segunda-feira, 29 de junho de 2015

Mme. Herschel encontra Nix: Primeira Luz

          
         Como era de se esperar a primeira luz da HEQ 5 Synsscan ( doravante batizada  Mme. Herschel)  foi  bastante atribulada. Já esperava apanhar bastante. Utilizar uma buscadora polar implica em diversos procedimentos técnicos que desconhecia. Tais como ajustar todos os círculos do telescópio. Técnicas como "zerar" minha longitude e outros segredos cabalísticos me foram apresentados. Depois de passar a tarde junto a manual da montagem e me preparando para o realizar o "melhor" alinhamento polar de minha vida  fico aguardando a chegada de Nix.
                Enquanto ela não vem me debruço sobre o Manual do Synsscan.
                Nix ( a personificação da noite e uma deidade) é filha do Caos  , a segunda criatura , seguida de seus filhos Gaia ( Mãe Terra) , Tártaro ( as trevas abismais), Eros ( o amor da criação) e Erébo ( a escuridão) a emergir do vazio. É assim uma das forças primordiais de onde surgem o restante das divindades gregas.
                É em tão nobre companhia  que me preparo para conectar o cabo que liga Mme. Herschel ao controle do Synscan  e começar  a brincadeira.  Devo também liga-la a tomada utilizando a fonte que vem com o conjunto...
                Rapidamente percebo que a a estabilidade da nova cabeça em comparação a antiga EQ 3 é de uma ordem de x100. Sendo x um valor qualquer positivo que se atribuiria a estabilidade da velha cabeça.  Percebo também que a Stonehenge dos Pobres diminuiu de tamanho.  Me lembro também que Nix é nascida do Caos e que este é meu padrinho de crisma.  Utilizando meus músculos e descobrindo que posso controlar a cabeça utilizando as setas no controle  do Synsscan com o LCD deste apenas me apresentando qual é o firmware que esta instalado nele enquadro uma qualquer estrela brilhante.
                Por enquanto também estou preocupado em saber se vou obter foco  com o novo focalizador que instalei recentemente  e  faço desta minha primeira providência. Curiosamente o foco com a DSLR ( Câmera fotográfica)  é tranquilo . Mas já o foco para observação visual é quase na máxima extensão deste.  E assim a primeira foto de Mme. Herschel é modestamente uma única exposição de  Alpha Musca.


                Nix é também patrona das feiticeiras e das bruxas e com a chegada de minha esposa e de meu filho do clube as luzes da casa são acesas e a Stonehenge dos Pobres interditada. O primeiro round acaba com a Mme. Herschel vencendo por pontos. A menos consegui  balançar sua  cabeça e ouvir o som que ela canta...
                Mais tarde, com um filtro vermelho na lanterna de meu celular, eu me sento no escuro sobre uma três tabelas com o Manual do Synsscan na mão e parto para tentar algo mais elaborado.  Seguindo o manual passoa a passo aperto o Enter com o LCD  apresentando novamente o Firmware que esta instalado. Deveria ter me concentrado mais na parte anterior do Manual. Na que se refere na instalação do seu "Observatório".    De qualquer forma, os próximos passos  são bastante óbvios e para Mme. Herschel funcionar  com  toda sua potencialidade  basta  apenas seguir o que ela ( e os cabeçalhos no LCD...)  lhe pedir. Posição geográfica , data , hora  e etc...
                Finalmente você deve escolher o método de alinhamento que vai utilizar. Uma estrela , duas estrelas ou três estrelas.    Lendo o manual percebo que o método por uma estrela implica em um alinhamento polar muito bem feito. Com duas e  pretendendo-se  apenas observar visualmente este pode ser mais generoso. E o com três não é viável devido as limitações espaço-geo-visuais de meu modesto observatório.
                Escolho o método de uma estrela. Escolho Acrux.  Mme Herschel faz seus sons que me lembram um braço robótico e se move lentamente. Termina apontada para o Lustre da Sala. Fiz algo muito errado.
                De volta ao manual , logo no começo, percebo que errei o obvio. Depois de realizar o alinhamento polar ,que foi feito mais no sentimento do que utilizando a buscadora polar ( já que as estrelas que formam o asterismo que devo alinhar com o retículo desta são muito tênues para sobreviverem a PL da obra do metrô ) devo colocar o telescópio também apontando para o Polo Celeste... Muito burro!!!
                Tento de novo e lá vai ela em direção a Acrux novamente. Bem próxima desta vez. Faço um primeiro ajuste ainda com a buscadora.  E depois pela ocular. Errei novamente e deu um alinhamento meio mandrake. Confirmei antes de Acrux estar perfeitamente centralizada na ocular. Ingênuo que sou tento a sorte e peço para me mostrar Ngc 4833. Percebo na hora que o telescópio estaria apontando para qualquer coisa menos o modesto Globular em Musca.
                Evidentemente a maior precisão da cabeça implica em um alinhamento polar muito mais elaborado.
                Homero se refere a Nix como " A Domadora de Homens e Deuses" e eu já exausto decido tentar apenas mais uma vez antes de recuar para lutar outro dia. Escolho Mimosa como estrela guia para o alinhamento . De novo no campo da buscadora . Bem perto. E peço que me leve até a Caixa de Jóias . Perto... 


                Faço apenas algumas fotos  para confirmar que o alinhamento polar terá de ser feito com mais seriedade e que Nix já vai tarde  levando junto o meu foco com ela.   Mas percebo que Mme. Herschel funciona e é uma plataforma muito estável e eficiente. Acho incrível como tudo permanece parado no LCD da Câmera ( mesmo com zoom) enquanto tento fazer algum foco. E como tudo fica parado mesmo quando fuço nos controles e menus da câmera.


                Foi uma surra gentil...   Um bom jogo treino.


Obs: O quadro que abre este Post chama-se "Nix e o Gênios do Estudo e do Amor" e é de autoria de Pedro Américo. - Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro.

sábado, 27 de junho de 2015

Desconstruindo Newton

             
             Com a chegada da minha nova cabeça equatorial SkyWatcher  HEQ 5 SynsScan o Newton teve que passar por um check-up completo. Meu bom e velho telescópio já lutou muitas batalhas e finalmente foi atingido ainda que de forma não letal. É sempre importante lembrar que a maioria das pessoas não possui o mesmo carinho que você por suas tranqueiras astrônomicas e ao deixar seu telescópio aos cuidados de terceiros coisas impensáveis podem acontecer. E assim em uma volta de Búzios aos cuidados de meu irmão e minha esposa o focalizador do mesmo acabou se empenando. E Depois de uma desastrada tentativa de "ajuste" acabei  indo além do chamado PNR ( abreviação para "point of no return" ). Perda total...
                Como sempre peças de reposição para um telescópio não são ,exatamente , fáceis de serem achadas na Terra Brasilis. Depois de muito pesquisar e de só encontrar Focalizadores Dual Speed por preços absurdos acabei encomendando um modelo de cremalheira semelhante ao original de um fornecedor chinês.  Chegou diretamente no correio mais próximo . Foi taxado. Com tudo incluído saiu por aproximadamente R$300,00.

adaptador com t- ring instalado
Adaptador feito a partir do anel do velho focalizador

                Este não vinha com a rosca necessária para adaptar meu T-Ring.  Rapidamente canibalizo os restos do velho focalizador e com a ajuda de um torneiro mecânico refaço uma de suas roscas para a bitola do novo focalizador e por mais R$ 50,00  tenho um novo adaptador e posso voltar a sonhar com as fotos que vou tirar com minha nova , sensacional e computadorizada cabeça. Já falei por aqui que astro fotografia é a parte  mais cara de um hobby não muito barato...
                Ao retirar o antigo focalizador  percebi que meu espelho secundário se encontrava imundo. Em rápida inspeção decidi que o Primário também.
                Desconstruir o Newton se faz necessário. Em tese uma tarefa fácil. Mas desmontar todo seu telescópio sempre é algo emocionante. Retiro o secundário e sua aranha sem nenhum sobressalto. O primário tem uma parafuso que em um descuido acaba com a cabeça espanada. Lá vou eu com uma serra de arco abrir uma fenda em um finado parafuso tipo Phillips.... Depois deste pequeno esquartejamento finalmente tenho todas as peças desmembradas da OTA ( Optical Tube Assembly ou "o tubo do telescópio"...)  e vou começar os trabalhos mais delicados .

                Reza a lenda que não se deve limpar seus espelhos a não ser em ultimo caso. Era o caso e aproveitando que teria que refazer a furação para o novo focalizador desmontei o Newton inteiro e submeti a sua ótica a uma faxina completa.  Um pincel fotográfico e Rosco Tissue ( um papel especial para limpeza de lentes fotográficas) e esta feito  o serviço. Nenhuma das desgraças descritas em vários livros ou sites aconteceram. Espelho limpos e funcionando. Nada demais...   Nenhum arranhão ou danos ao coating. Embora alguns autores defendam que seus espelhos nunca devem ser tocados , limpos ou até mesmo que se olhe para eles me parece um certo exagero. Trabalho as vezes com lentes que custam mais caro que quase qualquer telescópios e com assistentes de câmera mais xiitas que qualquer ATM. E eles limpam esta lentes... Com muito cuidado e Rosco tissue. Parece que isto basta.

                Aproveitando que o secundário e sua aranha foram retirados para faxina refaço a furação para o novo focalizador.
Caneta branca...

Verruma

                Desde minha mais tenra infância sempre adorei comprar ferramentas. Com uma reforma em andamento e o Newton sendo desconstruído não podia perder esta oportunidade. Na verdade desmontar todo o telescópio , limpar suas lentes e instalar um novo focalizador era uma desculpa boa demais para não comprar alguns brinquedos . Em rápida visita a uma loja de ferragens comprei um jogo de brocas acompanhado de uma daqueles Jogos de chaves universais e uma nova parafusadeira.  Fazer a nova furação para o focalizador era a tarefa que mais me preocupava. E assim pensei bem como realizar a operação . Cheguei a conclusão que minha furadeira talvez fosse muito potente para o serviço. E assim uma parafusadeira faria o serviço de forma mais gentil. Utilizei uma caneta branca para marcar a posição dos furos . Depois utilizei uma verruma para iniciar a furação . Somente uma guia  . Depois utilizei uma broca 2,5 para iniciar a furação e depois uma de 5 para terminar o serviço.  Sucesso total e o novo focalizador esta instalado. Achei que este tinha um pouco de jogo na engrenagem e então a abri. Um pequeno martelo de joalheiro permite um "ajuste" nas pequena tiras de latão que seguram a peça ao focalizador e ele fica a contento.


Novo focalizador instalado
                Uma das partes da astronomia amadora que mais respeito é justamente esta junto a oficina. Com  as dificuldades para se obter peças e acessórios no Brasil é fundamental ao amador ser um pouco torneiro, marceneiro , joalheiro e um rei do  gatilho...
Pronto para fotografar...
                Depois de desmontar o Newton inteiro e monta-lo de novo faltava apenas colimar. Como a parte ótica foi toda mexida, montada , desmontada e participado de uma tremenda festa com um novo focalizador comandando as pick ups a colimação foi um pouco mais delicada do que normalmente. Ainda estou aguardando que Newgear se canse para poder chegar se ela esta digna e a altura para a inauguração da HEQ 5 SynsScan.  
              Acho que ela vai se chamar Caroline...
              

                

domingo, 14 de junho de 2015

Skywatcher HEQ 5 SynsScan- A Chegada




          Irão fazer 10 anos desde a compra de meu 1o telescópio. Um Celestron Fisrstscope 70mm que me acompanha até hoje e que acabou sendo carinhosamente batizado como Galileu. Estou com ele até hoje embora sua montagem EQ1 esteja guardada em algum lugar desconhecido de minha casa. Não a utilizo desde 2010. Foi neste ano que adquiri o Newton (um refletor de 150 mm).  Este veio acompanhado por uma EQ 3 e a velha e  bamboleante montagem foi aposentada.
            A EQ 3 foi uma companheira fiel e serviu de plataforma honesta para meus primeiros passos na "dificil arte" da astrofotografia e também nos caminhos celestes. Acompanhado desta e do Newton refinei minhas técnicas do starhooping e descobri as delicias da caça. Localizar discretos objetos de céu profundo apenas usando minha buscadora, um ocular wide field , paciência e teimosia...
            Durante anos achei que estes eram os meios justos para a pratica astronômica e imaginava que Lacaille, Dunlop , Messier , Herschel e outros grandes astrônomos haviam visto muito mais do que eu possuindo recursos muito  mais escassos do que os meus.
            Mas os anos foram se passando e cada vez mais minhas noitadas de observação descambaram para  a captura de imagens. E então me vi em uma encruzilhada. Ou eu aceitava que precisava de uma montagem mais precisa ou teria que me contentar com capturas no máximo aceitáveis de objetos brilhantes. 
            Outra coisa que me incomodava é que apesar de já conhecer bem os céus , as constelações  e mesmo identificar estrelas de 5a  magnitude com bastante facilidade as vezes perdia uma noite inteira para localizar 2 DSO´s em áreas mais obscuras do firmamento. Ou mesmo não localizar...
            Acho fundamental para o astrónomo noviço esta fase. Não recomendaria a nenhum iniciante começar suas aventuras utilizando uma cabeça com o recurso de Go-To. Ao queimar esta etapa do seu aprendizado ele não só vai se fazer um astrônomo menor como não vai aprender o que o faz um astrônomo de fato. O objetivo maior da astronomia é conhecer os céus e saber como navegar pelas estrelas.
            A astrofotografia é sem duvida uma das facetas mais fascinantes do hobby. Mas é importante não torna-la um fim em si mesma. Antes de ser um astrofotografo é fundamental ser astrônomo. Conhecer a natureza dos objetos fotografados é condição sine-qua-non até mesmo para saber como e que técnicas utilizar para capturar suas imagens. Saber ótica e como se comporta o espectro eletro magnético não só é mais importante que as fotos que você venha a fazer como é fundamental para que consiga capturar as nuances de cada DSO que pretender fotografar.
            Posto isto dei o braço ( e a conta bancaria) a torcer e comprei minha nova cabeça. Uma HEQ 5 Synscan da Skywatcher. Uma maravilha tecnológica. Milênios de sabedoria, Galileu, Kepler e Newton se encontrando em um artefato humano ( ganha uma lata de presuntada quem adivinhar  o nome do meu futuro telescópio... Ainda que faltem pelo menos dez meses para eu poder pensar nisto) .
            Agora que já observei todo o Catalogo Lacaille , boa parte do Messier e algumas entradas obscuras do Ngc acho que estou pronto para aproveitar as mordomias de um Go-To. E finalmente fazer as fotos que sempre quis.
            Não posso aqui deixar de agradecer o Armazém do Telescópio que realizou a entrega em um prazo muito inferior ao combinado e por um preço inferior ao do Estados Unidos. Achei a cabeça oferecida por US$ 1245,00. Ao cambio atual isto seria algo em torno de R$ 3980,00. Paguei R$3590,00 mais frete. Em 10X sem juros. Inacreditável. Não é barato . Mas é justo.
            Parece que dei sorte. O site agora apresenta a mesma como esgotada. Acho que levei a ultima. Quando comprei havia uma previsão de chegada a partir de 11 de Julho. Qual foi minha surpresa quando chego em casa 12 de junho e estão lá as duas caixas que trazem o conjunto.
            Em uma das caixas vem o novo tripé e dois contrapesos. Na outra a cabeça e os eletrônicos envolvidos. Inclusive uma fonte que não constava na  descrição do produto na loja americana.
            Parece que dei sorte. O site agora apresenta a mesma como esgotada. Acho que levei a ultima. Quando comprei havia uma previsão de chegada a partir de 11 de Julho. Qual foi minha surpresa quando chego em casa 12 de junho e estão lá as duas caixas que trazem o conjunto.
            Em uma das caixas vem o novo tripé e dois contrapesos. Na outra a cabeça e os eletrônicos envolvidos. Inclusive uma fonte que não constava na  descrição do produto na loja americana.
       
            A HEQ5 não é simplesmente uma EQ5 com kit go-to. Ela possui componentes de melhor qualidade que proporcionam um acompanhamento mais preciso e suporta mais carga sua irmã menor. Seu peso total sem os contrapesos é de 15 kilos. E possui 9.024,000 passos por revolução. O peso máximo indicado é de 13,7 kilos. O que faz o Newton um bom companheiro. 
            Não resisto e monto a cabeça no tripé e começo a fuçar. Minha primeira surpresa é que a mesma vem equipada com uma buscadora polar já instalada e que serve a ambos os hemisférios. Demoro um pouco para descobrir que tenho que alinhar a mesma com o buraco no eixo dos contrapesos. Apesar desta vir com um dovetail o antigo se encaixa perfeitamente. Ainda não decidi se vou trocá-los.
            É claro que Newgear e o Paradoxo quedefende os segredos do universo  se apresentaram e o tempo não só esta nublado como eu tenho uma viagem marcada para Salvador que irá durar uma semana a fim de  realizar um comercial de produtos de beleza com uma certa cantora. Depois disto  3 diárias filmando um reallity show...
            Astrofotografia é a parte mais cara do hobby. Mas poder realizar exposições de mais de um minuto, sem ter de descartar 90% das fotos, vale cada centavo.
            Me resta começar a ler o manual e descobrir que terei de rever alguns conceitos como alinhamento polar, alinhamento do telescópio, alinhamento da buscadora com o telescópio,  da buscadora com  e outras "cositas más" para aproveitar toda a potencialidade de minha nova cabeça.
            Quanto ao Synscan e como controlar tudo utilizando meu laptop será mais um desafio. Já sonho em realizar alinhamentos utilizando 3 estrelas e chegar a DSO´s novos apenas teclando alguns comandos. Parece que ao final minha parca flexibilidade será desnecessária. Minha lombar já agradece...  
            Assim que a maratona em busca de recursos financeiros terminar irei para Búzios fazer o test drive da HEQ 5 Synscan. E provavelmente levar uma surra dela. Vai ser divertidíssimo...

              

domingo, 7 de junho de 2015

M 25 - O Aglomerado de Cecilia

         




         M 25 é provavelmente um dos mais interessantes aglomerados abertos de Sagitário. Mas que  novamente por um daqueles acasos sem nenhum compromisso com as leis fundamentais do universo me chamou atenção.
            Mas certos acasos são tão coincidentes que parecem ter algo mais profundo escondido atrás deles. Não tem. Mas que parecem parecem.
            Recentemente participei da filmagem de algumas chamadas para um a TV a Cabo para divulgar uma importante campanha da ON Women (ONU). He for She ou Eles por elas.  Busca dar visibilidade a questão da igualdade de generos.          
          Pouco depois disto fiz algumas fotos desavisadas de M 25. Passeando descompromissadamente com a buscadora por Sagitário logo após de ter fotografado M 8 para o Projeto Lacaille eu buscava M 22 ( Outro Objeto Lacille) para fotografar . Esbarrei em um evidente aglomerado aberto e realizei algumas exposições. Tinha quase certeza tratar-se de M21. Mas estava equivocado. Uma visita ao Astrometry me mostrou isto acima de qualquer duvida... Já o havia observado mas sem muita atenção.
            Como é praxe ,sempre que observo mais a fundo,  fiz alguma pesquisa a respeito e no site de Hartmutt Frommert acabei chegando a uma colocação bastante curiosa a respeito de um dos membros do nosso aglomerado:  " Entre seus membros se encontra U Sagittarii. Uma variável do tipo Delta Cephei , que possui um período de 6.74 dias. Um período tipico para estas variáveis " em nossa vizinhança" como foi explicado por Cecilia Payne."     
            Cecilia Payne (posteriormente Cecilia Payne Gaposhkin) foi um exemplo para a igualdade de gêneros. Mais um membro da linhagem que remonta a Hipatia de Alexandria e que nos lembra que astronomia é um substantivo feminino.  E foi também uma pioneira na luta pela tal igualdade.  Estudante de Cambridge ela viu a famosa palestra de Eddigton sobre a ocultação não tão oculta assim de uma estrela durante um eclipse solar e que comprovou observacionalmente a Relatividade de Einstein.  Isto a marcou. Decidiu a tornar-se uma astrónoma. Como nos anos 20 Cambridge não conferia diploma para mulheres ( só o fez em 1948)  ela migrou para os Estados Unidos em 1923 e adentrou a atual Faculdade de Harvard com de uma bolsa obtida através de Harlow shapley ( diretor do observatório de Harvard) que visava encorajar mulheres a estudar no Observatório. E Assim ela acaba se juntando e obtendo dados junto as "Calculadoras de Pickering". Este era um grupo de mulheres que analisava o espectro de estrelas para Edward Pickering. Estas capitaneadas por Annie Cannon Jump ( criadora da escala de classificação estelar ainda em uso ) e onde Henrietta Lewwit também fez histórias ao descobrir a variáveis cepheidas e sua "habilidade" para determinar distancias no nosso universo. Um grupo que por si só já demonstra quão a campanha He for She é justificada...
            Mas o grande feito de Cecilia é descobrir que as estrelas ( e o Universo) são basicamente compostas de Hidrogênio e Helio. Isto ia contra a crença na época de que as estrelas teriam uma composição química semelhante (inclusive em relação as proporções) a crosta terrestre. Sua tese "Stellar Atmosferes" comprova isto. Mas ela é aconselhada por Henry Norris Russel a renegar esta certeza para não bater de frente com as idéias pré estabelecidas e outros "grandes nomes " de sua epoca. Ela acrescenta uma pequena frase em sua brilhante tese deixando em duvida que as quantidades de hidrogênio nas estrelas derivadas de seus cálculos e experimentos seriam ( ou poderiam ser...) equivocadas. Mas se você ler a tese vai ver que isto é mais uma manobra politica que uma conclusão. Eu li a tese . É um trabalho maravilhoso e mesmo para quem não é do ramo é em muitas partes acessível e esclarecedor. Otto Struve ( das estrelas duplas...) fala que :  "... a mais brilhante tese de doutorado já escrita..."
            Posteriormente Payne é a primeira mulher a ser nomeada professora interina em Harvard . E depois chefe de departamento...
            O remake de "Cosmos" dedica um de seus capítulos as descobertas de Cecilia  Payne, O vi junto com minha filha tentando convence-la de que ciência também é coisade menina depois de um boletim bastante "colorido". Ela parece estar precisando de mais "igualdade de generos" que eu... Muitas coincidências para não me chamarem a atenção.
            E assim volto  a M25 . O aglomerado foi descoberto por Cheséaux entre 1745-46. Messier o inclui  em seu catalogo em 20 de Junho de 1764. posteriormente ele se torno o unico Objeto do catalogo Messier a ganhar um numero IC. O catalogo IC é uma continuação do Catalogo NGC e M25 é também IC 4725. 
            A entrada de Messier em seu catalogo: " [observado em 20 de junho de 1764] Aglomerado de tenues estrelas próximo aos dois anteriores (M 23 e M24) , entre a cabeça e a ponta do arco de Sagitário. A estrela conhecida próxima a este grupo é Flemsteed 21. As estrelas neste aglomerado são dificeis de se observar com um simples refrato de três pés. Nenhuma nebulosidade é visível. Sua posição foi determinada  a partir de m Sagittarii." No IC consta apenas : " Aglomerado , bem condensado".
            M25 é composto por cerca de 600 membros que se espalham por aproximadamente 25 anos luz. cobre 30´ de grau de firmamento. 
            Localiza-lo é relativamente fácil e alguns autores alegam poder perceber membros individuais mesmo a olho nu em locais bem escuros. Acho bastante otimismo... A Magnitude do aglomerado é de 4.6.  Se encontra a 2 mil anos luz da nós.
            O ´Meara nos diz que o aglomerado lhe lembra uma abelha. Não consigo realizar isto. Mas cada um vê o que quer...
            M 25 tem uma idade estimada em 90 milhões de anos. Uma estrela alaranjada que se encontra próximo a este não é um membro verdadeiro e que poderia indicar uma idade mais avançada.

            Localizar M25 não é difícil e em se passeando pela região próxima ao topo do "Bule de Chá" ( Asterismo que identifica a constelação de Sagitário ) com uma buscadora ótica de qualquer tamanho ou mesmo com pequenos binóculos ele vai se destacar.


              Ao contrario das capturas de M7 e M6 realizadas na mesma noite M25 sobreviveu melhor ao ruido causado pelas 6400 ASA. E assim o Deep Sky Stacker aceitou empilhar as 6 fotos feitas dest DSO e não apresentou resultados finais da classe " Desastres Binarios". Apesar de forte vinhetagem foi possivel obter alguns resultados interessantes com o auxilio do Photo Shop. As capturas foram realizadas utilizando uma Canon T3 em foco primario em um refrator de 70 mm f 13 montadas em uma cabeça EQ 3. O Newton ( meu refletor de 150 mm) esta no estaleiro aguardando um novo focalizador .  Abaixo apresento alguns processos de pós e os diferentes resultados obtidos. Tenho estado mais interessado no assunto depois de encomendar uma cabeça HEQ 5 que deverá chegar em julho. Começo a me imaginar capaz de realizar astrofotos melhores e até de me ver fazendo Flat frames , Bias e etc... 
1 frame de 30 segundos - 6400 ASA.

6 frames de 30 segundos + 4 Darks  Com apenas uma correçaõ de RGB no DSS. Forte vinhetagem e muito ruido. E eu de novo com preguiça de capturar flat farmes...

Mesmos frames depois de  cropados e terem curvas , níveis e contraste ajustados no Photoshop. Ainda apresentam ruido e vinhetagem. A foto que abre o post tem um tratamento semelhante mais achei um pouco melhor e apresenta uma área menor de céu... Nenhuma das fotos foi submetida ao Noiseware. Tenho andado com uma certa implicância deste que troca ruido por uma espécie de  "foco doce". Ou Blur ( Borrado)  Gaussiano  como preferem alguns...

           M 25 é um belo e rico aglomerado e que por um acaso eu passei a chamar de o "Aglomerado de Cecilia". Totalmente por acaso...





quarta-feira, 3 de junho de 2015

M 7 - O Aglomerado de Ptolomeu

           

               M 7 é um dos DSO´ de mais longo registro histórico. A evidente nébula na cauda de Escorpião é certamente percebida a partir  da mais remota antiguidade quando algum representante do gênero Homo olhou para o céu com um pouco mais de atenção que seus antepassados símios. Seu primeiro registro histórico remonta a Ptolomeu. Em seu Almagesto  ele se refere a ele como " uma nébula que segue o ferrão do Escorpião".  Vem daí o seu mais formoso apelido.  O Aglomerado de Ptolomeu". Este nome foi proposto há alguns anos atrás por Hartmut Frommert e parece que pegou.
                Depois de Ptolomeu o aglomerado foi descrito e catalogado por quase todos os catálogos "clássicos".  Hodierna o observou antes de 1654. Posteriormente Halley o incluiu em seu catalogo de estrelas Austrais como sua entrada de no 29. A seguir Lacaille o registrou como Lac II.14.  Charles Messier o inclui em seu catalogo em 23 de maio de 1764. Nasce M 7.
                É curioso que apesar de sua opulência os registros de M 7   por estes pioneiros sempre tenham sido bastante concisos e modestos. Hodierna simplesmente diz : " Contam-se 30 estrelas."  Lacaille , que sempre é bem curto e grosso, fala o seguinte: " Grupo de 15 ou 20 estrelas muito juntas em um quadrado".  Messier é um pouco mais generoso mas nem tanto:"  [observado em 23 de Maio 1764] Aglomerado de estrelas maior que o anterior (M 6). Este aglomerado parece ser uma nebulosa a olho nu. Não se encontra distante do anterior. Repousa entre o arco de Sagitário e a cauda de Escorpião".  Mesmo John Herschel parece não querer muito papo: " aglomerado, muito brilhante, muito rico , pouco condensado". Parece-me que a facilidade em se perceber M7 o tornou desinteressante para os astrônomos nos séculos XVII e XVIII.
                Seguindo em minha missão auto imposta de fotografar todos os objetos do catalogo Lacaille aproveitei uma visita ao Litoral Norte de São Paulo para arrematar os habitantes deste em Escorpião. Parece que sofrendo do mesmo mal que meus antecessores deixei para o final da tarefa a fácil missão que seria capturar M 7. Ingrato eu.
                M7 é um dos mais deslumbrantes aglomerados abertos. Muito brilhante e se resolvendo com quase qualquer instrumento ele é provavelmente o mais brilhante nó de luz no rio galáctico.  Já o Observei com diversos instrumentos e não consigo decidir qual deles é o mais apto para a tarefa. O aglomerado é grande e se espalha por  quase 10  de céu. Isto o faz um ótimo alvo binocular. Mas a maior capacidade de resolução de meus telescópios  tornam também um favorito nestes. Definitivamente ele não é alvo para grandes aumentos e assim gosto de usar minha maior ocular nesta missão. Por outro lado maiores aumentos podem revelar segredos inimagináveis. Um deles é um pequeno globular que se esconde entre suas estrelas. Ngc 6453 é  um belo desafio para telescópios de médio porte. Com apenas 3´ e magnitude 9.9 já o observei com o Newton ( um refletor de 150 mm). Mas jamais o percebi com o Galileo ( refrator de 70 mm) .
                As fotos aqui apresentadas foram realizadas com o Galileu.  São o somatório de diversas exposições de 15 e 30 segundos. Apesar de considerar meu alinhamento polar bem aceitável utilizei o Rot n´ Stack como programa para empilhar os frames. Ele é menos poderoso que o DSS mas também menos exigente quanto ao material capturado.  Acho a imagem bastante fiéil ao que será observado junto a ocular. Pelo menos a feita com o RnS. O DSS chegou ao que chamo de desastre binário...
DSS e o desastre binário...
                M7 é uma aglomerado aberto de idade mediana. Suas cores deduram isto . Se comparado a M6 ( é difícil falar de um e não falar do outro. Por isto existe a duvida se Ptolomeu se refere a ambos no Almagesto ou somente a M 7...) ele tem um brilho mais dourado.
                Ele se encontra bem mais próximo que o seu antecessor no Catalogo Messier. Em função do autor as distancias deste para nós variam entre 800 e 1000 anos luz. Isto faz ele ocupar um espaço de aproximadamente 16 anos luz. Algumas outras avaliações o levam um pouco mais longe e fariam que este ocupasse quase 25 anos luz de latifúndio galáctico .  Se contam cerca de 80 membros e todos acima de 10a  magnitude. Resolver membros a olho nu seria via viável já que algumas destas estrela se encontram acima de 7a  magnitude . O´Meara fala disto. Eu nunca consegui...
                De volta a sua idade as estimativas nos levam a casa de 220 milhões de anos.
                Este é o objeto mais austral do catalogo Messier .  Por isto sua magnitude é alvo de alguma disputa. Os observadores mais ao norte oferecem uma magnitude absoluta de entre 4.4 e 5. Para nós , privilegiados moradores do hemisfério sul, algo entre 3a e 4a magnitude é evidente. O percebo a olho nú ( usando visão periférica) em noites sem lua e em locais mais defendidos que a Stonehenge dos Pobres.
                M 7 foi um dos primeiros DSO´s que observei. Tive certeza de que o tinha localizado.
                è muito facil acha-lo. Localize a cauda do Escorpião. A nebula que repousa entre este e o arco de Sagitário é o próprio... 



                Um eterno favorito.


            P.S. Em uma analise mais atenta localizei NGC 6433 na foto. Esta assinalado pelo pequeno circulo. Não o percebi junto a ocular mas confesso que a noite foi fotográfica e sequer utilizei a ocular para alinhar o telescópio para as fotos. Somente a buscadora...

segunda-feira, 1 de junho de 2015

M 6- O Aglomerado da Borboleta

              Continuando a Saga Lacaille pela constelação de Escorpião hoje vou apresentar um dos aglomerados abertos que mais gosto. Quando comecei a observar seu formato inequívoco já me era conhecido de diversas fotografias.  Desta forma fiquei atônito quando o observei de verdade  e realmente a primeira coisa que me veio a mente foi mesmo uma borboleta. Não qualquer borboleta mas um membro da familia das  Papilionidae. Esta apresentam aquele formato caracteristico das rabetas de prancha de surf biquilhas que eram a febre na minha adolescência. Swallow-Tail. Depois de um pouco de pesquisa cheguei a conclusão que fosse o Aglomerado da Borboleta um verdadeiro panapanã , um  artrópode , inseto e habitante da Terra ele seria uma Maculina Alcon .  Um amigo taxinomista insiste que seria uma   Ornithoptera Priamus Euphorion mas a cor amarelada desta parece-me destoar muito do parente celestial.

            M 6 é o nome popular dado ao nosso aglomerado. Conhecido como um esfuminho cósmico na cauda do Escorpião desde a antiguidade este é um dos DSO´s mais conhecidos de todos os céus. Burnham propõe que ele tenha sido observado por Ptolomeu assim como M7. Mas é discutível que o astrônomo alexandrino tenha  observado. A primeira descrição acima de qualquer suspeita foi realizada antes de 1654 por Hodierna mas como o s trabalhos deste ficaram desaparecidos por séculos e apenas foram redescobertos nos anos de 1980 seu registro ficou a cargo de M. de Cheséaux quando o descreveu como " um bem interessante aglomerado de estrelas" em 1745-46. Nosso herói Lacaille o inclui em seu catalogo entre 1751-52  como Lac III.12 e foi muito mais falador  do que lhe era habito: " um peculiar aglomerado de pequenas estrelas , dispostas em três bandas paralelas formando um losango com 20 a 25 de diâmetro e preenchido com nebulosidade".   E finalmente Messier o inclui em seu famoso catalogo de objetos a não serem observados e  sendo sua 6a  entrada garantiu seu nome para posteridade como M 6 . Em seu catalogo ele nos deixa este registro: " Aglomerado de tênues estrelas entre o arco de Sagitário e a cauda do Escorpião.  Para a vista desarmada ele se apresenta como uma nebulosa sem estrelas mas mesmo o mais modesto dos instrumentos revela tratar-se de um aglomerado de estrelas" . Parece que  primeiro a perceber seu obvio formato ( ou pelo menos registra-lo) foi Burnham : "... um charmoso grupo cujo a forma lembra uma borboleta com asas abertas."

            Localizado a cerca de 4o da subgigante azul Lambda Scorpio na cauda do Escorpião e um ´pouco ao norte de M7 seu esfuminho é facilmente percebido mesmo em noites de lua.  Juntamente com M7 e M8 nosso aglomerado forma uma das areas mais brilhantes no rio galáctico. Todos habitam em direção a centro galáctico e M6 é certamente o DSSO visível a olho nu mais próximo do coração de nossa galaxia.

            M 6 esta a aproximadamente 1600 anos luz de nós e a maioria de suas estrelas é marcada por ma tonalidade branco azulada e são do classe espectral B e ainda estão na sequência principal. Uma notável excessão é a Variavel BM Scorpii que destaca-se dos demais membros no corpo da Borboleta pela sua coloração claramente alaranjada. Com sua magnitude variando entre 5.5 e 7 ela já foi percebida a olho nu por astrônomos com visão privilegiada. è um grande deito para uma estrela a mais de 1500 anos luz...
1 frame 30 seg .
            Embora existe algum debate sobre a idade do aglomerado as gigantes ainda não evoluídas me levam a acreditar em idades mais juvenis. O Sky Catalog 2000.0 atribui meros 51 milhões de anos. Já Burnham e a pagina da webda oscilam entre 100 e 95 milhões de anos.
            M 6 é um espetáculo com quase qualquer instrumento ótico. Mas em binóculos comuns não se chega a perceber claramente seu formato peculiar. assim acho que é um alvo telescópico. Mas mesmo aumento de pouco mais que 25 X já revelam seu segredo e garantem perceber o colorido de BM Scorpii.

            È um DSO clássico e que deve ser visitado por todo e qualquer astrônomo que passear pela região de escorpião durante o inverno que se aproxima. 

domingo, 31 de maio de 2015

M 4 - Astrofotografias de um Globular Notável

          

          Tentando concluir o meu antigo projeto de fotografar todos os membros do Catalogo Lacaille aproveitei uma excursão profissional para capturar alguns dos elementos que ainda se encontram foragidos. Por uma daquelas coincidências que nada tem a ver com as leis fundamentais do universo e que se somadas dão 42 estes são todos alvos fáceis de serem localizados e que os observei mais que algumas dezenas de vezes. Talvez por serem todos também membros do Catalogo Messier e diretamente associados a este acabaram sendo deixados para trás na missão Lacaille. São todos habitantes da Região central da Galaxia e se espalham por Escorpião(3) e Sagitário (1).
            Este post é dedicado ao primeiro elemento a ser detido para fotografias. As prisões foram realizadas em ordem numérica e seguindo a ordem que foi estabelecida por Charles Messier ainda no Séc. XVIII.   
            M4 possui uma relativamente curta história até ser batizado desta forma. Ele é uma descoberta original de De Cheseaux em 1746. Lacaille o inclui em seu catalogo em 1752 e o registrou como Lac I.9 ( a nona entrada de nebulosas do tipo 1) Sua descrição é tão concisa como na maioria das vezes: " parece o nucleo de um fraco cometa". E finalmente Messier o catalogou  na sua lista de objetos a não serem observados em 1764. Foi sua quarta entrada.
            Ele o descreve assim: " Aglomerado de Estrelas bem tênues. Com um pequeno telescópio parece ser uma nebulosa. Este aglomerado é próximo a Antares e no mesmo paralelo. Observado por
M. de la Caille e incluído em seu catalogo. Observado novamente em 30 de janeiro e 22 de março 1781".
            Ainda mais tarde ele ganhou seu Registro no New General Catalog de Dreyer. Ngc 6121.
            Localizar M 4 é muito fácil. Localizado a pouco mais de 1o de Antares ( Alpha Scorpio)foi um dos primeiros DSO´s que observei. Pela foto abaixo você conseguirá ver que a navegação entre Antares e M4 é bastante simples. Pela buscadora ambos estarão no mesmo campo e utilizando uma ocular de 25 ou mais milímetros no telescópio será um fácil salto entre estes.
M4 é facilmente percebido como uma estrela enevoada acima e a direita de Antares. Antares é a estrela avermelhada pouco abaixo  do centro da foto.

            O aglomerado é uma bola de algodão celestial mesmo para binóculos bem modestos. Com pouco aumento telescópios começarão a resolver membros individuais  63entre suas estrela que começam a se apresentar com magnitude de 10.8 ; uma evidente barra central é formada por uma coleção de estrelas entre 11a e 12a magnitude que se destacam das demais. Esta estrutura é descrita por diversos autores e Herschel ( o descobridor de Urano) a destaca já em 1783 como uma "aresta" formada por 8 a 10 belas estrelas brilhantes. Esta caracteristica levou O´Meara a batizar M4 com o 'Aglomerado Olho de Gato" por parece-lhe uma pupila felina cruzando o globular.
10 exp;X 30 segundos no Deep Sky Stacker . ASA 6400.
            M4 é considerado o 2o globular mais próximo da Terra. A 7.200 anos luz ele só perde para Ngc 6317 e mesmo assim a decisão é no Photo Chart e controversa...
            Como quase todos aglomerados globulares M4 é membro do Conselho de Anciões do Universo e tem entre 10 e 13 bilhões de anos de Idade. depende da fonte. 12.2 bilhões de anos parece ser a idade mais aceita e de fonte mais recente...

            O aglomerado passa bem perto do centro galáctico durante sua orbita de 116 (+-3) milhões de ano ao longo do halo galáctico. Com isto já foi possivelmente mais denso e rico. Ele é destripado de tempos em tempos pela gravidade...
1 Exposição 30 segundos ASA 6400
            M 4 possui algumas estrela notáveis. Uma delas é uma anã branca que parece ser uma das mais antigas da galaxia com estimados 13 bilhões de anos. Possui ainda uma outra anã branca que participa de um sistema binário com um pulsar e que possui um planeta com massa de cerca de 2,5 a de Júpiter a sua volta. Por fim foi registrado outro Pulsar (1987) que possui um período e 3.0 mili segundos. 10 vezes mais rápido que o Pulsar da Nebulosa do Caranguejo ( M 1).
            M 4 é realmente um bom começo de passeio pela região do Escorpião que vai dominar os céus pelos próximos meses...


                

terça-feira, 26 de maio de 2015

Astrofotografia, Whisky, Wine and Gin.


               Há tempos sem realizar astro fotos por estar tendo muito trabalho ( adoro o dólar caro...) e com o Newton, um refletor de 150 mm, aguardando por peças para voltar a atividade eu não imaginava ter grandes oportunidades para praticar a "difícil arte".
                Existe o trabalho. Isto parece ter algo a ver com uma mulher ter comido uma maçã.E uma cobra...
                Mas mesmo existindo o trabalho existem certas diferenças. Existem o trabalho , o emprego, a profissão  e a cachaça.  Meu trabalho é como cachaça.
                E graças a  minha profissão me vi envolvido em um projeto que acabaria me permitindo fazer algumas fotos bem interessantes, adiantar o meu projeto sobre o catalogo Lacaille e beber mais do que é normalmente muito...
O Quiver do campeão...

                Passei os últimos dez dias acompanhando ( ou tentando acompanhar...) o novo campeão mundial de surf.
                Depois de um inicio  filmando a etapa do Mundial no Rio de Janeiro e de ter tomado um drible de nosso herói devido a uma desclassificação prematura acabo sendo enviado junto com uma equipe nem tão reduzida para a Praia de Maresias no litoral norte de São Paulo em busca de imagens do Gabriel ( já eramos grandes amigos a esta altura sem nunca termos nos visto) junto com sua família e de uma entrevista.
O Furgão e as curvas da estrada de Santos...
                Desta forma a minha profissão começa a apresentar suas armas. E então possuo um pequeno furgão com um monte de refletores, prolongas , geradores e afins a minha disposição para que  levar o meu bom e velho "Galileo" (um refrator de 70 mm)  e todas as traquitanas necessárias para fazer astro fotos  no Litoral norte de São Paulo e aproveitar-me de céus muito mais escuros e desobstruídos que na Stonehenge dos Pobres . É como é batizei o "Observatório Mais Urbano do Mundo" e situado na janela de meu apartamento.
                Uma equipe de filmagem é constituída por um monte de pessoas com empregos não muito conhecidos e com pretensão de serem algo muito importante.  Assim é sempre muito espaçosa e folgada. Graças a isto consigo apagar todas as luzes na área de lazer do simpático hotel que ocupamos alegando que precisava realizar um time lapse para nosso filme .
                Na primeira noite logo após observar o belo alinhamento da lua com Vênus e Selene e esta se esconder estou com o Galileo montado em uma área bem escura e com um céu "Bortle 4" sobre mim.
M4

 M8

                 Estava a muito tempo sem utilizar o Galileo e nem me lembrava mais de quão modesto este era.  Apesar de suas limitações ele ainda assim é um bom representante da classe dos refratores.  Mesmo parado e largado na estante da sala há muito tempo ele não esta nem pior nem melhor do que sempre foi. Possuindo aberração cromática e pouca definição. Fiel. Eu é que esqueci que para observar com refratores é bom possuir uma diagonal. E assim preciso relembrar minha ultima encarnação como contorcionista para observar algo.
                Mesmo assim na primeira noite da minha estada junto ao telescópio faço boas capturas de todos os objetos pertencentes a catalogo Lacaille que habitam Escorpião. E de quebra faço uma visita a Nebulosa da Lagoa (M8) . Outro Lacaille...  Na verdade todas as capturas da noite são pertencentes a ambos os catálogos . Messier elegantemente sempre deu créditos as descobertas realizadas por Lacaille. Afinal membros da mesma academia este não poderia ignorar o trabalho realizado anteriormente pelo Abbe.
M 6

M 25

                O Galileo não tem o mesmo poder de fogo do Newton e assim conseguir focar DSO´s neste é uma operação mais difícil e funciona  pelo  método de tentativa-erro. Não percebo estrelas de campo fortes o suficiente para serem reveladas pelo meu sensor C-MOS no live view da câmera... Mas mesmo assim consigo alguns resultados satisfatórios e me dou por feliz. Para ser sincero estas são as melhores fotos que já obtive utilizando meu refrator. Este é uma serie "low end" da Celestron e mesmo assim é capaz de revelar todo catalogo Lacaille e mesmo o Messier.  Graças a um alinhamento polar bem realizado combinado com o pequeno peso do conjunto a combinação deste ( que é vendido com uma montagem Eq1) com a montagem mais robusta permite exposições bem mais longas que o Newton e um acompanhamento mais acurado...
                Encero primeira noite antes do que gostaria devido aos compromissos  da manhã seguinte.
                A  filmagem acaba cedo . No próximo dia teríamos folga e assim a noite prometia. Pena que um bando de cineastas e afins  reunidos e com um dia de folga em uma locação distante do lar implica em dar uma "dimensão cinematográfica" para uma bebedeira. E  ao som de "Tim Pan Alley"  ( de Robert Geddins e interpretada por Steve Ray Vaughan) a noite vai assim : "Livin´ for their whisky , wine and gin..." . Não houve foco nem com auxilio do 1o assistente de câmera ( também conhecido como foquista).
M 7

                Na noite seguinte decidi partir para um "approach" diferente. Desisti rapidamente do contorcionismo que seria necessário para localizar e fotografar M83.  Com um alinhamento polar bastante aceitável, que eu conseguira durante a  primeira noite (utilizando o "método preguiçoso")   e mantendo o tripé morando na local que tinha isolado na área de lazer do hotel ( equipe de filmagem são folgadas ...) decidi experimentar como a minha montagem EQ-3 se comportaria utilizando apenas a Canon T3 equipada com a lente zoom 75-300 mm @ 80mm e com abertura de f4 acoplada a ela.   E para fazer a moda da casa eu "pluguei" (do verbo "to plug") a mesma ao meu lap top e com auxilio do Canon Utilities realizei as exposições mais longas que já fiz na vida sentado em uma mesa e bebendo champagne de verdade. A Eq 3 se saiu muito bem e assim consegui imagens de algumas belas regiões da Via láctea. Capturei muitos frames com exposições entre 1 e 2 minutos. E estas deram certo. A Eq 3 funciona como uma plataforma muito boa com este  set up ainda mais leve. 

Região de Theta e Eta Carina...

                   Neste segundo round fazendo fotos de com um campo maior e com exposições bem longas preferi reduzir a ASA de 6400 para 1600. As fotos anteriores me incomodaram devido ao extremo ruído....
                   Fiz planos super ambiciosos para  próxima noite. Afinal na manhã seguinte seria apenas levantar , entrar na van e voltar para para  Rio .  Pretendia dormir a viagem inteira.  O trajeto entre Maresias e o Rio de Janeiro dura 8 horas seguindo-se as curvas da estrada de Santos...
                Mas aí o tempo e o céu se fecharam. Murphy falou mais alto e tudo indicava que o mar iria subir. Mas então já era tarde demais para filmar o Medina surfando em casa. Teriam que abrir outra diária e muitos de nós já tinham outros compromissos. Inclusive eu.  Vida de free lancer é dura. Mas depender de nós também...


                E sem céu sem fotos. Sem fotos.. Whisky, wine and gin.


quinta-feira, 16 de abril de 2015

Me Digas por Onde Andas e Te Direi Circumpolar

         

                 

                   Astronomia é  cheia de facetas. Mesmo quase sem observar você pode pratica la. Na verdade nestes momentos você as vezes tem insights bastante interessantes sobre as razões que elevaram a astronomia a ser uma das  mais nobres das ciências. Ela faz parte de um dos maiores corpos do saber humano. É fundamental para a compreensão e explicação da natureza.A raison d´être da ciência.
                Como passei o mês me concentrando na organização do material que já possuo para o projeto que venho desenvolvendo há anos sobre o Catalaogo Lacaille passei muito tempo junto ao computador e pesquisando na web.    
                Durante os trabalhos acabei por "descobrir" um DSO de existência duvidável. E neste processo acabei passeando por partes do corpo da astronomia que normalmente passam ao largo aqui no Nuncius Australis. Devido a descoberta de um aglomerado que não apresentava parâmetros nem dados em lugar nenhum eu acabei por passear pela geometria , trigonometria, cosmologia e o conhecimento inútil que nem um mochileiro. Sem lenço e nem documento....
'               Mas desta forma acabei chegando a conclusões que me eram ha muito sabidas e sabida ainda ha mais tempo por astrônomos ao longo da história e pelo mundo todo. Mas como quase tudo que se aprende de uma forma orgânica tem gosto de descoberta fiquei muito feliz em poder escrever este post sobre Constelações circumpolares.
                Constelações circumpolares  serão aquelas que permanecerem acima do horizonte durante todo o dia sideral. Ou seja aquelas que nunca irão se por abaixo do horizonte. 
                Desta forma me ocorreu que eu não sabia quais eram as constelações circumpolares na minha cidade. Uma vergonha.
                Como já falei este mês a astronomia não aconteceu no céu. E dependurado no computador como foi o mês eu rapidamente recorri ao Stellarium e acelerando o tempo descobri que a questão era facil . Mas o diabo esta nos detalhes.  E assim definir parâmetros . Quais seriam as constelações circumpolares  se eu considerar apenas as estrelas principais destas ? E se eu fosse obrigado a considerar todas as estrelas que se encontrem dentro das fronteiras estabelecidas  pela IAU? 
                Agora precisei adentrar o Cartes du Ciel e verificar as estrelas mais ao norte de cada uma das constelações que haviam sido deduradas pelo Stellarium .
                Uma surpresa . São as mesmas. E uma decepção . E u achava que seriam mais ,
                No Rio de Janeiro são circumpolares apenas  Octante , Ave do Paraíso e Mesa. E Mosca e Volans ( peixe voador) batendo na trave.
                Já estava com a mão na massa e resolvi passear um pouco pelo mundo .Em Florianopolis as coisa não mudam muito . Mosca e Volans são circumpolares e Compasso bate na trave. Finalmente vou até Ushuaia . A cidade mais ao sul do mundo ( pelo menos se você não perguntar para um chileno...) . E lá a coisa fica mais divertida . Quase toda a finada constelação de Argos e mais varias outras estarão sempre no céu  ainda que no verão o sol esteja presente a maior parte do tempo e no inverno seja um frio de rachar.
                Só como curiosidade em Manaus não ha nenhuma constelação circumpolar.
             Depois de tanto olhar para o computador tive uma luz que muitos tiveram muito antes de mim . Para você saber se uma constelação ou uma estrela é circumpolar existe um método bastante fácil. Se você estiver ao sul do equador basta você aplicar a seguinte formula (L-90). L é a latitude do local onde você se encontra. Assim sendo imagine que o Rio de Janeiro se encontra a 23o. Logo  23-90 = -67.  E como as latitudes são negativas no Rio de Janeiro (sou muito bairrista...) todas as constelações que possuírem sua estrela mais ao norte com DEC maior que -67o serão circumpolares.                Como a atmosfera nos prega peças até um pouco menos será possível Mas aí já outra historia.          A Matemática este mês foi toda mais para Mandrake do que para Gauss mas me levou a descobrir o tamanho das coisa e o que eu sempre vejo ...
                Fiquei todo contente e ainda me lembrei do Feyman: 

               "- Cala a boca e faz a conta."