232 é bastante facil.  Trata-se de um brilhante embora pouco condensado aglomerado com aproximadamente 20 estrelas no entorno de 10 Mon. Percebo seus membros mais brilhantes ( 5 estrelas) facilmente com meu 10X50 mesmo no Rio de Janeiro . Em Búzios consigo perceber mais algumas estrelas a beira da resolução.



                Entre Betelgeuse  em Órion e Sirius na Cão Maior existem apenas duas estrelas mais brilhantes facilmente visíveis a olho nu . São Alfa e Beta Monoceros. Identifique Beta Mon e confirme a observando com cerca de 100X de aumento . É um interessante sistema triplo.  Depois pela buscadora localize 10 Mon. Será evidente pela buscadora a assim como os membros mais brilhantes do aglomerado.  Com  50X você vai perceber o aglomerado se destacando  do fundo galáctico. Mais magnificação e em telescópios maiores vão revelar mais estrelas em campo e tornar o aglomerado menos obvio.  2232 é o oposto do que se imaginaria em uma lista observacional teoricamente desafiadora...
                O aglomerado é relativamente bem estudado e é um caso daqueles DSO´s que rejuvenesceram. Papers mais antigos chegam a atribuir-lhe 100 milhões de anos de idade. Os dados mais recentes atribuem apenas  30 milhões de anos ao aglomerado. Há diversos estudos e observações confirmam  que Ngc 2232 apresenta poucos indicios de discos planetários que muita vezes se supõem  comuns em estrelas jovens . Seu estudo demonstra que os processos envolvidos na formação de sistemas planetários não são realmente ainda muito bem entendidos.  Localiza-se a aproximadamente 1200 anos luz da terra.  Ele localiza=se a cerca de 300 anos luz da grande nebulosa de Órion  e ha indícios que ambos podem ter se originado da mesma grande nuvem de gás e poeira de onde surgiu M42.

                Visitar Ngc 2232 e um interessante programa e ainda um bom começo no ambicioso projeto que é observar o "400 de Herschel". 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Ngc 3114- O Aglomerado Arecibo

       
       


           Ngc 3114 é mais um daqueles aglomerados abertos  que se escondem próximos a Grande Nebulosa de Eta Carina. Localizado em tão nobre vizinhança e bem no eixo do braço de Carina na  Via Láctea ele nem sempre é tão lembrado como deveria. Mas é definitivamente uma das paisagens mais deslumbrantes escondida na Constelação Astral de Carina , a quilha da finada constelação de Argos. É  o navio  celestial doa Argonautas   Não é pouca coisa.
                Dunlop foi o primeiro a identificar e descrever o aglomerado.   Eu particularmente acho sua descrição bastante exata e  se aproxima muito do que vejo na ocular . Especialmente  quando observado com meu refrator de 70 mm . Galileo é seu nome ( do telescópio).
                Ele é a entrada de numero 297 de seu  "Catalogo de Nebulosas e Aglomerados de Estrelas no Hemisfério Sul, Observado em Parramatta em Nova Gales do Sul" e publicado em no Philosophical Transactions of the Royal Society of London , Vol 118 ( 1828) . A apresentação deste trabalho  já demostra o caráter aventureiro e disposto deste observador pioneiro e conhecido como "O Astrônomo Cavalheiro de Paramatta. 
                 " As nebulosas e aglomerados de estrelas no hemisfério sul a seguir foram observados por mim na minha casa em Paramatta  situada a  6 o sul e cerca de 1s.78 de tempo a leste do observatório de Brisbane. As observações foram feitas ao ar livre , com um excelente  telescópio refletor  de 9-pés e com um abertura livre do espelho maior  sendo de 9 polegadas. Este telescópio era ocasionalmente montado como um telescópio meridiano, com um forte eixo de ferro firmemente preso a parte de baixo do tubo próximo  ao lodo oposto da celula do espelho primário. A ponta deste eixo possuía uma forma de Y que era aparafusada a blocos de madeira enterrados cerca de 18 polegadas no chão. No outro extremo do eixo eu instalei uma escala com um semicírculo dividido em meios graus e com leituras até minutos.   A posição e o  desvio do instrumento eram ajustados com a passagem de estrelas conhecidas. O lado da ocular do telescópio era apontado para cima ou para baixo através de um sistema de polia preso a um poste de madeira enterrado dois pés no chão. Com este aparato eu observei uma região de 8  10 graus com muito pouco desvio do instrumento em relação ao plano do meridiano e o tremor era pouco mesmo com grandes ampliações.  "  
                Com este método de "Alinhamento polar" e tão rustico set up eu acho quase uma falha de caráter de John Herschel   fazer criticas severas a Dunlop quando  ele vai fazer seu levantamento dos céus austrais  e não localiza diversas das entradas do catalogo elaborado por nosso herói.  John Herschelo fez um levantamento enorme. É  inegável . Mas contava com total apoio da Academia de Ciências. Afinal era filho de William Herschel. O astrônomo real e descobridor de Urano...
                De qualquer forma a entrada 297 foi confirmada e este "Dunlop´s Original" é descrito assim pelo descobridor:  " Um belo aglomerado de estrelas arranjado em linhas curvilineas que interceptam-se uma a outra , com cerca de 40´ de diâmetro com a extensão sul precedendo e a norte seguindo"
                Já o soberbo John Herschel o apresenta assim: "   A estrela chefe de 9a magnitude de um grande , frouxo, brilhante aglomerado que preenche diversos campos ( h 3224)
                Herschel retornou a este aglomerado três vezes durante seu levantamento e acabou por deixar um descrição mais justa e a altura de 3114: "  Enorme congregação ou região aglomerada de estrelas com 2 ou 3 campos em diâmetro constituindo decididamente um aglomerado. Devem haver centenas de estrelas..."
Ngc 3114- 10 expX15 seg asa 1600 Newtoniano 150 mm f8- Buzios -Janeiro de 2015
                Mas definitivamente quem teve a mais psicodélica visualização do aglomerado foi O´Meara. Em seu "Southern Gems" ele nos conta  perceber a figura de um radio telescópio escondido em meio as estrelas  do aglomerado. O´Meara defende em seu livro dedicado aos Objetos do Catalogo Messier que devemos fazer da observação um exercício de criatividade e buscar padrões e imagens cotidianas nos objetos que visitamos . Isto enriqueceria a experiência e traria uma dimensão humana ao nossas observações. Aqui ele realmente levou esta arte  a um novo patamar. Depois de muito esforço e algumas taças de vinho eu acabei por entender a viagem do renomado observador visual.  Nasce o Aglomerado Arecibo.


Na verdade pensei em batiza-lo como Aglomerado Tanguá  pois o desenho me lembrou muito as antenas da Embratel que se espalhavam junto a antiga estrada em direção a região dos Lagos no Rio de Janeiro  do que o imenso disco de Arecibo. Mas preferi conceder um apelido  mais digno a descoberta de Dunlop.
                O aglomerado é um alvo difícil de se estudar devido a sua  posição .  O Campo de observação é extremamente contaminado com diversas estrelas  tanto de nosso braço galáctico ( esporão de Órion)  como do braço de Carina ao fundo.  Trumpler classificou o aglomerado como  II 3 r .Isto nos explica que o aglomerado  rico , pouco destacado do fundo e possui estrelas com magnitudes variadas,
                 Estudos mais recentes  nos dizem que ele se espalha por 30 anos luz e reside nas saias do braço de Carina . Possui ao menos 200 membros embora seja difícil definir os limites exatos deste devido a contaminação de estrelas de campo.   O maior estudo realizado de Ngc 3114 foi realizado  por  G Cacrraro e F. Patat ( Astronomy e Astrophysics Vol.379)  e estes realizaram a fotometria de 2060 estrelas centradas em Ngc 3114 e apesar da contaminação esperada na região chegaram a conclusão  que este reside a  3.100 anos luz de nós e tem uma idade Inferior a 300.000.000 anos.  O valor mais provável é de 160.000.000 (Jorge frederico gonzalez  2001) .
                Não posso deixar de dar créditos aos cientistas brasileiros do Observatório Nacional  C.B. Pereira e c. Quireza  que em um paper do  International Astronomical union Symposium de 2010  apresentaram uma analise quimica de 7 gigantes vermelhas de 3114. Elas são tão abundantes em metais quanto o nosso sol. O que concorda com a distribuição radial de Fe (Ferro)  esperada nos braços galácticos...
                Eu observei Ngc 3114 diversas vezes e com diversos equipamentos. Ele  é um bom aglomerado para se utilizar pouca ampliação e um bom alvo binocular .
Observado com Refrator 70 mm f13 - Ocular 20 mm 
                Foi um dos primeiros aglomerados que desenhei e também um dos primeiros DSOs observados.
                Recentemente o fotografei pela primeira vez. As fotos foram feitas em Búzios . Confesso que cheguei nele desta vez sem nem procurar. Apenas passeando pela rica região ao redor da Nebulosa de Eta Carina . Em locais escuros o Aglomerado é facilmente percebido a olho nu . Mas se tiver dificuldades para localiza´lo ou identifica lo em tão rica região  Localize Iota Carina (Aspidiske) e a Nebulosa de Eta Car. O aglomerado resido no meio destas duas.

                Ngc 3114  é uma bela jóia da Coroa Austral;Será que você consegue perceber um radio Telescópio escondido nele?  

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Astrofotografia Cética

           
 
               O surgimento da world wide web foi um marco no final do século XX.Uma revolução.  Nunca tanta informação foi tão acessível a tantas pessoas em tão pouco tempo. Curiosamente idéias que eu considerava parte de contos de fadas passaram a ser discutidas e para minha surpresa apresentarem um numero considerável de defensores. Ideias fundamentalistas e leituras medievais de bíblia que para mim só permaneciam vivas em recantos distantes do oriente ou em enclaves no bible belt americano   eram defendidas por conterrâneos meus. Foi um choque.
                Com o tempo percebi que na verdade estes eram a resposta a um outro grupo que devido imenso aumento de informação surgiu alguns milhares de anos depois dos  fiéis clássicos  . O Cético de Internet.
                Em sua maioria são pessoas até bem intencionadas e com algum discernimento. Mas que acabam por adotar o ceticismo como uma filosofia, ou pior ainda, um way of life.  Em vez de encarar ceticismo como uma postura pratica de extremo eficiência na analisa de questões cientificas na qual é necessário confirmar o que foi dito ou proposto através de provas concretas estes passam a acreditar que devem examinar o conhecimento e as percepções sempre de uma forma critica e dependendo da corrente filosófica renegar a ciência como uma forma de saber que depende de comprovação e utilidade real. Seu objetivo é apenas renegar crenças alheias. Na sua luta para renegar o primeiro grupo de fundamentalistas citados se tornam eles mesmos um deles. Passam a acreditar que a ciência é uma crença organizada e e hierarquizada dentro de conceitos e/ou parâmetros  propostos por algum filosofo da moda. Me formei ha 20 anos . Mudam a cada 3 anos. As vezes menos. E passam a confundir sua filosofia com ceticismo e o ideário filosófico de algum favorito como uma verdade absoluta. Se tornam céticos profissionais e cientistas de merda.  
                Irão criar conceitos para sustentar suas idéias e uma lista infindável de falacias irá surgir como se fosse um bíblia cética. E curiosamente novas e novas falacias serão descritas por cada um dos grupos sem que nenhum resultado pratico seja obtido ou um novo saber criado.São dois lados da mesma moeda e como todo radical estão ambos defendendo a mesma coisa. A sua certeza de que o outro lado esta errado.
                Muita informação acabou por causar desinformação e o cordão dos toscos cada vez aumenta mais...  
                Inicialmente eu ficava revoltado com isto. Depois comecei a achar graça . E finalmente não achei mais nada. Não tem a menor importância para para mim e nenhuma para a ciência. E a web é um espaço democrático ( pelo menos aparentemente...)  que permite que qualquer que seja sua carência ou necessidade de afirmação  você possa criar um realidade virtual onde o que você acredita pode até mesmo parecer que é verdade . É o sonho do filosofo . Embora a filosofia seja tão útil para a ciência quanto a ornitologia é para os pássaros ela agora pode servir a dois patrões. De um lado crentes disfarçados de cientistas e do outro falsos cientistas disfarçados de intelectuais   Finalmente os pombos tem uma Ágora livre e defecada e podem até ir ao buletério.
                De qualquer forma  acredito que ceticismo é um recurso útil e fundamental. Assim esporadicamente redescubro que duvidar não é a mesma coisa que renegar. E que a duvida é que alimenta a ciência e não a certeza.  É o exercício que faz o homem.
                Sempre fui um auto didata na minha astronomia e suas especialidades. Com a astro fotografia não poderia deixar de ser a mesma coisa. E graças a web também posso apresentar o resultado de minhas experiências.
                Na mesma web falei existe muita informação a  respeito do assunto. E alguns dogmas podem se estabelecer.
                Um dos mais comuns é que é impossível observar DSO´s em grandes centros e que a observação astronômica só pode ser praticada de forma apropriada em locais desertos e longe de qualquer população humana. Há anos observo de um dos locais de maior poluição luminosa no mundo e fui capaz de observar e fotografar o mais diversos tipos de DSO´s. Não acreditei e sendo cético aprendi a ter esperança ... E com esta pude aprender a navegar por céus urbanos com poucas bóias e apresentar maravilhas celestiais a quem possa interessar. Em vez de repetir textos céticos e me conformar com frases feitas e repetidas a exaustão em textos para lá de manjados fui desconfiado e busquei pela resposta junto a ocular. Bom ceticismo.
                É engraçado aquele que se diz cético mas descreve sempre  a experiência de outra pessoa.  Sagan deve estar de saco cheio de servir de guarda costas para mediocridade e de ter seus belos textos mal traduzidos.  Asimov escreveria contos de terror ...
                Recentemente voltara de Búzios  remontei a Stonehenge dos Pobres. E depois de um dia péssimo me lembrei que astro fotografia é a melhor diversão. Mas me lembrei também que ele implica em muito trabalho. Estava com preguiça.
                Sempre li e já havia comprovado que para realizar fotografias de DSO é necessário utilizar uma montagem equatorial , fazer seu alinhamento polar , realizar longas exposições e outra tarefas mais.
                Porém tento na arte como na ciência existe alguns conceitos que devem ser respeitados. Um é a escala do evento . Outro é a pretensão do artista e finalmente o equipamento disponível.
                Já apresentei aqui o que considero o set up basico para a pratica de astro fotografia a sério. Mas existem outras formas nem tão comprometidas de pratica-la.
                Objeto a ser fotografado é um dado fundamental . Caso pretenda fotografar a lua diversas técnicas descritas são desnecessárias.
                A noite não era promissora e com alguns buracos entre nuvens não me dei nem ao trabalho de olhar o Stellarium e muito menos de montar o motor drive no eixo de A.R.    Não iria fotografar nada e também apenas aproximei o os pés do tripé do que seria um alinhamento polar adequado e comecei o passeio. Visitei  Ngc 4755 e depois fiquei caçando qualquer coisa que surgisse entre as nuvens. cabei me deparando com um aberto grandee que ja conhecia.
                Esqueci seu sobrenome mas me lembro de você. E assim resolvi que tinha que fotografar o bruto para submete-lo ao Astrometry e ter uma identificação do suspeito.
                Como São Tomé só vendo para acreditar e contrariando quase tudo que se diz por aí resolvi tentar a sorte e simplesmente acoplei a câmera ao telescópio e realizei algumas exposições de apenas 1 segundo utilizando ASA 6400. Apesar de tudo que é dito por aí obtive um registro que tinha certeza seria mais que suficiente para identificar o elemento.
                E assim ficou provado que apesar do que dizem é possível registrar DSO´s ( desde que sem a pretensão de capturar todos os membros Catalogo Lacaille desta forma... só a maioria) sem acompanhamento ne alinhamento polar. Claro que não se espera uma Brastemp mas ua cervejinha gelada vai sair...
                Foi engraçado ter fé de que algo seria registrado e aplicar o ceticismo para comprovar minha hipótese .   Deve ser uma falacia. Algo como uma Definição contraditória carpada de costas. ( Na verdade é só uma antítese...)
              
Ngc 3293- 4x 1 seg +4X 0,8 seg  newtoniano 150 mm Canon T3 . Empilhaas no Rot n´Stack Sem motor ou alinhamento polar e com muita nebulosidade... 
                Com 4 fotos de 1 segundo e 4 de 0,8  entre as nuvens e com um minimo de esforço Ngc  3293 se apresenta . Na verdade de uma forma quase idêntica ao que eu vejo por minha ocular 26 mm.
                E fica provado que sem uma montagem equatorial alinhada ou motorizada , com uma transparência péssima e com exposições muito curtas é possível obter registros que se não bons pelo menos uteis de DSO´s. Por uteis entendo que trata-se de uma imagem que permita não só a caracterização do que se esta observando como também a identificação do DSO.
Fiz umpost há algum tempo abordando a vitima. Acho interessante a comparação ente a os resultados obtidos nas fotografias.
8 X20 seg ASA 1600 Deep Sky Stacker
1X30 seg 800 ASA.


              
                      Ver para crer.  Astofotografia é a melhor  diversão. 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Messier e Vive la Différence: M46 e M47

Ha muito não caçava objetos do Catalogo Messier. Na Stonehenge dos Pobres sua grande maioria fica fora de meu alcance. O horizonte sul do Rio de Janeiro não compartilha o mesmo latifúndio celeste que a torre do Hotel de Cluny.  Lá Messier fez as observações que levaram ao mais famoso catalogo de nebulosas de todos.  
O Catalogo Messier traz o curioso karma de ser uma coleção de objetos a não serem observados. Messier nos diz no Almanaque francês "Coinassance du Temp"  para 1801 o seguinte:
"O que me levou a realizar o catalogo foi a nébula que descobri sobre o chifre sul de Taurus em 12 de setembro de 1758 enquanto observando pelo cometa daquele ano...  Aquela nébula tinha tal semelhança com um cometa em forma e brilho que me prontifiquei a descobrir outras para que astrônomos não as confundam com cometas que estão começando a brilhar."
Embora Messier e seus contemporâneos ainda não soubessem exatamente do que se tratava as nebulosas que observavam seu catalogo tornou-se um excelente mostruário das estruturas celestes ( DSO´s) que se apresentam no universo. Em suas 110 entradas  encontramos 39 galaxias , 57 aglomerados estelares , 9 nebulosas, os restos  de uma  supernova, um pedaço da Via-Láctea , um pequeno "ajuntamento de estrelas , uma estrela dupla e segundo alguns autores uma figurinha repetida...
Todos os objetos Messier se encontram ao alcance de modestos telescópios  sob céus escuros e sua maioria é viável até mesmo com binóculos. Muitos se apresentam até para a vista desarmada.  O catalogo Messier é o campo de provas que ajudou varias gerações de astrônomos amadores a desenvolverem sua técnica e suas capacidade observacional. Observar todos os objetos Messier é um marco na carreira de qualquer astrónomo amador ou não. É como tocar "Brasileirinho" para violonistas nacionais . Mesmo sabendo que nem todo catalogo é visível de terras austrais ele é fundamental.
Logo que me interessei pela astronomia e comprei meu primeiro telescópio meu  objetivo era conhecer o céu de uma forma geral. Saber as constelações , reconhecer as estrelas mais brilhante e coisas do gênero. Na minha inocente concepção eu descobri um meio que poderia garantir que eu estivesse observando o que eu achava que estava observando. Sabia que existiam "coisas"lá fora que eu não veria sem o auxilio de um telescópio. E usando as brilhantes estrelas que eu achava estar localizando como faróis para localizar estas coisas eu desenvolveria um método infalível para ter certeza do que eu estava vendo. Na época( isto continua valendo..) todas as revistas de astronomia disponíveis eram publicações estrangeiras e quase todos os guias também. De uma forma ou de outra acabei descobrindo o catalogo Messier . Pronto. Tinha todos os ingredientes necessários para uma obsessão...
E assim me recordo claramente de meus primeiros DSO´s. Como não poderia deixar de ser foram alguns dos mais famosos membros do Catalogo. E em pouco tempo eu tinha tido a feliz oportunidade de conhecer M45 ( As Plêiades), M42 ( A grande nebulosa de Órion) , M7 ( o aglomerado de Ptolomeu) , M6 (o aglomerado da borboleta) e M4 ( um dos globulares mais próximos da terra) . O tempo passou e fui conhecendo quase todo o catalogo. Alguns de seu membros fui visitar na terra de Messier .
O tempo passou e acabei tomando um imenso gosto por aglomerados abertos. 
As coisas estavam neste pé até minha ultima viagem até Búzios. Com um observatório mais generoso que a modesta janela da Stonehege do Pobres eu tive a oportunidade de revisitar e fotografar pela primeira vez dois dos meus favoritos aglomerados abertos do Catalogo de nosso caçador de Cometas do século XVIII.  M46 e M47.
M 46 é uma descoberta original de Messier. E é curiosamente a primeira entrada da segunda parte do levantamento que levou  ao que é o atual Catalogo Messier. Ele o descobriu em 19 de fevereiro de 1771.  Apenas três dias após ter publicado a primeira edição de sua obra que cobria de M1 a M45.

Por uma razão "navegacional" vou abordar M47 inicialmente. Localizar M 47 é mais fácil e estes é um porto fundamental no caminho que nos levará até M46.
Localizado dentro das fronteiras de Puppis ( Popa) o caminho até M 47 começa na mais brilhante estrela do céu.  Sirius. Após centralizar esta na sua buscadora eu acho localizar M47 bastante simples. Indo rumo leste e usando a Via láctea como guia M47 vai se apresentar  em sua buscadora .Mesmo como minha 7x30 mm ele é perceptível. Com a 9x50 ele é evidente e muitos membros se resolvem.
 Em condições mais extremas de poluição luminosa ou se habitas muito ao norte Phil Harrigton apresenta  um caminho mais geométrico. Em seu "Starwatch" ele coloca que localizar M 47 é uma questão de seguir triângulos . Três triângulos. Primeiro localize um formado por Sirius , Iotan Can Ma e Mulliphen mais a leste. Seguindo o lado Sirius- Mulliphein ainda mais a leste localize um triangulo menor e mais estreito ainda mais a leste; Seguindo ainda mais a leste um outro pequeno triangulo com um perfil semelhante e com mais estrelas em seu interior.Este ultimo triangulo  apresenta mais estrelas tênues em seu interior . São estas M47 e M46.
Nunca fiz o caminho proposto por Harrigton. Não foi necessário  e parece-me confuso.
M47 tem a honra de poder ser considerado um "Objeto Messier Perdido". Em seu amarelado livro de registros que hoje habita um vitrine no Observatório de Paris sua entrada de numero 47 apresenta coordenadas que nos levam a lugar nenhum.  Somente em  1934 Oswald Thomas identificou M 47  como Ngc 2422 . Segundo O´Meara 25 anos se passariam ainda até que T.F Morris descobrisse o erro de transcrição que levou ao erro por parte de Messier.
M47-  12 X 15 seg asa 3200

A descrição de Messier sobre o DSO deixa pouca duvida  de Ngc 2422 ser de fato M 47:
" (19 de Fevereiro de 1771) Aglomerado de estrelas não distante do anterior (M46). As estrelas são mais brilhantes. O centro do aglomerado foi determinado usando-se a mesma estrela . Flamsteed 2 Argo Navis ( hoje Puppis2)  . O aglomerado não possui nebulosidade".
Observado pelo Newton ( um refletor com 150mm e f8) é melhor observado com pouco aumento . Usando minha ocular 26 mm percebo algumas dezenas de estrelas  levemente azuladas como aguas marinhas vagabundas.  O campo onde habita M47 apresenta em sua proximidade uma outra bela gema vermelho alaranjada que não faz parte do aglomerado. Trata-se de KQ Puppis. Parece um rubi solitário. O conjunto forma um belo tesouro.
M 47 apresenta em estudos mais sérios pelo menos 117 membros com seus membros mais brilhantes atingindo 5a e 6a  magnitude.  Ele cobre algo com 25´de diâmetro (uma lua cheia).  Estando a não mais que 1550 anos luz de nós significa que o mesmo se espalha por cerca de 14 anos luz. É bem pequeno.  
A primeira pessoa a observar M47 foi Giovanni Batista Hodierna antes de 1654.
Depois de localizar M47 chegar até M 46 é bastante fácil. Com uma ocular wide field é só calcular um pequeno salto de cerca de 1 grau na direção certa e este vai se apresentar. Perceber M 46 pela buscadora não chega a ser um grande feito mas pode ser difícil em locais de muita poluição luminosa. Ele não chega a se resolver e apresenta-se apenas como uma tênue "nuvem de luz". Com meu binoculo 15X70 percebo algumas estrelas se resolvendo.
A comparação entre M46 e M47 é um excelente exemplo de como dois aglomerados abertos podem ser diferentes ( com o binóculo e os dois no mesmo campo isto é evidente). M46 é muito mais denso que M47 mas como suas estrelas são mais tênues a paisagem é muito diferente. E também nos mostra como as coisas são relativas. M 46 esta  5.300 anos luz de nós . Seu brilho menos intenso é somente por causa da distancia de nós. Ele possui no minimo 180 membros e com 300.000.000 é um ancião em comparação ao jovem M47 (55.000.000 anos) . E este se espalha por mais de 40 ano luz.  M 46 é muito mais gracioso que M 47 quando observado pelo Newton.  Com estrelas brilhando entre 10a  e 13a  magnitude e ocupando quase a mesma area que seu vizinho comprar um ao outro é quase comparar vegetais com minerais... Uma flor e uma rocha.            Messier  descreveu o aglomerado  assim:
" (19 de fevereiro de 1771)  Aglomerado de estrelas muito tênues , sem nebulosidade. Este aglomerado é próximo a três estrelas que repousam na base da cauda de Monoceros."
M46 é um dos aglomerados abertos que mais gosto. Extremamente denso e com grande concentração apresenta diversas estrelas duplas e com um olhar atento revela mais e mais estrelas. É um excelente exercício para praticar sua visão periférica e descobrir mais e mais  segredos encrustados. Em telescópios menores ( 60 mm e etc..) le não chega a se resolver . com visão periférica uma poucas estrelas podem ser percebidas e uma estrutura "arenosa" parece se apresentar.
M46 apresenta claramente uma estrutura espiralada . E guarda ainda um segredo. Ao aumentar a magnificação ( com a 10mm eu começo a perceber[120X]...) pode-se notar uma pequena nebulosidade ao norte do aglomerado.
M46 e Ngc 2438-12X 15  seg.  A nebulosa Planetaria é evidente abaixo do centro do aglomerado

Trata-se de uma nebulosa planetária. Ngc 2438. Os restos de uma estrela semelhante ao nosso sol estão lá. É apenas uma coincidência. A nebulosa se encontra penas na mesma linha de visada . Ela se encontra muito mais próxima que o aglomerado a "apenas" 2900 anos luz. E é fruto de uma estrela muito mais antiga que as "mocinhas" que formam M46.  Assume-se que a bela nebulosa planetária começou a se formar a meros 46.000 anos. A estrela central que alimenta esta nebulosa brilha com uma modesta 16a magnitude.
Ngc 2438
Messier ou não percebeu ou não diferenciou esta nebulosa do aglomerado. Em seu catalogo  existem nebulosas planetárias.

 Mas isto já é uma outra história....

sábado, 24 de janeiro de 2015

Ngc 5617- " The Dracula Cluster"

     
            Ngc 5617 é um belo aglomerado aberto na Constelação de Centauros. Localizado a pouco mais de 1o de Alpha Cen é estranho que não seja muito mais visitado. Talvez por habitar tão próximo a  famosa estrela e em uma vizinhança marcada por DSO´s extremamente conhecidos ( Omega Centauro ,  Caixinha de Jóias e cia. Ltda. ) esta bela jóia fica um pouco esquecida.
        
crop de Ngc 5617.
                Outro detalhe é que mesmo tão próxima a um farol  obvio como Rigel Kent (Alpha Cen) a navegação até este porto pirata pode ser mais difícil do que  pode supor a vã filosofia. Durante muito tempo procurei por este tesouro e não o localizei. Chequei a ser enganado e acabei "descobrindo" Lynga 2 em seu lugar. Este um pequeno aglomerado aberto com pinta de asterismo e com menos estrelas, mas mais brilhantes que o original...  
                Ngc 5617 é conhecido também como " Aglomerado Dracula". ( The Dracula Cluster).
                Não consigo entender a razão e acredito ser mais um daqueles apelidos inventados pelo O´Meara e que só ele sabe a razão. Em seu Southern Gems ( um belo  livro que completa sua coleção Deep Sky Companions e aborda as melhores peças descobertas por Dunlop) e alega poder perceber o Vampiro com braços abertos esticando sua capa.  O aglomerado é a entrada de numero 69 em seu  livro. O minimo que posso dizer é que le é bem imaginativo.  
                Como já disse o aglomerado me ludibriou diversas vezes até que o conseguisse observar e fotografar. PaComo já disse o aglomerado me ludibriou diversas vezes até que o conseguisse obsrvar e fotografar. Partindo-se de Alpha Cen ele reside pouco mais de um campo ocular ( usando uma 26 mm em um Newtoniano 150 mm f8) a oeste da conhecida estrela dupla. Mas como sempre repito nem tudo é como parece ser e muito menos como achamos que é. E atualmente sempre que quero visitar o aglomerado eu parto de Alpha cen vou até Lynga 2 e deste um pequeno salto me leva até o aglomerado. caçar discretos DSO´s não é para impacientes e com um pouco de vontade e algumas tentativas você acabará chegando em 5617 de um modo ou de outro. Eu nunca consegui perceber o mesmo pela buscadora. Mas é provavelmente factivel em locais de céu bem escuro.
                 O aglomerado uma vez na ocular é inconfundivel. bastante concentrado e com dezenas de pequenas estrelas se resolvendo mesmo com pequenos aumentos ele é um espetaculo.  Trumpler o classificou como um aglomerado aberto I 2 r . O que significa que o mesmo se destaca bem do fundo galactico, possui um grande concentração central, uma larga escala de brilho em suas estrelas e posui muito membros ( mais de 100).

 A descrição feita por Dreyer também deixa bem clara a beleza de Ngc 5617.  Cl,L,pRi,pCM,st 8...que traduzindo em miudos significa que é um aglomerado (Cl), grande ( L), bem rico (pRi) , bem concentrado no centro ( pCM) e com estrelas de 8a magnitude e menos...


 rt
                Nossa jóia foi descoberta por James Dunlop em 1826 em seu levantamento feito em Canberra , Austrália. É a entrada de numero 302 em seu confuso e muitas vezes equivocado catalogo. Ele nos diz que trata-se de um aglomerado de pequenas estrelas de magnitudes variadas e consideravelmente concentrado em seu centro. com 4´ou 5´de diâmetro (cluster of small stars of mixt magnitudes, considerably congregated towards the centre, 4´ or 5' diameter). Ele observou este aglomerado duas vezes.
                O aglomerado é relativamente bem estudado e especialmente citado em papers que tratam de "Blue Stragglers" (um caminho evolutivo "diferente" para estrelas duplas...) . Com  80.000.000 de anos é um contemporâneo das Plêiades e sua distancia é alvo de alguma controvérsia .  É um daqueles casos de aglomerados que foram se afastando de nós conforme fomos melhorando as estimativas. Um interessante paper de 1967   diz que Raab nos dá uma distancia de 625 pc; Depois Trumpler fala em 1110 pc. Collinder recua para 850. Depois Barankhova fala em 900 e um tal de Waltenquist  diz que ele se encontra a 730. Em avaliações mais recentes os valores oscilam entre 5000 e 7500 anos luz.  Devido a sua posição na galaxia o "redenning " deste aglomerado é difícil de ser calculado e assim sua distancia é incerta...  1 Parsec ( Pc) é igual a  3,2616 anos luz.  "Redenning" é o desvio para o vermelho nas luz das  estrelas causado pela poeira entre nós... Os cálculos mais atuais se baseiam em variáveis cefeidas suspeitas de serem membros do aglomerado. 
                Utilizei diversas oculares na observação mais recente que fiz de 5617. Ele sobrevive bem a magnificação e com uma 10 mm ele quase enche o campo visual. Novamente o melhor resultado foi utilizando uma 17 mm  Não devido ao tamanho. A 17mm é minha melhor ocular e salvo alvos muito pequenos ou muito grande ela em geral é a melhor opção . Com a 26 ele se assemelha muito a foto sem crop apresentada acima e chega a ser discreto. Com atenção se percebe mais estrelas. O uso de visão periférica será útil . Pode-se perceber o colorido e a presença de estrelas vermelhas. Afinal já não é mais um garotão...

                Quanto as imagens foram realizadas cerca de uma dezena (o valor exato se perdeu nas anotações que eu não fiz...)  de fotos  com ASA 3200 e 20 segundo de exposição . A câmera utilizada foi uma Canon T3 não modificada e utilizando um newtoniano 150mm f8.  O alinhamento polar foi apenas suficiente.O foco idem. Como em geral acontece aqui no Nuncius Australis. Astrofotografia é a melhor diversão.
Foto analisada no Astrometry. O catalogo HD é incluido no Skychart ( Cartes du Ciel) e creio poder ajudar na localização ...
              Ngc 5617 é um belíssimo aglomerado marcado pela forte concentração central  e de grande riqueza. É melhor observado com telescópios e sua visualização com binóculos nunca me convenceu. Na verdade mesmo como o Galileu ( um refrator de 70 mm e f 13) eu nunca tive plena consciência da beleza deste tesouro.   Um novo favorito...






                

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Ngc 2669- Escondido no Falso Cruzeiro

           
                Quando falamos de aglomerados abertos a maior parte dos astrônomos imagina algo como as Pleiâdes. Ou quando um pouco mais conhecedores as Caixinha de Jóias. Outros sérios candidatos seriam o Presépio ( M44) ou ainda as Híades.
                Quando falamos de aglomerados abertos a maioria dos mortais não imagina nada.
                Mas a grande maioria dos aglomerados abertos são muito mais discretos que seus companheiros mais famosos.  E estes em geral são bem próximos.
                O nosso convidado esta noite é Ngc 2669. Um discreto habitante da constelação de Vela. Além de ser um pequeno aglomerado escondido bem fundo ao sul do céu tem como vizinho um grande e mais conhecido latifúndio. Isto fez dele um ilustre desconhecido. Não esta em nenhuma das listagens mais conhecidas e nem frequenta os mais tradicionais autores do gênero DSO. Messier nunca o avistaria de Paris. Era por demais tênue para ser avistado por Lacaille. Sua descoberta foi realizada por  John Herschel ( o filho ) em já no seculo XIX. Mais precisamente em 1834.  Dreyer inclui este em seu completíssimo New General Catalog publicado em 1888. Por aqui caia o Império...
                 Posteriormente foi incluído em catálogos mais obscuros como  Harvard (3), Collinder(202) , Lund (481) e outros ainda menos manjados... 
                Ele não é citado nem mesmo no Catalogo Caldwell. E passa liso por diversos autores mais modernos e sempre ávidos por novidades com Walter Houston , Phil Harrigton , O´Meara e Cia. Ltda.
                Mas é preciso corrigir esta injustiça. Em primeiro lugar por este não ser assim tão pequeno. tem cerca de 20´ de tamanho (um pouco menos que a Lua ) . Nem é tão apagado assim. Magnitude 6.1. E nem é tão difícil de ser achado.  E claro além de ser um belo pingente para a Coroa Austral.
                Ao Lado de Delta Velorum , no Falso Cruzeiro , esta talvez a maior ameaça a Ngc 2669. IC 2391. O primeiro DSO " descoberto" pelo Nuncius Australis.  Também batizado de Aglomerado da Pequena Cassiopéia em homenagem a constelação Boreal este espetáculo celeste se espalho por 2o de céu e brilha com magnitude  2,5. é facilmente percebido a olho nu mesmo em locais de intensa poluição luminosa.
                Se por um lado a Pequena Cassiopéia acaba com qualquer chance de fama para este singelo aglomerado ela também é o farol que torna localiza-lo bem simples.  (HD  74535)
                 As duas mais brilhantes estrelas que marcam o pé mais a leste do M que é formado por IC 2391 habitam o mesmo campo que  Ngc 2669.  Na buscadora você talvez não perceba o aglomerado mas as estrelas que o emolduram serão evidentes em qualquer instrumento óptico.
                Ngc 2669 foi duro na queda . Diversas vezes que o procurei ele não quis se apresentar. Outra vezes caiu vitima rapidamente. Quase sempre o percebi com meu 15X70. Menos em condições muito extremas   ( Lua cheia e forte poluição luminosa) . Mas provavelmente devido a seu tamanho não tão grande localiza-lo com um telescópio pode ser mais difícil que parece. Ele se apresenta discreto em oculares wide field. E com maiores ampliações pequenos desvios nos levam ao lugar errado. A região é rica em estrelas e você pode acabar se confundindo.
                Nunca conseguira o fotografar da Stonehege dos Pobres ( O Observatório mais Urbano do Mundo) . Mas  visitando a Armação dos Búzios eu decidi que isto iria mudar.  Fiz um ensaio na véspera da viagem com o 15X70 só para garantir que ele continuava por lá.
                No céu "escuro " rapidamente o tinha enquadrado. O alinhamento polar como sempre deixou um pouco a desejar. Mas fiz diversas exposições do próprio . A lua quase cheia . Mas ele se apresentou.
                Agora o trabalho era descobrir mais fatos a respeito do suspeito . Foi mais dificil do que parecia. Pouquíssimos papers o citam e quase nenhum é lá muito especifico. Ele sempre faz é um coadjuvante em amostragens com milhares de aglomerados abertos.
                Depois de muito fuçar localizei um trabalho realizado por N. Vogt e A. Moffat  do Instituto Astronômico Ruhr de  em 1972  ( publicado em  Astrophysiccs and Astronomy Suplemment  9 de 1973) onde estes levantaram dados fotométricos de 11 Aglomerados galácticos no hemisfério Sul celestial.  ( Southern Open Star Clusters II- UBV- H b photometry of 11 Cluster between Galactic Longitudes 259and 280o)
                Daí vem toda a ficha do Individuo.
                Ngc 2669 se localiza entre 3000 e 4000 anos luz de nós. Embora sem grandes certezas eles atribuem uma idade intermediaria para o aglomerado  devido ao numero de estrelas Azuis e Gigantes vermelhas, A idade do elemento é de 6x10anos ( sempre quis usar notação cientifica em meus posts... ) 
                 E é só . Os rapazes não se aprofundam muito nos aglomerados em estudo. Aliás todos pouco conhecidos. A maioria pertence ao Catalogo Pysmis. Acho que nunca observei nenhum membro deste aí...
6x25 seg +6 darks DSS Newtoniano 150 mm Canon t3 asa 1600
                O que vejo na ocular me leva a crer que trata-se de um aglomerado pouco denso e sem um grande numero de membros. Embora seja difícil determinar quem pertence de fato ao aglomerado eu conto entre 35 e 45 membros.   Quanto as cores a lua cheia lava bastante da informação mas consigo perceber algumas estrelas levemente mais avermelhadas.
                Ngc 2669 é um belo pingente e não deve ser desprezado quando você for visitar IV 2391. Um bom exercício seria fotografar ambos em um mesmo campo.  Eu ( preguiçoso) fiz um pequeno mosaico bastante tosco. Creio que possa ajudar na localização do Aglomerado em relação a IC 2319. Mas creio que com um telescópio wide field ou mesmo uma tele objetiva a tarefa seja relativamente simples.

                Como já falei Ngc 2669 é um belo pingente entre as jóias da Coroa Austral. Mas localiza-lo requer atenção mais especial que muito s abertos . Seria um cristal bem transparente...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Ngc 2360- Astronomia : Substantivo Feminino


                Caroline Herschel foi a primeira astrônoma profissional da história. Irmã do celebrado William Herschel ( descobridor de Urano e provavelmente o maior observador visual de todos os tempos) é uma espécie de eminencia parda. Uma gigante com cerca de 1,40 metros esta pequena grande dama trabalhou junta a seu irmão na elaboração do  catalogo que deu origem ao General Catalog. Um titânico trabalho reunindo mais de 2500 DSO´s no qual ela trabalhou como assistente de seu irmão e com subsidio do Rei George III. Ela recebia 50 libras por ano como assistente de William , seu mais querido e amado irmão.  (este ganhava 200 Libras como astrônomo Real. É incrível o que a inflação pode fazer pouco mais de 200 anos...)
                Caroline nasceu em 16 de março de 1750. É a oitava de 10 irmãos. Ainda criança foi acometida de varíola o que lhe legou sua baixíssima estatura e uma aparência pouco atraente, Aos 11 contraiu tifo. Se tornou uma sobrevivente. Mas reza a lenda que após isto nunca mais adoeceu. Foi  infatigável assistente de seu irmão. Cuidava da casa, das anotações , polia espelhos e tudo mais que fosse necessário para manter seu amantíssimo irmão despreocupado dos afazeres terrenos. Conta uma história que esta chegou a alimentar o próprio na boca enquanto este trabalhava polindo um espelho para seu mais novo telescópio durante 16 horas.
                William a presenteou com um pequeno telescópio e a incumbiu de procurar cometas. Também a instrui para  que ela também anotasse qualquer outro tipo de objeto interessante no seu caminho.  Tratava-se de um refrator que William considerava como uma espécie de buscadora. Com este modesto instrumento ( e posteriormente com um refletor de 90 mm)  Caroline descobriu  11 DSO´nunca antes observados. 
                Na noite de 26 de fevereiro ,1783 ela escreveu: " Logo após Gama Canis Maj uma nébula extremamente tênue.  As observações de meu irmão desta nébula: encontra-se aproximadamente a 3 1/2 graus de Gamma Canis Maj  " Amas de etoiles" ( como Messier referia-se a aglomerados abertos)  cm cerca de 1/2 graus e próxima a uma estrela de 7a ou 8a  magnitude. om 456 (aumento) conta-se 15 ou 16 estrelas que são todas excessivamente obscuras e parecem um pouco nebulosas; mas creio que isto se deva  a sua baixa altura e ao aumento excessivo. Com 227 ( aumento) conta-se entre 40 e 50 pequenas estrelas mais densas que em M93. Não é um Messier".
                No caderno de William Herschel  encontra-se esta versão e em seu catalogo ele atribui a descoberta da nebulosa a Caroline. Ele a inclui como a entrada VII. 12 de seu levantamento.. Seu filho John ( que organizou o GC [general catalog]) faz uma pequena confusão corrigida pelo próprio William que esta descoberta de sua tia seria  VIII. 8 ( atual Ngc 2358) . E desta forma garante que a descoberta de Caroline é Ngc  2360 ( GC 1512) .
3X15 seg+3 Darks - DSS +Noiseware +Photoshop

                Este belo e delicado aglomerado é a primeira descoberta original de Caroline. Como não poderia deixar de acontecer se tornou conhecido como o "Aglomerado de Caroline".
                O Aglomerado foi incluído por Patrick Moore em sua lista de "showpieces" celestiais que formam o Catalogo Caldwell . É assim também C 58.
                Quando atualizei o Stellarium e este passou a incluir o Catalogo Caldwell percebi rapidamente a existência deste aglomerado de nome sugestivo habitando na  fronteira de Cão Maior e Monoceros. Não poderia deixar de visita-lo.

                Localizar Ngc 2360 não é uma tarefa tão fácil como se pode imaginar. Localizado a cerca de 3 1/2 graus ao leste de Muliphen (Gama Canis Maj) é um discreto esfuminho em locais escuros junto a buscadoras. Eu não o percebi  com minha 9x50 mm. Omeara considera o aglomerado facilmente perceptível com binóculos de 7X35 mm. Ele observa de mais de 1500 metros de altitude e com um céu bem mais escuro que de Búzios ou do Rio de Janeiro.  Muliphen em si é uma estrela de 4.3 Magnitudes e é difícil de locais com forte poluição luminosa. Assim inicio minha jornada em Sirius e utilizando a minha ocular de 26 mm e o Stelarium ao meu lado faço um longo Starhopping que passa por 20 CMa dai até Muliphen e daí no instinto até o Aglomerado. No processo acabei fotografando um pequeno asterismo que me enganou na primeira tentativa. repetidas vezes me deparo com o mesmo e acabo descobrindo ser formado por 4 pequenas estrelas por volta de 9a magnitude .

Asterismo guia...













                 Elas me recordam um pouco Ngc 5138 em Centauro. Com auxilio do Stelarium descubro que estou a meno de 1/2 grau do Aglomerado de Caroline e assim acabo chegando ao meu destino.   Na verdade partindo de Sirius calcule um salto por volta de 1 campo e meio de buscadora e "desça rumo ao horizonte leste. Ou Usando uma ocular wide field calcule  os seus pulinhos utilizando o Stelarium ou um programa similar e depois passeie rumo oeste só um "pouquinho". A persistência irá acabar vencendo e você chegará lá... O Adm. William Henry  Smith em seu "Cycle of Celestial Objects" propõe um outro caminho. Imagine uma linha se estendo 8 graus a partir de Sirius em direção ao aglomerado ( leste-Nordeste ) . Depois Imagine uma outra linha que passe por Aldebarã e Bellatrix . Onde as linhas se interceptam esta o aglomerado.  Não é uma navegação das mais simples de qualquer forma. Demorei dias tentando achar e fui ludibriado diversas vezes por campos estelares e asterismos diversos. Esta região da Via Láctea é rica em estrelas de 10a magnitude .
                O aglomerado propriamente dito é inconfundível e apresenta um núcleo mais concentrado e fileiras de estrelas escapando do mesmo como em espiral. Cada autor que consulto vê algo diferente. O´Meara diz nos ver um pequeno rato com cauda e tudo. E ressalta que Barbara Wilson salienta um formato pentagonal no mesmo. 
                Observei o aglomerado com diversas oculares. Sando pequeno ele gosta de grandes aumentos . A melhor visão do mesmo eu obtive com 120X. Utilizando minha 26 mm (46X) ele não chega a se resolver na integra e pode até mesmo passar desapercebido por um olhar menos atento. Com minha 17 mm ele começa a se resolver .
                O aglomerado contem 91 estrelas ( Archinal) e se espalha por 15 anos luz.  Sua estrela mais brilhante possui magnitude 10.4 e seu membro mais apagado é uma discretíssima estrela de magnitude 17. Isto faz que os limites do aglomerado sejam um pouco difíceis de se determinar em uma área da Via Láctea , como já dito, rica em estrelas desta magnitude. Já é um ancião em tratando-se de  um aglomerado galáctico. 2.2 bilhões de anos . diversos de seus membros caminham na região das gigantes vermelhas de seu diagrama HR. Foram encontradas também algumas Blue Straglers ( estrelas que consumindo outras parecem ser mais jovens do que realmente são...) .
                É um interessante e antigo aglomerado que ainda por cima nos leva até Caroline Herschel ." A  primeira astrônoma profissional".

                E nos lembra que astronomia   é um substantivo feminino. 

Eta Carina Reloaded

           
           


           A Grande Nebulosa de Eta Carina é um dos mais impressionantes DSO´s de todo o céu. A maior jóia da Coroa Austral. Já fiz um grande post a respeito da moça. Neste apresentei sua história cheia de reviravoltas e lances explosivos ( literalmente). E pincelei a cosmologia envolvida na estrutura.
            Desta vez vou contar a história de uma foto. Na verdade de varias fotos.
            O fim de ano é sempre tempo de astro fotografia no posto avançado do Nuncius Australis. Em ambiente mais propicio a pratica da "difícil arte" que na Stonehenge do Pobres eu não poderia perder a chance de visitar a grande dama cm o Newton ( um refletor de 150 mm). E assim obter algumas fotos um pouco mais dignas que as do ano passado realizadas com o galileu ( um refrator de 70 mm e de óptica pedestre...) .
            Como já contei o posto avançado apresenta obstaculos distintos da fotos que realizo no Rio de Janeiro. Geribá é uma espécie de área suburbana na Armação dos Búzios . Durante a Lua cheia  as condições do céu são algo como Bortle 6/7. ( Veja Escala Bortle)
            Com Eta carina do lado oposto a  lua e com um alinhamento polar recem afinado eu decido revisitar a nebulosa por volta de 00:30 de 8 de janeiro de 2015. A observação visual não chega a ser alentadora. Se percebem muitas estrelas mas a nebulosa em si esta bem lavada e é discreta. A olho nú não chego a perceber nebulosidade nenhuma na região. E com uma ocular 25 mm ela se destaca apenas utilizando visão periférica. Na verdade precisei fazer um certo star hooping a partir das Plêiades do Sul para localiza-la.
            Depois de centralizar esta na ocular substituo a 25 mm pela câmera. Como a noite esta bastante ventosa prefiro apostar em exposições bem curtas e subir um pouco a ASA. Neste fim de ano estava tentendo realizar as astrofotos utilizando exposições mais longas ( de até 1 min. A maioria com 30 seg...) e ASA mais baixa. Mas com até os galhos mais grossos da Aroeira que adorna o portão da casa balançando fortemente nas rajadas mais fortes do nordeste que limpava as nuvens eu decidi que 15 segundos e 3200 ASA seriam um método mais conservador e efetivo. O vento é um adversario terrível para astrofotografia. É como  um "pé de gancho" ( cidadão que esbarra em tudo...) rondando o seu telescópio. 
             De mais de 50 exposições realizadas só passaram pelo meu frouxo controle de qualidade 27 das fotos. O alinhamento polar estava bem honesto . Mas o vento ....
            No Processamento das 27 fotos só passaram 22 destas pelo mais rígido controle de qualidade do Deep Sky Stacker.
            Fiz duas versões das fotos neste programa . Uma sem nenhum Dark frame e outra com 17 dark frames. Ao contrario de o que se poderia imaginar a diferença não chega a ser imensa. Como não havia realizado darks na noite eu resolvi fazer alguns com a maquina utilizando uma lente 18-55 mm com a tampa na frente e com esta utilizando f8 como obturador ( o equivalente a razão focal do Newton). Vivendo e aprendendo e as fotos não servem como darks . São rejeitadas pelo DSS. Este alega que o tamanho ou outra variável não é compatível com os Light frames gerados. Retiro a lente e a coloco a tampa do corpo da Canon T3 acoplada e refaço os darks. Agora sim...
Canon T3 Newtoniano 15o mm de diametro 1200mm DF- 22 Light Frames 15 seg -22 dark frames Empilhadas no Deep Sky Stacker e posteriormente visitando o Noiseware.

Sem Darks e sem noiseware

            Apesar de estrelas não exatamente redondas fico feliz com as fotos . A região coberta pela nebulosa é imensa  (bem maior que M42) e diversas estruturas associadas a nebulosa se apresentam. A Keyhole Nebula é evidente .O Homunculus também e  diversos dos abertos que abundam na região se apresenta evidentes.
            Não poderia deixar de realizar um alinhamento também utilizando o bom e velho Rot n´ Stack. Apesar de menos poderoso que o DSS é um software que tem suas qualidades e seus logaritmos apresentam sempre resultados diferentes.  E ele sempre aceita todas as fotos. O controle de qualidade do mesmo é inexistente... O que as vezes garante efeitos mais pirotécnicos que fotográficos. Eu que gosto de Pop Art me divirto muito com o mesmo...
Rot n´Stack modo mean

           
Modo Sort... 
O Newton é uma telescópio com 1200 mm de distancia focal. Estou a me convencer que a EQ 3-2 funciona em seu limite máximo com tal set up. Na verdade um pouco sobre carregada. Mesmo com um alinhamento polar cuidadoso é rara a foto "perfeita". O erro periódico é bastante grande. Mas fico feliz de conseguir manter o meu hobby na seara do barato. E mais feliz ainda com as fotos . São um belo registro da maior jóia dos céus austrais.


P.S. Localizei entre as sobras do fim de ano uma foto que não sabia de onde era. Com auxilio do Astrometry descobri tratar-se de um dos campos estelares que compõe 3372 ( A nebulosa de Eta Carina..) . Para não deixa-la perdida no HD a adicionei aqui